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Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea

Mais informação acerca indicadores

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O desenvolvimento do DIS4ME
Autor: Nichola Geeson <desertlinks@medalus.demon.co.uk>


Um desenho dos efeitos da desertificação como é percepcionado por um aluno do ensino básico do município de Mértola no Alentejo, Portugal. É uma percepção largamente comum que a desertificação e o despovoamento rural são a mesma coisa. Um dos objectivos do DIS4ME é mostrar que a desertificação tem muito mais aspectos e que as acções para a combater têm que ser endereçadas pelos sectores ambiental, agrícola e rural em conjunto.


Objectivos para o DIS4ME. O Projecto DESERTLINKS teve início em 2001 com o objectivo de desenvolver um sistema de indicadores de desertificação. Foi planeado para ser um contributo ao trabalho da UNCCD e, em particular, para os países da Sub-Região do Anexo IV, Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Um elemento vital era a ligação com os agentes e decisores a nível local, de maneira a descobrir qual a sua percepção da desertificação e as suas necessidades de indicadores. Cada país tinha começado a trabalhar nos seus Programas Nacionais de Acção, assim a colaboração com as Comissões Nacionais, agentes e decisores locais, nas quatro áreas de estudo afectadas pela desertificação, foi o primeiro passo, para estabelecer as especificações para um sistema de indicadores útil. As áreas de estudo são: o Concelho de Mértola – Alentejo em Portugal, a bacia do Guadalentín em Espanha, a bacia do Agri em Itália e a ilha Grega de Lesvos.

Questões sobre desertificação e indicadores. A análise de relatórios e documentos dos Programas Nacionais de Acção, revelou muitas das questões para as quais os indicadores eram necessários. Estes documentos forneceram igualmente indicadores e índices já comummente utilizados. Uma Lista de Indicadores Candidatos foi iniciada, reunindo indicadores dos Programas de Acção Nacional, de várias organizações internacionais e nacionais que tinham já as suas listas de indicadores, de projectos de investigação passados ou em curso e de workshops de consulta com grupos de agentes e decisores locais. As séries de workshops discutiram os indicadores de força motriz, pressão, impacto e resposta, tendo por fim, avaliado o sistema completo. Progressivamente, a lista de indicadores foi revista pelos parceiros do DESERTLINKS, foram procurados novos indicadores para colmatar lacunas, e dispensados alguns indicadores que não podiam ser descritos, medidos ou utilizados de uma forma prática.

Sensibilidade à desertificação. A metodologia para avaliar a sensibilidade à desertificação no âmbito do DESRTLINKS, baseou-se na pesquisa anterior realizada nos Projectos MEDALUS [1] [2] sobre Áreas Ambientalmente Sensíveis (ESA). Estas ideias foram desenvolvidas para calcular o Índice de Sensibilidade Ambiental (ESI) para uma determinada área. Foram também aplicados métodos para calcular o risco de desertificação para determinados usos do solo: pinhal, cereais, olival, pastagens, vinha e montado. Para cada um destes usos do solo, foram examinadas as relações entre um pequeno número de indicadores chave. Outra ferramenta calcula o risco de desertificação devido à salinização. Por fim, a metodologia das ESA foi alargada para explorar vários cenários fora das áreas principais de estudo, ex. Creta, Itália e a bacia do Mediterrâneo.

Redução do risco. As práticas agrícolas são um factor muitíssimo importante na desertificação, fundamentalmente porque a escolha de uma prática pode tanto aumentar a erosão do solo como contribuir para a prevenir. As consequências económicas e ambientais da escolha de práticas agrícolas foram analisadas na bacia do Agri no Sul de Itália e transformada numa ferramenta de avaliação da qualidade das práticas agrícolas (ManPras). Os resultados foram utilizados para demonstrar aos agentes e decisores em todas as áreas de estudo, as vantagens económicas e ambientais das melhores práticas para reduzir o risco de desertificação.

Cartografia do risco a larga escala. Foram incluídos indicadores para escalas espaciais que vão da local até à Europa como um todo. O modelo RDI/PESERA [3], baseado numa metodologia desenvolvida no Projecto Medalus III, fornece uma estimativa a médio – longo prazo, das taxas de erosão do solo para toda a Europa Mediterrânea, com uma resolução espacial de 1 km. Os resultados incluem mapas do risco de erosão e salinização à escala Europeia e regional. O coberto vegetal das áreas de estudo foi também cartografado, para toda a Europa Mediterrânea, utilizando dados do sensor AVHRR (Advanced Very-High Resolution Radiometer).

Utilização do DIS4ME. A fase final no desenvolvimento do DIS4ME foi a sua avaliação. Esta foi realizada nas áreas de estudo utilizando exemplos e questionários. O exemplo da bacia do Guadalentín, em Espanha, demonstra uma metodologia complementar para a análise da sensibilidade e das mudanças a longo prazo, a mesma que foi utilizada pelo Programa de Acção Nacional Espanhol. O Ponto Focal Grego também utilizou o DIS4ME numa nova área piloto, o sector ocidental de Creta [4]. A análise de cenários sobre o uso do solo concluiu, que a melhor prática de maneio para proteger o solo da erosão, e continuar a garantir o rendimento das explorações, era preservar os olivais com um mínimo de cultivo. O sistema de indicadores de desertificação DIS4ME está pronto para ser utilizado para um vasto leque de objectivos e dará uma valiosa colaboração para o combate à desertificação na Europa

Referências

[1] Kosmas C, Kirkby M and Geeson N, 1999. The MEDALUS project. Mediterranean Desertification and Land Use. Manual on key indicators of desertification and mapping environmentally sensitive areas to desertification. European Commission, Brussels.
[2] MEDALUS III project website http://www.medalus.demon.co.uk
[3] Pan-European Soil Erosion Risk Assessment project website http://pesera.jrc.it
[4] In conjunction with the EU research project OLIVERO (The Future of Olive Plantation Systems on Sloping and Mountainous Land; Scenarios for Production and Natural Resource Conservation. Quality of Life and Management of Living Resources, Key Actions No: 5.1 and 5.5, Project No: QLK5-CT-2002-01841