DIS4ME Página DIS4ME | Página DESERTLINKS | © DESERTLINKS 2004
English-EN | Español-ES | Italiano-I | Ελληνικά-GR | Portuguese-PT
Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea


Avaliação e validação do DIS4ME

Autores: Jorge García Gómez <jorgegg@um.es> e Nichola Geeson <desertlinks@medalus.demon.co.uk>


g

Introdução

g

Design do questionário básico

g

Resultados dos questionários de avaliação

g

Avaliação da escolha de indicadores usados em relação a algumas questões de desertificação

g

Validação

g

Conclusões


g Introdução

Através do projecto DESERTLINKS, foram realizadas workshops com os agentes e decisores nas áreas de estudo para discutir os requisitos de um sistema de indicadores e os méritos de indicadores individuais. O processo de interacção entre cientistas e agentes e decisores continua, à medida que mais pessoas têm a oportunidade de saber  do DIS4ME e contribuir para o melhorar.

Os agentes e decisores incluem:

  • Agricultores e organizações de agricultores;
  • Autoridades administrativas, locais e regionais, técnicos, representativos de câmaras municipais, ambiente a nível regional, gestão do território e agricultura. Técnicos de cooperativas e sindicatos;
  • Sociedade civil, ONGs, associações ambientais, fundações privadas, associações locais;
  • Professores e estudantes de universidades e escolas;
  • Cientistas de disciplinas relacionadas com a desertificação.

O processo de avaliação incluiu:

  • Workshops na língua local nas Áreas Alvo, workshops em reuniões específicas de projecto e em encontros internacionais, uma workshop com os estudantes do Mestrado GHEA na Università della Basilicata.
  • Questionários, circulados aos agentes e decisores nas Áreas Alvo; representantes dos Pontos Focais Nacionais; representantes da UNCCD e Comité para a Ciência e Tecnologia; outros cientistas em projectos paralelos; e a todos aqueles que pediram a palavra passe para verem o DIS4ME.

5 Topo

g Design do questionário básico

As questões incluíram:

  • O DIS4ME é fácil de usar?
  • A estrutura do DIS4ME é lógica?
  • O DIS4ME é detalhado?
  • O nível de detalhe é suficiente?

Foram propostas directrizes para desenvolver um questionário adequado:

  • As questões deveriam ser simples, dirigindo-se a uma ideia de cada vez;
  • Perguntas fechadas, com uma gama específica de resposta, permitindo que as respostas nas diferentes Áreas Alvo pudessem ser comparadas. Algumas questões abertas são também valiosas, claro está.
  • Permitir às pessoas a opção fácil de dar resposta sem comprometimento é de evitar, i.e. é melhor ter quatro classes de respostas que três;
  • Os detalhes da pessoa que responde ao questionário têm que ser registados, ex. masculino / feminino, idade, grupo ou organização a que pertencem, cientista / não cientista.

Questionário básico

Questões fechadas

Bom

Relativamente Bom

Não bom

Pobre

É claro qual o objective do DIS4ME e como pode ser utilizado?

 

 

 

 

Tentámos apresentar a informação num estilo científico comum. Achou que a linguagem usada é clara?

 

 

 

 

Foi fácil navegar pelo DIS4ME?

 

 

 

 

Em termos gerais como é que o DIS4ME endereça os seus requisitos enquanto cientista, decisor, agricultor, estudante, etc?

 

 

 

 

Acha que o DIS4ME o ajudou a compreender melhor o processo de desertificação?

 

 

 

 

Se marcou “não bom” ou “pobre” nalguma resposta, por favor explique as suas razões e sugira como se podem fazer melhoramentos.

 

 

 

 

Questões abertas

1. Tem algumas sugestões para melhorar a estrutura e conteúdo do DIS4ME?

2. Pode sugerir algumas áreas onde a informação (ex. descrições de indicadores ou processos) deva ser expandida ou clarificada?

3. Existem alguns problemas específicos de desertificação que não tenham sido endereçados?

4. Usou alguma das ferramentas (ex. ferramenta ESI, ferramenta para calcular o risco de desertificação em virtude da salinização ou erosão sob vários usos do solo) para avaliar a desertificação na sua própria área? Se sim, quão rigorosos ou apropriados foram os resultados obtidos?

5. Avaliou a disponibilidade de dados na sua área para algum dos indicadores? Se sim, para que indicadores havia dados disponíveis/indisponíveis?

Conforme o DIS4ME evoluiu, o questionário de avaliação tornou-se crescentemente específico e dirigido a páginas individuais. A versão corrente pode ser descarregada de Desertificação e DIS4ME: Faça parte da avaliação do DIS4ME.

5 Topo

g Resultados de questionários de avaliação

Embora o ritmo de retorno dos questionários das pessoas a quem foi dada a palavra passae para aceder ao DIS4ME no sítio da Internet do projecto DESERTLINKS não tenha sido muito bom, foi recebido algum retorno útil. Até Novembro de 2004, a maior parte das pessoas classificou o DIS4ME como bastante bom. Os aspectos que algumas pessoas não acharam tão bons ou pobres incluem:

  • Não era claro que o DIS4ME pudesse ser usado para um conjunto largo de objectivos;
  • Algumas das opções para usar o DIS4ME não estavam à altura do que prometiam;
  • Algumas das opções para usar o DIS4ME não são relevantes para agentes e decisores;
  • Os objectivos operacionais de alguns dos indicadores não são claros;
  • Ainda é necessário algum trabalho para fazer uma ponte entre as necessidades dos decisores e os resultados científicos, especialmente para os tornar disponíveis e úteis para a gestão;
  • O DIS4ME só é bom para uma avaliação preliminar da desertificação.

Todos estes comentários foram discutidos e foram feitos melhoramentos onde possível, entre Novembro de 2004 e Março de 2005. Alguns dos comentários específicos são endereçados abaixo:

Comentários

Reacção

A língua inglesa não é ideal para uso pelos agentes e decisores.

Quase todas as páginas do DIS4ME estão a ser traduzidas para Português, Espanhol, Italiano e Grego.

A navegação no DIS4ME pode ser melhorada.

Foram feitos melhoramentos aos menus à esquerda e no topo, foi acrescentado um mapa do sítio.

Não é fácil ver que indicadores utilizar.

Foi escrita a secção “Escolha e uso de indicadores” para ajudar.

Existem demasiados indicadores e não é claro como ordenar os diferentes indicadores de acordo com a relevância para a questão.

Foram acrescentadas tabelas de indicadores relacionados às páginas individuais das questões, e todas as descrições de indicadores têm uma listagem dos indicadores relacionados. A base de dados DIS proporciona uma ferramenta completa para organizar e seleccionar os indicadores de acordo com muitos critérios.

Falta referência à classificação de indicadores DPSIR.

A classificação DPSIR já foi mencionada na descrição de todos os indicadores, e é agora descrita em “Escolha e uso de indicadores”, além disso os indicadores podem ser organizados e ordenados de acordo com o seu lugar na classificação na base de dados DIS.

São necessárias melhores descrições de indicadores e processos de desertificação, incluindo exemplos típicos.

Todas as descrições de indicadores e textos descritivos foram revistos e melhorados onde possível.

A alguns indicadores não foram atribuídos valores padrão.

São sugeridas valores padrão somente quando apropriado, até porque podem necessitar de calibragem para diversas situações.

Não existe distinção entre parâmetros e indicadores.

Visto que os indicadores devem ser específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporalmente reportados, muitos indicadores são parâmetros, mas nem todos os parâmetros são indicadores. Ver “Escolha e uso de indicadores” para mais detalhes.

A base para ordenar e classificar o risco de desertificação não está bem justificada ou documentada.

A metodologia para a ferramenta ESI e para calcular a desertificação sob vários usos do solo foi descrita em mais detalhe.

O uso de fotografias ajuda a compreensão das questões.

O número de fotografias foi grandemente aumentado.

Alguns modelos, e.g. a ferramenta ESI não são exactamente rigorosos.

A ferramenta ESI é usada para indicar o risco de desertificação usando dados disponíveis, e existem inevitavelmente situações não explicadas pelo modelo.

Os exemplos típicos de melhores práticas de gestão para combater a desertificação seriam úteis.

A ferramenta ManPras e ManData incluem esta informação e são agora parte do DIS4ME.

O uso do DIS4ME requer conhecimentos e dados consideráveis.

Foram excluídos indicadores com requisitos não razoáveis de dados, e onde possível, uma escolha de indicadores similares é dada para servir diferentes utilizadores com diferentes situações de disponibilidade de dados.

A metodologia das ESA e risco de desertificação não estão definidas.

A documentação foi melhorada, incluindo uma versão descarregável do Manual MEDALUS das ESAs.

Existem demasiados indicadores, é necessário um conjunto básico de indicadores.

Uma lista longa de indicadores é útil pois pode permitir escolha de acordo com a disponibilidade de dados. O conjunto básico de indicadores é o utilizado no Índice de Sensibilidade Ambiental.

A análise de outros processos de desertificação (além da erosão e salinização), tais como toxicidade de contaminação por metais pesados e acidificação dos solos não estão incluídos.

Estes processos serão endereçados se o tempo o permitir.

A parte do DIS4ME que descreve o risco de desertificação necessita maior expansão para outros usos do solo e calibragem noutras condições ambientais e sócio-económicas.

A metodologia usada para quantificar o risco de desertificação sob vários usos do solo está agora completamente descrita. A calibragem para outras condições ambientais e sócio-económicas está para além do âmbito deste projecto particular.

5 Topo

g Avaliação da escolha de indicadores usados em relação a algumas questões de desertificação

Os estudantes do curso de mestrado GHEA da Università della Basilicata em Itália foram convidados a discutir os indicadores que o DIS4ME oferece em relação a questões de desertificação. Algumas das suas recomendações são sintetizadas abaixo:

  • Abandono da terra. Embora o processo de degradação da terra esteja relacionado sobretudo com indicadores físicos tais como o declive das vertentes e exposição, há algumas considerações adicionais. A terra tem maior probabilidade de ser abandonada se a resistência do solo dificulta as lavouras, se existem poucos serviços para manter a qualidade de vida, e se há pouca provisão para desenvolver e disseminar novas tecnologias que podiam tornar a vida mais fácil. Algumas destas ideias podiam ser desenvolvidas em novos indicadores.
  • Irrigação intensiva. Foram considerados como indicadores mais importantes o uso do solo, o potencial de irrigação realizado, e se o rendimento justificava o uso de irrigação. Também é necessário incluir ideias acerca da atractividade de uma área para o investimento. Isto pode ser dependente das infra-estruturas existentes, para estabelecer se existe suficiente rendimento potencial para ser obtido do investimento na irrigação.
  • Desflorestação. Embora o coberto vegetal actual seja um indicador útil, também seria útil avaliar a história do coberto vegetal, pois mudanças abruptas podem ter contribuído para o grau de degradação da terra ou desertificação. Da mesma forma, os registos climáticos podem proporcionar informação relevante em termos de resistência à seca.
  • Litoralização. As procuras exercidas pelo turismo, que afectam as infra-estruturas e serviços são muito importantes. Podem ser um limiar relacionado com a intensidade existente de turismo, equilibrando efeitos positivos de melhoramento da economia local com efeitos negativos tais como aumento da poluição, exaustão dos recursos hídricos e aumento do potencial de salinização.
  • Práticas agrícolas. Os indicadores escolhidos concentram-se nas operações de lavoura e deviam considerar mais a aplicação de fertilizantes.
  • Actividade económica. A influência de mudanças na tecnologia disponível ou potencial é importante. A actividade económica é um factor primário de desertificação mas é difícil definir indicadores aplicáveis. É importante compreender o que se está a passar, porque se está a passar e quais vão ser as consequências.
  • Degradação da terra. Os indicadores mais importantes relacionados com esta questão são: a erosão do solo (indicador de estado); a frequência de fogos (força condutora); potencial de salinização (estado); coberto vegetal (estado); agricultura sustentável e conservação da biodiversidade (impacto).
  • Recursos hídricos. Pode ser necessário utilizar diversos indicadores para os diferentes sectores: agricultura, industria e doméstico (consumo de água por sector), e distinguir entre qualidade da água, disponibilidade de água e gestão da água (e.g. área irrigada).
  • Estrutura social. Seria muito útil saber acerca dos padrões de mobilidade da população: quantas pessoas viajam para o trabalho ou outros propósitos, as escalas de tempo da sua mobilidade, e se essa mobilidade está ligada a factores sociais como o rendimento, ocupação o nível de educação.

5 Topo

g Validação

A validação é o processo pelo qual o sistema de indicadores do DIS4ME foi testado, para ver se é necessário fazer mudanças, quando é utilizado fora das Áreas Alvo do Projecto DESERTLINKS. Existiram três fases:

  1. Validação do DIS4ME pelos gestores da terra locais, em grupos de agentes e decisores nas Áreas Alvo DESERTLINKS de Portugal, Espanha, Itália e Grécia.
  2. Uso probatório do DIS4ME pelos representantes nacionais dos Pontos Focais de Portugal, Espanha, Itália e Grécia.
  3. Consolidação da avaliação e resultados de avaliação para obter directrizes para a CST e UNCCD sobre o uso de indicadores de desertificação.

Em Portugal, Espanha, Itália e Grécia muitas ideias com origem no DIS4ME ou nos Projectos anteriores MEDALUS foram integradas nos Planos de Acção Nacionais, e estes estão descritos em: Uso e combinação de indicadores: Indicadores e Planos de Acção Nacionais. Ver também Uso e combinação de indicadores: Indicadores que são relevantes à escala nacional e do Mediterrâneo.

Um dos exemplos mais completos de validação foi a associação com o Projecto OLIVERO na ilha de Creta. Este está completamente descrito em Uso do DIS4ME: Creta (OLIVERO).

A parte Sudoeste da prefeitura Chania em Creta Ocidental caracteriza-se por uma variedade de paisagens, unidades litológicas e condições climáticas, estando principalmente coberta por olivais. Encontram-se também vinhas, citrinos, culturas anuais, nogueiras, e vegetação natural (arbustos, pinhais, florestas de Quercus sempre verdes, etc.). Com base na etapa da degradação da terra e da sensibilidade à desertificação encontraram-se quatro categorias de Áreas Ambientalmente Sensíveis (ESAs) na área piloto de Chania. As ESAs mais expandidas são as frágeis (78% da área total) seguidas pelas críticas (14%), potenciais (4%) e não afectadas (4%).

Olivais ou oliveiras isoladas cobrem a maior parte da área de estudo. Existem três tipos principais de práticas de cultivo: (a) lavouras uma ou duas vezes durante a primavera, (b) nenhuma lavoura nem pesticidas, e (c) nenhuma lavoura e uso de pesticidas. Com base na metodologia DESERTLINKS do Índice de Sensibilidade Ambiental para definir o risco de desertificação os seguintes cenários possíveis foram aplicados para avaliar a sensibilidade da área à desertificação:

  • Substituir os olivais por cereais;
  • Manter os olivais e lavrar o solo;
  • Substituir os olivais com vegetação natural;
  • Manter os olivais sem lavouras.

A análise destes cenários de gestão e maneio sugeriu que a melhor protecção para a terra contra a desertificação é conseguida se o uso do solo se mantiver inalterado mas evitando as lavouras do solo.

Em Itália o Projecto DesertNet (à escala nacional) explorou o uso da metodologia das ESAs em regiões como a Sardenha, Sicília, Apúlia e Basilicata, onde a Bacia do Agri é a Área Alvo do Projecto DESERTLINKS (ver Uso do DIS4ME: Itália (DesertNet))

5 Topo

g Conclusões

O DIS4ME pode responder a muitas questões acerca dos indicadores de desertificação. Os Pontos Focais de Portugal, Espanha, Itália e Grécia já aplicaram e cartografaram muitos dos indicadores principais nos seus Planos de Acção Nacionais utilizando métodos MEDALUS / DESERTLINKS, tais como a metodologia das Áreas Ambientalmente Sensíveis.

Foram acrescentadas ao DIS4ME sugestões de novos indicadores pelos avaliadores, quando foi possível escrever a descrição de um indicador. Contudo, existem ainda alguns factores importantes, e.g. relações económicas, ou mobilidade social, para os quais a definição ou método de avaliação não são consensuais, e uma descrição de indicador não pode ainda ser escrita. Além disso, muito boas ideias para indicadores não podem ser suportadas pelos dados disponíveis actualmente.

Os indicadores ainda não foram usados por um período suficientemente grande de tempo por um número suficiente de utilizadores para sugerirem quais se estão a revelar mais úteis num largo leque de situações. Se o DIS4ME pode ser desenvolvido como uma ferramenta de treino e formação num projecto subsequente será possível catalogar as localizações e uso preciso dos indicadores. Se esta informação for reunida será mais fácil demonstrar a diferença entre desertificação real contemporânea e risco de desertificação. As workshops finais do DESERTLINKS nas Áreas Alvo com os agentes e decisores terão lugar em Março de 2005. Embora haja ainda lugar para possíveis melhoramentos do DIS4ME esta versão será apresentada e explicada aos agentes e decisores como a versão final, nas suas próprias línguas

5 Topo