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Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea

 

As principais questões associadas à desertificação no Mediterrâneo

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Desflorestação
Autores principais: Agostino Ferrara <ferrara@unibas.it>, Raffaella Lovreglio
Contribuições de: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>, Jorge García Gómez <jorgegg@um.es, Constantinos Kosmas <lsos2kok@aua.gr>,



g Descrição das razões que levam à desflorestação e razão pela qual é uma questão no contexto da desertificação
Autores: Agostino Ferrara <ferrara@unibas.it>, Raffaella Lovreglio

Introdução. Uma grande parte da superfície da Terra está coberta com florestas; um recurso de muito valor para as populações humanas, biodiversidade, condições edáficas, armazenamento de água e condição da atmosfera. As populações humanas usaram, originalmente as florestas somente, pela madeira, para abrigo, lenha, e outros produtos não alimentares. Nesse tempo, as florestas eram utilizadas de uma forma sustentável, sem excessiva ameaça de extinção de espécies, devida à sobre exploração. Desde esses tempos iniciais de uso da floresta até aos tempos modernos, houve um grande aumento, na quantidade de madeira obtida diariamente, por um número de razões tais como:

  • A necessidade de desbravar e queimar floresta para conversão da terra (extensas e inúmeras propriedades para criação de gado para produção de carne);
  • No Mundo, as maiores florestas estão em geral, nos países em desenvolvimento; o arroteamento de áreas florestais para a obtenção de madeira para exportação e venda aos países desenvolvidos é em geral feito sem preocupação excessiva com a sustentabilidade;
  • O crescimento da população requer mais terra para desenvolvimento, em muitos países a opção mais fácil, é explorar áreas florestais;
  • As indústrias mineiras, com frequência, procuram usar áreas florestais e provocam desflorestação;
  • A madeira das florestas é vulgar, como combustível barato e como material de construção, nos países em desenvolvimento

Na actualidade, as florestas estão ameaçadas por outros factores tais como, riscos climáticos, doenças disseminadas por insectos ou patogénicos, ameaças de natureza puramente antropogénica, fogos, poluição atmosférica, desflorestação e um aumento da pressão social. O Homem é parcialmente responsável, por quase todas estas ameaças. De facto a marca das acções do Homem está sempre presente: é relativamente moderada no que diz respeito às desordens climáticas, apesar das emissões de gases de estufa serem responsáveis por danos significativos; é média no crescimento sensível de certos povoamentos florestais propensos a ataques de parasitas; está sobretudo implicado no fenómeno da poluição atmosférica ou da desflorestação.

Os ritmos estimados de desflorestação global são espantosos. De acordo com o World Resources Institute (http://pubs.wri.org/pubs_content.cfm? PubID=3018), mais de 80% das florestas naturais da Terra foram já destruídas (a um ritmo de cerca de 40 milhões de hectares por ano). Cerca de 90% das florestas costeiras da África ocidental já desapareceram desde 1900. O Brasil e a Indonésia, que possuem as duas maiores regiões de floresta tropical ainda existentes, estão a ser destruídas a um ritmo alarmante pela sua madeira, através de fogos e de arroteamentos para a agricultura e criação de gado. A perda de habitats está entre as consequências mais óbvias da desflorestação. Nas florestas está presente 70% da biodiversidade da Terra. As florestas tropicais ajudam a originar precipitação em países propensos a seca em outros lugares. Estudos têm mostrado que a destruição das florestas em países da África Ocidental, como a Nigéria, Gana e Costa do Marfim, podem ter causado duas décadas de seca no interior de África. (http://pubs.wri.org/pubs_content.cfm?PubID=3018).

A desflorestação pode ter também efeitos globais catastróficos. As árvores são consumidoras naturais de dióxido de carbono, um dos gases de estufa, cujo aumento na atmosfera contribui para o aquecimento global. A destruição das árvores, não só remove estes “ sumidouros de carbono”, mas por adição, a queima e decomposição das árvores, liberta ainda mais dióxido de carbono para a atmosfera, bem como metano, outro dos gases principais, que contribuem para o efeito de estufa.

Condições climáticas. Sensivelmente, mais de metade dos climas do mundo são classificados como áridos ou semi-áridos. A divisão subsequente em áreas áridas e semi-áridas está definida amplamente. Em termos gerais, os desertos recebem 100 mm de precipitação ou menos, as terras áridas entre 100 e 300 mm e as semi-áridas, de acordo com a classificação seguinte:

  • Áridas: confinadas a pastagens nativas e produção animal extensiva. Irrigação possível em algumas situações.
  • Semi-áridas: ligeiramente mais opções que nas áreas áridas. Inicialmente limitadas a pastagens nativas e produção de gado, mas são exequíveis em áreas específicas, colheitas alimentares e produção de forragens. A irrigação também é possível em algumas situações.

Embora, todas as áreas climáticas estejam sujeitas a desertificação, as áreas semi-áridas e áridas, em geral, e a áreas áridas em particular, são altamente susceptíveis, visto que estão apenas a alguns milímetros de serem verdadeiros desertos.

Flutuações climáticas. As áreas áridas e semi-áridas têm climas agrestes tornados mais difíceis pelas flutuações climáticas. Existem normalmente, muitos mais anos abaixo da média, do que na média ou superiores. Secas prolongadas ocorrem frequentemente. As secas têm lugar tão frequentemente, no Nordeste do Brasil, por exemplo, que a área é designada de polígono da seca. As variações climáticas, por si, não causam desertificação, mas são um acelerador da desertificação, especialmente, quando o Homem continua a ter usos do solo, somente suportados, por precipitações médias ou acima da média. A falha em planear os anos “maus” e o modificar o uso do solo em consonância com estes anos, acelera o processo de desertificação. Embora as secas aumentem o ritmo da degradação da terra, elas não são a causa, nem a desertificação tem um efeito directo, num deserto vizinho. A degradação do solo pode começar em qualquer campo cultivado.

A desertificação e a desflorestação envolvem uma mudança drástica nos microclimas. Por exemplo, se os arbustos e árvores são cortados, o sol do meio-dia incidirá directamente no solo até agora com sombra; o solo tornar-se-á mais quente e seco, os organismos que vivem no solo deslocam-se para evitar as condições mais severas. A manta morta orgânica à superfície – folhas mortas e ramos, por exemplo – serão rapidamente oxidadas, sendo retirado o dióxido de carbono. O mesmo acontecerá, como a pequena quantidade de húmus acumulado no solo. Os impactos climáticos da desflorestação à escala local, meso-escala, e em larga escala ficam demonstrados. A diferença de radiação e balanço de energia, entre a floresta e arroteamento, produz maiores temperaturas não áreas arroteadas, particularmente na estação seca. Em áreas onde houve uma grande desflorestação, fluxos maiores de calor sensível das áreas arroteadas, produzem nas margens, camadas convectivas mais profundas, com diferenças observáveis no coberto de nuvens, e sendo previsíveis circulações à meso-escala.

Todas estas mudanças microclimáticas também trazem mudanças ecológicas. O ecossistema está a ser alterado, na maioria dos casos, adversamente. A partir dai, estes processos resultam não só, numa perda de produtividade biológica, mas também, na degradação dos microclimas de superfície. Fenómenos tais como o aquecimento global e o efeito de estufa, que têm a sua origem na desflorestação e desertificação, entre muitas outras causas, são mais sérios, globais em alcance, e portanto potencialmente mais ameaçadores.

Resistência à seca das florestas. As florestas cobrem mais que 30% da superfície da Terra. Vão desde arbustos secos espinhosos na savana africana e florestas tropicais densas; de mangais à beira da água até persistentes coníferas nos topos das montanhas. Cada tipo de floresta tem o tipo de árvores que estão melhor adaptadas ao clima local. Existem três grandes tipos de florestas no mundo: Boreal, Temperada e Tropical.

A distribuição da vegetação é controlada por diversos factores (clima regional, topografia, rocha mãe, tempo e organismos). Contudo, à escala dos biomas, os padrões climáticos globais são os factores primários que determinam a estrutura e distribuição da vegetação. Os elementos do clima que exercem forte controlo sobre a vegetação são, a temperatura, a precipitação, a humidade, a radiação solar e o vento. Cada um destes, afecta a fisionomia da planta directamente (através de efeitos na fotossíntese e respiração) ou indirectamente (através de efeitos na disponibilidade de nutrientes, via decomposição e desenvolvimento do solo).

A seca é um factor crucial, na sobrevivência e crescimento das árvores, especialmente, em áreas com estação seca. Em décadas recentes, o declínio de várias espécies de árvores florestais, foi atribuído a secas recorrentes. Uma melhor adaptação das árvores florestais, é importante, tanto para melhorar o crescimento, como por causa do perigo de mudanças climáticas (é provável que as comunidades vegetais tenham que – como resultado de maiores temperaturas – enfrentar condições mais severas de seca no futuro).

A maior parte das plantas, e em particular as árvores, visto que têm uma grande longevidade, estão expostas à seca durante toda a sua vida. De maneira a minimizar o impacto, e durante uma seca severa, as plantas têm que ter mecanismos específicos para lidar com a seca.

A capacidade global de uma árvore para sobreviver à seca, depende de várias características morfológicas, fisiológicas e fenológicas. Os mecanismos são categorizados aqui, mas deve salientar-se, que estas categorias não são mutuamente exclusivas e que a interacção de muitos factores, resulta na capacidade global de lidar com a seca. Os mecanismos estratégicos incluem:

  • Evitar a seca – o ciclo de vida activo ocorre, quando há água disponível;
  • Tolerância à seca – crescimento tem lugar, quando a seca pode ser esperada (a maior parte das árvores);
  • Adiamento da dessecação – mecanismos que abrandam a perda de água ou aumentam a absorção (a maior parte das árvores);
  • Tolerância à dessecação – capacidade para aguentar a perda de água e recuperar, quando há de novo água disponível.

O CO2 afecta a sensibilidade das árvores à seca. Um aumento do teor de CO2 na atmosfera reduz a abertura dos estomas, orifícios que se encontram na superfície das folhas pelos quais as plantas absorvem CO2 e libertam vapor de água. Este efeito varia muito de uma espécie para outra. Em certas espécies, como o carvalho, a redução da abertura estomatal é considerável, reduzindo assim a árvore a perda de água através da respiração pelas folhas, o que reduzir, assim, a sensibilidade à seca. Em outras espécies, tais como o pinheiro marítimo ou as faias, esta “anti-transpiração”, ocorre em menor grau ou nem ocorre de todo.

Destruição da floresta pelo fogo. No Globo, em cada ano que passa, são consumidos pelo fogo milhões de hectares de floresta, resultando num gasto de biliões de dólares com a extinção dos incêndios, além de causarem um tremendo dano ao Ambiente. Os impactos ecológicos e ambientais dos fogos florestais, manifestam-se na degradação da qualidade da vegetação, perda de biodiversidade, danos à saúde dos ecossistemas florestais, perda de habitats selvagens, poluição do ar, dos rios e estuários e num retrocesso ecológico geral. Os fogos florestais contribuem para as mudanças climáticas e aquecimento globais. A queima de biomassa destrói igualmente, um importante “sumidouro” de carbono atmosférico. Logo o fogo é um factor que reduz os bosques e acelera a deterioração do solo, aumentando assim o risco de desertificação.

Em média, somente 8-10% do calor gerado, durante um fogo florestal, é irradiado para baixo, para o chão da floresta (Wells et al. 1979, DeBano et al. 1976, Raison et al. 1986, Steward 1989, Hungerford 1989). No entanto, este calor é responsável por todas as mudanças directas nas propriedades químicas e físicas do solo, causadas por fogos florestais. A matéria orgânica é destrutivamente, destilada em hidrocarbonetos entre 175 ºC e 315 ºC (DeBano 1976). Os hidrocarbonetos são vaporizados a 300 ºC e deslocam-se para baixo, precipitando-se em torno das partículas do solo, na interface onde as temperaturas do solo estão mais baixas (mais frias). Esta camada oleosa é repelente à água, abrandando a infiltração. Este repelente, pode durar de semanas a alguns anos (Baker 1989, DeBano 1979). A escorrência superficial nestas áreas pode desencadear erosão em pequenos canais (rills) ou erosão de grandes volumes de solo, induzindo assim a degradação e a actuação de processos, que consequentemente conduzem à desertificação.

Depois de fogos pouco severos, a recuperação até às condições anteriores ao fogo, pode levar tanto tempo, quanto o necessário para a vida do solo se restabelecer e a matéria orgânica à superfície se reacumular. As mudanças referidas anteriormente – especialmente a perda de matéria orgânica, sobre e sob a superfície – afectam a natureza física e química do solo, com consequências no processo de regeneração pós-fogo, bem como, a perda de água e perda de solo, devido à erosão depois do fogo. Na sequência de um fogo severo, o aumento da escorrência superficial, durante as tempestades intensifica o potencial para que se verifique erosão da superfície e deslizamentos peliculares, especialmente, em locais onde as raízes ou outras estruturas orgânicas, que seguram o material solto nas vertentes, tenham sido consumidas ou mortos (Bitterroot National Forest 2000). Incêndios grandes e severos, colocam maiores riscos de erosão, até que o coberto vegetal se desenvolva e a manta morta se comece a acumular. Em vertentes, que depois do fogo, apresentam poucos detritos e pouca vegetação protectora, o solo pode ser erodido até sem chuvas intensas, devido, simplesmente à força da gravidade.

Produtividade da floresta. Manter a saúde e produtividade dos ecossistemas florestais é um pré-requesito importante, para uma administração correcta e para o desenvolvimento sustentável das terras florestais. A lenta produtividade das florestas significa reduzidas quantidades de biomassa, e consequentemente uma cobertura florestal menos resistente e mais propensa a transformações irreversíveis. As florestas têm estado, e continuam a estar, expostas a um largo conjunto de pressões naturais ou induzidas pelo Homem. Pressões naturais englobam, extremos climáticos, insectos e patogénicos florestais e eventos catastróficos. Pressões induzidas pelo Homem incluem actividades como, mudanças de uso do solo; práticas de exploração de madeira inapropriada ou não sustentáveis; construção de estradas, o que reduz a capacidade do local para continuar como terra produtiva florestal; introdução de espécies exóticas e poluição do ar.

Condições ecológicas alteradas pelas actividades humanas ou mudanças climáticas, podem aumentar a susceptibilidade das florestas a pressões naturais tais como, secas, mudanças no nível freático, epidemias de pragas e fogos. A interacção entre pressões naturais e humanas, podem acelerar a deterioração da saúde da floresta. A proximidade de aglomerados e estruturas a terra florestada cria desafios de gestão, incluindo os relacionados com o fogo. Problemas de saúde da floresta, que reduzem a resiliência das florestas ou que reduzem a capacidade das florestas para suportar as necessidades das pessoas e sociedades, devem ser equacionados como assuntos estratégicos na gestão florestal.

A crescente importância das florestas torna os esforços, em relação à saúde das florestas mais urgentes e críticos, do que alguma vez foram. Mas para as florestas desempenharem as suas funções ambientais vitais, e para alcançarem o seu enorme potencial de produtividade, têm que ser geridas. Medidas de silvicultura devem ser tomadas para melhorar a saúde dos povoamentos florestais, de forma a estimular a sua produção, evitando as causas de pouca saúde e prevenindo contra a acção de organismos secundários. A manutenção da diversidade de espécies e tipos de povoamento é, igualmente importante, para um combate eficaz contra as ameaças bióticas. Tecnologias adequadas de gestão, devem ser utilizadas mais amplamente, como primeiro passo para a passagem de uma mera exploração de madeira, para um uso florestal sustentado. Embora existam muitas questões não respondidas, acerca de sistemas silvícolas verdadeiramente sustentáveis, para florestas, existem muitas práticas bem conhecidas, que podem ser empregues mais amplamente e que poderiam melhorar a gestão da floresta e reduzir a sua degradação, bem como a sua susceptibilidade à desflorestação.

Uma avaliação recente do sector florestal, permitiu uma visão geral das falhas e prioridades para a promoção de um desenvolvimento e gestão florestal sustentáveis. Foram salientadas as seguintes orientações: promoção de objectivos multifuncionais; reforço dos laços entre estratégias a curto e longo prazo; monitorização baseada em critérios e indicadores; promoção e motivação dos proprietários florestais, empresas florestais e marketing florestal; melhoramento da administração pública; apoio à diversificação das actividades das empresas florestais; reforço da pesquisa, formação e comunicação (EOFM, 2000).

A gestão florestal sustentável envolve o realce dos vários aspectos funcionais da floresta tais como, a conservação da biodiversidade, conservação do solo e recursos hídricos, contribuição para o ciclo global do carbono, e a produção de madeira.

O impacto do pastoreio. Os animais domésticos reduzem a regeneração, através do sobrepastoreio, procura de rebentos e pisoteio. Nas cadeias alimentares terrestres os grandes vertebrados herbívoros são um importante agente estruturador, pelo impacto que têm na diversidade de plantas e no valor nutricional das mesmas. Em sistemas de baixa produtividade, o pastoreio por grandes vertebrados, mesmo que racional, pode mudar as relações inter-planta, ex. competição inter-específica pela luz e nutrientes, e perturbar importantes processos ecológicos tais como o ciclo de nutrientes solo-planta. O pastoreio e a procura de rebentos têm, portanto, o potencial para modificar a biodiversidade. Em sistemas mais produtivos, o pastoreio pode aumentar a riqueza de espécies, ao remover competidores fortes, dando assim espaço para o crescimento de espécies menos competitivas. Em contraste, em sistemas de baixa produtividade, tais como em muitas áreas alpinas e na tundra árctica, o pastoreio intensivo, pode reduzir a riqueza de espécies de plantas e a diversidade de espécies. O impacto ecológico do pastoreio de ungulados não é, somente, determinado pela produtividade do sistema, mas também pelo tipo de animal que pasta, e pela história de pastagem.

O sobrepastoreio é frequentemente culpado pela desertificação em todo o mundo, o que é em parte verdade e em parte falso, dependendo da situação. Depende certamente, da intensidade de sobrepastoreio (leve, pesada, muito pesada ou destrutiva) e também na duração do sobrepastoreio, que pode ser medido em meses, anos, décadas ou até séculos. À parte das secas prolongadas, encabeçamentos aceitáveis e fixos causarão danos temporários, em alguns anos devido às flutuações de capacidade das pastagens. O dano à vegetação, se existir, é geralmente reparado por processos naturais. O encabeçamento e os sistemas de maneio, que resultam em pastoreio destrutivo continuado, são a maior causa de desertificação, nas áreas de pastagens naturais. O processo de desertificação é acelerado, quando estas práticas são mantidas durante a seca e certas estações, em que as plantas estão altamente vulneráveis ao abuso. Embora demore bastante tempo, isto resultará eventualmente, na desertificação das terras de pastagem. Pastoreio destrutivo, também causa pouco desempenho do gado e muitos proprietários privados aprenderam esta lição. Não é, portanto, tão comum em terra privada, como o é em terras públicas ou comunais, onde falta poder central.

Papel da gestão florestal. O papel da gestão florestal é manter uma melhoria apropriada dos recursos florestais e o encorajamento das funções produtivas das florestas (madeira e não-madeira). As práticas de gestão florestal, salvaguardam a quantidade e qualidade dos recursos florestais no médio e longo prazo, equilibrando o corte e as taxas de crescimento e promovendo técnicas que minimizam, directamente ou indirectamente, os danos aos recursos da floresta, solo ou água. Medidas silvícolas apropriadas, mantêm o stock crescente dos recursos ao – ou próximo do – nível que é economicamente, ecologicamente e socialmente desejável. As práticas de gestão florestal fazem o melhor uso das estruturas e processos naturais, e usam medidas biológicas preventivas, onde e até onde, for economicamente exequível para manter e melhorar a saúde e vitalidade das florestas. Espécies genéticas adequadas e diversidade estrutural devem ser encorajadas e/ou mantidas, para realçar a estabilidade, vitalidade e capacidade de resistência da floresta a factores ambientais adversos, bem como, de maneira a fortalecer os mecanismos de regulação natural.

As práticas de gestão florestal promovem a diversidade das estruturas, tanto horizontal como vertical, tais como povoamentos de idades desiguais e a diversidade de espécies, como nos povoamentos mistos. Onde for apropriado, as práticas devem também apontar para a manutenção e restauro da diversidade da paisagem. Operações de corte e manutenção devem ser conduzidas de maneira a que não cause danos duradouros aos ecossistemas. Quando possível, devem ser tomadas medidas práticas para melhorar ou manter a diversidade biológica.

O principal objectivo da gestão florestal é:

  • Manter ou aumentar a área de floresta ou outra área arborizada, realçando a qualidade dos valores económicos, ecológicos, culturais e sociais dos recursos florestais, incluindo o solo e a água;
  • Manter e aumentar a saúde e vitalidade dos ecossistemas florestais e reabilitar ecossistemas florestais degradados, por meios silviculturais onde isto for possível;
  • Manter e realçar as funções protectoras da floresta perante a sociedade, tal como a protecção de infra-estrutura, protecção da erosão do solo, protecção dos recursos hídricos e protecção de impactos negativos da água tais como cheias e avalanches;
  • Respeitar as funções múltiplas que as florestas desempenham para a sociedade, tendo o devido respeito, para com o papel da floresta no desenvolvimento rural.

O que passa num mundo mais vasto. A desflorestação é o produto da interacção de muitas forças, ambientais, sociais, económicas, culturais e políticas, em actuação numa dada região. Na maioria dos casos, a desflorestação é um processo que envolve a competição por recursos escassos entre diferentes utilizadores do solo, um processo agravado por políticas contraproducentes e instituições fracas. Cria riqueza para alguns, causa dificuldades para outros, e quase sempre trás sérias consequências para o Ambiente. A desflorestação é um importante contribuinte para o aquecimento global, mas a sua contribuição relativamente, a outros factores não é conhecida com exactidão. A principal causa do aquecimento global são as descargas excessivas, de gases com efeito de estufa, realizadas pelos países industrializados, sobretudo durante a queima de combustíveis fósseis. Pensa-se que há a adicionar 2 000 milhões de toneladas ou cerca de 25% das emissões totais de dióxido de carbono, em consequência da desflorestação e fogos florestais (WCFSD, 1997). Á escala regional, a desflorestação perturba os padrões climáticos normais, criando um clima mais quente e mais seco.

Com base nas mais recentes estimativas dos ritmos de desflorestação, e assumindo que 75% das perdas de floresta são atribuíveis à expansão da agricultura, estima-se que durante os próximos 25 anos o sector agrícola vai requerer mais de 250 a 300 milhões de hectares de terra nova para acomodar as exigências da agricultura comercial, agricultura de subsistência, desenvolvimento de pastagens e prados. A maior parte deste aumento de terra será feito à custa de florestas tropicais. O sector agrícola tem que ser desafiado a encontrar soluções apropriadas.

Qualquer esforço para combater a desertificação tem que se basear numa completa compreensão, de quais são os agentes de desflorestação e quais são as causas directas e subjacentes a este processo. Embora se vá continuar a perda floresta, por décadas, é da maior importância, que a luta contra a desflorestação seja feita, da forma mais racional possível. Através do melhoramento da protecção e gestão das florestas restantes, através de programas de desenvolvimento socio-económico bem orientados, e de reformas políticas e institucionais; a desflorestação pode ser controlada (http://www.rcfa-cfan.org/english/issues.12-9.html).

Impacto da população humana. O rápido crescimento da população e das sociedades, bem como a crescente procura de elevados padrões de vida, teve como consequência um aumento da exploração dos recursos naturais da Terra, o que por sua vez levou à rápida destruição da paisagem. É evidente, que através da história, a humanidade, exerceu uma pressão acrescida sobre a terra, começando com o uso do fogo pelo Homem pré-histórico no Paleolítico, queimando acidental ou intencionalmente grandes áreas de floresta para localizar povoados ou para a agricultura (Pickering and Owen, 1997). O impacto humano na terra incluindo a remoção da vegetação, para infra-estruturas, urbanização, albufeiras, extracção de minério, agricultura e turismo levou a uma série de problemas incluindo: alterações climáticas globais, desertificação, falta de alimentos, competição por terra e espaço e mais significativamente a perda de biodiversidade. A intensificação agrícola, no decorrer do século vinte, trouxe maior pressão de pastoreio e a domesticação de animais, e ambas levaram a remoção de vegetação, significando a exposição da camada superficiais do solo ao vento e chuva. A erosão do solo tornou-se uma questão importante, pois causa a lixiviação dos nutrientes, a possibilidade de desastres naturais durante períodos de chuva intensa, ou até desertificação (World Resource Institute, 2002). A domesticação dos animais tem vários efeitos, especialmente, quando os animais não são nativos da área de introdução. As actividades humanas, tais como a limpeza deliberada de terra para a obtenção de recursos e construção, trouxeram igualmente, problemas globais de desflorestação.

Ilustração da relação directa entre crescimento da população humana e redução do coberto florestal.

Tal como a desflorestação, a desertificação é piorada por uma população em expansão (http://www.munfw.org/archive/45th/csd1.htm). A desflorestação é devida às decisões do Homem em expandir o cultivo e a criação de gado, para responder a uma procura crescente de terra, forçada por uma população, sempre em crescimento. A degradação e perda da floresta resultante da expansão espontânea das actividades das pessoas, para terras florestais, são manifestamente difíceis de quantificar. A crise de produtividade da agricultura tradicional e consequente abandono de vastas áreas, uso excessivo de água e concentração de actividades económicas nas zonas costeiras, novas áreas urbanas, turismo intensivo e agricultura, acarretam contribuições negativas ao processo de desertificação. A destruição de floresta para responder à necessidade de terra agrícola produtiva para uma população em constantemente crescimento é talvez, a maior ameaça de desflorestação, nos países desenvolvidos. A crescente pressão da população por alimento e espaço, está a empurrar alguma da flora e fauna remanescente, especializada e sensível, dos países pobres, para a extinção local. A exploração dos recursos florestais do mundo, afim de responder às necessidades básicas da sua população, por produtos menores e maiores, é igualmente, um dos principais factores, que contribui para a degradação e destruição da floresta. Mais sério, é a troca de concessões de terra virgem por moeda estrangeira, em alguns países tropicais.

Desflorestação e uma mudança no risco de erosão. A desflorestação em áreas montanhosas conduz muitas vezes a uma diminuição da infiltração da água no solo e consequentemente, a maior escoamento e picos de descarga superiores, na sequência de eventos de precipitação, bem como diminuição do escoamento durante as estações secas. Mais importante ainda, resulta num aumento da erosão do solo, e consequente formação de barrancos e ravinas, risco de cheias, assoreamento de albufeiras e esquemas de irrigação. Por exemplo, a desflorestação nos Himalaias tem sido associada, com a duplicação da largura de torrentes, desde 1990 – e a um custo a jusante de mais de 1 bilião de USD (Government of India, 1983). A reflorestação de áreas desnudadas de montanha, podia reduzir o pico de cheia; diminuir o risco de inundações; conservar os solos e evitar o assoreamento, bem como a formação de ravinas e os deslizamentos. Em trabalho experimental, foram encontradas mais de quinhentas diferenças de elevada amplitude, nas taxas de erosão entre floresta e áreas cultivadas (Maass et al., 1988). A presença de detritos florestais é de importante primordial, para facilitar a infiltração e prevenir o movimento de solo e sedimentos por acção da escorrência superficial. Espera-se geralmente, que as florestas usem mais água (a soma da transpiração e evaporação da água interceptada pela copa das árvores) do que as culturas, erva ou vegetação natural, de ciclo curto. Este efeito, pode estar relacionado com a maior perda por intercepção – especialmente, se as copas das árvores estão molhadas, durante grande parte do ano (Calder, 1990) – ou, em regiões mais secas, com o maior sistema de raízes das árvores, que permite a extracção de água e o uso durante estações secas prolongadas.

5 Topo


g Exemplos de desflorestação em áreas Mediterrâneas

g Baixo Alentejo Interior, Mértola, Portugal


Autores: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>

As descrições deixadas por cronistas e viajantes, ao longo dos séculos, revelam que o concelho e Mértola se encontrava coberto por extensas áreas de mato, onde se podia observar igualmente uma floresta aberta, onde predominavam espécies como a azinheira e o sobreiro.

Madeira para fazer carvão, Mértola (fotos de Maria Roxo e Pedro Casimiro)

 A leitura de documentos históricos permitem saber que se registaram varias fases de desflorestação. Uma das mais importantes ocorreu no século XVII, com as arroteias para o cultivo de cereais, devido ao facto da população do concelho ter aumentado e haver necessidade de alimentar um maior número de pessoas. Este aumento de população resultou da fuga dos judeus, que eram perseguidos pela Inquisição em Espanha, e que se fixaram nas áreas fronteiriças.

Outro momento de intensa destruição do coberto vegetal verificou-se, com a laboração da Mina de S. Domingos, sendo utilizada a vegetação arbórea e arbustiva para a produção de carvão vegetal. Situação idêntica ocorreu durante as duas Guerras Mundiais, em que devido à falta de combustíveis, a produção de carvão vegetal era essencial, tendo havido uma destruição importante da vegetação natural.

Limpeza de matos, Mértola (foto de Maria Roxo e Pedro Casimiro)

Actualmente o mais habitual é a destruição da vegetação arbustiva, para a cultura de cereais e a instalação de pastagens. É importante referir que o corte da vegetação arbórea (azinheiras e sobreiros) é proibido por lei.

5 Topo

g Espanha
Autores: Jorge García Gómez <jorgegg@um.es>, Francisco López Bermúdez <lopber@um.es>

Na região de Múrcia 45% da terra é floresta. Corresponde a uma área de 509 000 ha, com cerca de 300 000 ha da área de floresta com árvores (190.000 ha de Pinus halepensis) e cerca de 200.000 ha da área de floresta, apenas com arbustos (maquis mediterâneo).

Desflorestação, Vertente (foto de F. López Bermúdez)

Outra ilustração de uma área desflorestada na bacia do Guadalentin (foto de F. López Bermúdez)

Os processos de desflorestação nesta área resultam principalmente dos incêndios e da permissão de alterar os usos de agrícola para urbano. Os fogos tornaram-se frequentes nos últimos cinquenta anos nas florestas onde predominavam pinheiros. Os pinhais não são a evolução natural da floresta nestas áreas. Foram introduzidos, como uma escolha nos programas de reflorestação, pois os pinheiros crescem mais rapidamente que a floresta “natural” e as árvores podem ser usadas para madeira. O problema com as florestas de pinheiros é a baixa biodiversidade e a recorrência de incêndios. Hoje em dia, nas actividades florestais, é preferível um maquis misto Mediterrâneo (algumas vezes misturada com o Quercus ilex), mas em muitos casos, os pinheiros ainda são usados.

A limpeza da terra florestal afim de ser transformada em usos agrícolas ocorreu em dois períodos diferentes. O primeiro período foi quando a floresta foi limpa para cultivar cereais, amendoeiras e pastagens para o gado. Esta era a principal fonte de rendimento, em algumas áreas de agricultura de sequeiro e em áreas montanhosas, e começou no século dezanove acabando nos anos 1950 e 1960. O processo parou gradualmente, quando a agricultura de sequeiro se tornou menos lucrativa e se iniciou a migração a partir das áreas rurais. O segundo período é mais recente, e resulta da conversão da terra não cultivada em irrigada fundamentalmente, mas também alguma agricultura de sequeiro. Começou nos fins dos anos 1970s e, embora seja, actualmente um processo mais marginal, ainda não parou. As razões são as seguintes:

  • A disponibilidade de novos recursos hídricos. A água é transferida do Tejo para o rio Segura e a água subterrânea tem sido crescentemente extraída, resultando frequentemente em sobre-exploração.
  • A disponibilidade de novas técnicas agrícolas. As condições do solo para as culturas estão a tornar-se cada vez menos importantes, pois a tecnologia pode ultrapassar a maioria das limitações de solo.
  • A entrada de Espanha na UE em 1986. Afectou actividades tanto de regadio como da agricultura de sequeiro. A alta rentabilidade de agricultura de regadio encorajou as exportações para países da UE, e os novos subsídios disponíveis para culturas de agricultura de sequeiro (amendoeira, oliveiras, vinhas) tornou o cultivo de novas áreas lucrativo.
  • O baixo valor de áreas florestais e o baixo nível de protecção, tornou possível alterar os usos da terra de florestal para outras actividades.
  • Crescimento urbano. O desenvolvimento de áreas naturais para o turismo e a maior pressão de emigrantes vindos de outros pises da UE para viver na área, (especialmente pessoas reformadas, pois apreciam os baixos preços e a qualidade de vida), a urbanizava em áreas naturais cresceu.

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g Bacia do Agri, Itália


Autor: Agostino Ferrara <ferrara@unibas.it>

O vale do Agri é uma das maiores bacias hidrográficas da Região da Basilicata no Sul de Itália. Segue uma direcção NO-SE, estendendo-se desde o sector oriental da cadeia dos apeninos lucanianos até ao mar Jónico (Ferrara et al., 1996). A bacia do Agri está subdividida em três subáreas homogéneas (vale superior, médio e baixo). Estas áreas foram identificadas pelas suas características físico-ambientais, bem como pelas suas características socio-económicas e demográficas. A divisão foi também confirmada pelo padrão de empreendimentos humanos e uso do solo.

Imagem de satélite Landsat, da bacia do Agri (as áreas mais escuras indicam vegetação densa e as áreas brancas são praticamente solo a nu ou rocha)

A parte superior da bacia do Agri é caracterizada, por muitas vertentes e socalcos cultivados. Está bem provida de bosques e de vegetação, que impede e reduz o risco de erosão. Portanto, os deslizamentos são bastante localizados e limitados (ex. a municipalidade de Montemurro). A agricultura é caracterizada por culturas especiais, tais como pomares de fruta e milho.

A erosão hídrica, com ravinas e badlands, é particularmente evidente na bacia média do Agri, onde predominam os flysch e arenitos. Este fenómeno, contudo, é devido não só à natureza do solo, que é composto de argila e margas, mas também à desflorestação, que tem desempenhado um papel importante ao longo do último século. A instabilidade da litologia é particularmente evidente, durante curtos períodos de chuva de forte intensidade. Os montes estão cobertos com pastos, matas e vinhas, enquanto os olivais se encontram nas partes baixas.

A chave para compreender as mudanças de uso do solo, pode ser dada pela análise das intervenções levadas a cabo no território, nos últimos 60 anos. Os anos 50, do século passado, foram caracterizados pelas primeiras iniciativas de intervenção especial, para o Sul de Itália, alcançadas através do CASMEZ (Corpo Económico Nacional para a promoção de um vasto programa de trabalhos público no “Mezzogiorno” de Itália). Foi considerado necessário “colonizar as regiões do Sul, através de meios de transformação da terra, com a realização de trabalhos públicos, reaproveitamento de terras, irrigação, e protecção, com vista a reduzir a instabilidade hidro-geológica”. Neste aspecto, um dos pontos fortes da actividade do CASMEZ, durante esses anos foi, a silvicultura florestal, com a finalidade de alcançar a protecção do solo e água e a reflorestação, favorecendo também o emprego.

(a) Índice de floresta vs. Mudança da população (1973-86) e (b) Índice de floresta vs. altitude (dados relativos a 1986)

Até aos anos 60 esta política garantiu “uma gestão da terra sustentável e equilibrada”, que agregou forças, tendo alcançado um significante projecto de desenvolvimento. Contudo, o reaproveitamento da terra e a sua transformação, nem sempre foram positivas. Em alguns casos, tais como em Policoro (baixo Agri), a intensidade desse reaproveitamento, em associação com o desenvolvimento das planícies costeiras, coincidiu com uma excessiva desflorestação dessas áreas, para conversão, em tal forma que hoje apenas subsistem 500 ha de floresta (o bosque Pântano Sottano, é a última floresta natural das terras baixas, que resta no Sul de Itália ao nível do mar, incluída nos locais Natura 2000). Em termos de desflorestação, na parte superior e média do vale, onde o coberto florestal é já menos disperso, e as condições climáticas menos favoráveis, enfrenta-se uma lenta e contínua redução da sua extensão. A floresta está a ser substituída por terras agrícolas e está portanto, a ficar limitada a uma área e papel marginal.

Parâmetros

Vale Superior

Vale Médio

Baixo Vale

Total

Florestas altas de coníferas

3100

1700

2000

6800

Floresta alta de folhas largas

3800

7600

400

11800

Florestas altas mistas

700

1500

100

2300

Total florestas altas

7600

10800

2500

20900

Total matas

7300

5600

400

13300

Total florestas

14900

16400

2900

34200

Índice de floresta, % floresta em relação ao total da área

25

18

13

20

Variação do índice de floresta 1973 - 1986, %

+13

+3

+5

+7

Superfície destruída por fogos (média 1993-94)

232

642

87

961

Os dados referem-se à bacia hidrográfica do Agri, resultantes do processamento de dados MiPAF (Ministero delle Politiche Agricole e Forestali) 1973, 1986, 1993, 1994. Dados arredondados a 100 hectares.

A principal causa de desflorestação e degradação da floresta na bacia do Agri, são os fogos florestais. Os fogos, em termos tanto de frequência, de ocorrência, como de extensão, são um sério problema neste ambiente, já por si, sujeito a fenómenos de degradação e desertificação. Para dar apenas, alguma informação acerca da dimensão dos fogos ocorridos na bacia do Agri, no período 1990-1995, refira-se que, cerca de 1327 hectares de floresta, sobretudo, representada por povoamentos altos de folha larga, foram afectados por 304 fogos. Isto significa 3.88% do total de área florestada do vale, e 13,41% do total do número de fogos, registados na região. Os fogos na bacia do Agri seguem um padrão simples, que se pode encontrar em muitas regiões Mediterrâneas, que é o de especificamente, o maior número de fogos se verificar nas áreas com o menor índice de floresta. Na bacia do Agri o fogo ocorre, sobretudo, em áreas com índices de florestação até 20%, correspondendo aparentemente, às áreas dominadas por bosques, i.e. áreas florestais de relativamente baixa produtividade.

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g Lesvos, Grécia
Autor: Constantinos Kosmas <lsos2kok@aua.gr>

A ilha de Lesvos, localizada no mar Egeu e cobrindo cerca de 163,429 hectares, pode ser usado como o exemplo típico para analisar a evolução do uso do solo e as mudanças ambientais que ocorreram nos últimos cinco mil anos na região Mediterrânea. A ilha tem uma longa história documentada, mas os primeiros traços de mudança perdem-se no passado, ou estão escondidos atrás de mitos. Os primeiros documentos escritos referentes a Lesvos provam que a ilha estava coberta por densas florestas, mas ao fim de cerca de 4000 anos de pressão humana sobre a terra, verificou-se uma séria degradação dos recursos naturais, e em alguns lugares houve uma acentuada desertificação.

Área desflorestada, muito degradada devido a má gestão, ilha de Lesvos (foto de C. Kosmas)

Lesvos estava completamente coberta com florestas densas no período pré-histórico. Isto também é revelado pelo primeiro nome da ilha, “Lasia”, que significa “lugar cheio de florestas densas”. Lesvos foi, provavelmente, ocupado pelas espécies vegetais que existem hoje, mas a sua distribuição pela ilha era diferente. No período antigo, os pinheiros ocupavam a área central e sudoeste da ilha, com Quercus na parte Noroeste e Sul (Tsimis et al, 1996).

A informação sobre a vegetação, obtida dos poemas de Sapporo (612 AC), ilustra que os Quercus estavam espalhados em torno da área de Eressos, na parte ocidental da ilha. Alkeos (630 AC) queixava-se nos seus poemas, do longo período que estivera exilado na densa floresta, na área de Messa (parte Sudoeste da ilha), que se encontrava cheia de animais tais como lobos. Hoje esta área está muito degradada, e tem apenas algumas reminiscências das florestas.

Durante o período Romano as principais actividades agrícolas estavam baseadas na agricultura e comércio. A elevada procura de produtos agrícolas, por uma população crescente, causou excesso de cultivo e sobrepastoreio da terra. Tiveram lugar, durante este período extensas arroteias da floresta, e a madeira utilizada como combustível e para a construção de barcos. A análise de documentos históricos revela, que as montanhas estavam ainda cobertas de densas florestas, cheias de animais selvagens. As pastagens foram estendidas às áreas montanhosas, e as casas rodeadas de vinhas e pomares. As pastagens existiam, sobretudo, na parte ocidental da ilha, depois do derrube das florestas de Quercus e pinheiros. Os olivais apareciam essencialmente, nas terras baixas ou em áreas de declives suaves na parte oriental da ilha.

Durante o período Bizantino (século 2 ao século 15 AC), a economia da ilha dependia amplamente da agricultura, resultando em mudanças significativas, nos tipos de uso do solo e numa grande exploração dos recursos naturais. As pastagens aumentaram significativamente, à custa (fundamentalmente) das florestas de Quercus e pinheiros. As florestas de Quercus diminuíram, dramaticamente, em virtude da expansão do cereal e produção de erva para a criação de gado. Os olivais estavam muito difundidos, substituindo sobretudo pinhais. A vinha também se expandiu produzindo vinho famoso, e com elevada reputação no império Bizantino.

Resumindo as descrições dos viajantes, para o período do século 15 ao século 19 AC, as pastagens aumentaram, enquanto os pinhais foram reduzidos para satisfazer as necessidades da criação de gado, ou necessidades ligadas à construção de barcos. A floresta de pinheiros localizada na parte Ocidental da ilha, foi transformada em floresta mista e zona de pastagem, enquanto a floresta de pinheiros a oriente diminuiu, devido à expansão dos olivais. Na parte Norte, a criação de gado era uma importante actividade económica e as pastagens aumentavam por remoção das florestas de Quercus.

Os olivais foram, significativamente, difundidos na parte oriental e ocidental da ilha, sobretudo, em detrimento de florestas de pinheiros e pastagens. Os habitantes costumavam fazer enxertias nas árvores de oliveira bravas (zambujeiros), que se encontravam nas florestas de pinheiros e, gradualmente, a cintura de olival da ilha foi-se desenvolvendo.

Uma análise comparativa da evolução do uso do solo, desde o período antigo até ao século 19 mostra que, houve mudanças dramáticas no uso do solo ocorridas, durante este período. No período antigo a terra florestada e as pastagens cobriam respectivamente 50% e 23% da área, enquanto a terra agrícola se restringia a cerca de um quarto da área (22%). Por contraste, a terra florestada, decresceu grandemente para menos de metade (23,9%), enquanto as pastagens aumentaram de 23% para 37.2% em 1886. Claro que as pastagens aumentaram na ilha, substituindo a terra agrícola de baixo rendimento.

A grande mudança na terra agrícola ocorreu principalmente na área ocupada por olivais. Esta área aumentou de 2% no período antigo para 26.9% em 1886. Os olivais expandiram-se sobretudo, através do arroteamento de florestas de Quercus e pinheiros.

Mudanças na área ocupada por florestas entre 1886 e 1996 (Marathianou et al., 2000)

Tal como nos períodos anteriores, foram observadas grandes mudanças de uso do solo na ilha durante o último século (Kosmas et al., 2000). Os olivais expandiram-se, passando de 26.9% para 41.2% da área total. Adicionalmente, as florestas de Quercus de folha caduca expandiram-se, significativamente, de 2.2% para 7.1% da área, devido à produção de óleo usado na indústria de couro da ilha. A área total ocupada por florestas de pinheiros permanece quase inalterada, embora a distribuição geográfica tenha mudado. Os pinhais substituíram as florestas de Quercus, ou pastagens, devido à sua maior capacidade para recuperar depois do fogo. A sua expansão foi influenciada pela profundidade do solo e rocha mãe. O aumento da área ocupada com olivais, Quercus e pinheiros, foi parcialmente compensado, pela redução de áreas de pastagem (área que diminuiu de 37.2% para 22.6%).

Floresta típica de Quercus, ilha de Lesvos (foto de C. Kosmas)

Floresta típica de pinheiros, ilha de Lesvos (foto de C. Kosmas)

Um dos factores mais importantes de degradação da terra na ilha de Lesvos, são os fogos florestais. Os fogos tornaram-se frequentes, nas florestas dominadas por pinheiros durante os últimos cinquenta anos. Claro que ocorreram grandes fogos no passado. A maior parte dos fogos são atribuídos à falta de cuidado das pessoas. A maioria ocorre em áreas com um elevado índice xerotérmico e deficit de humidade. A secura do solo e a velocidade do vento são os principais factores de evolução do fogo.

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g Perspectiva de como se interrelacionam os indicadores
Autores: Agostino Ferrara <ferrara@unibas.it>, Raffaella Lovreglio

Os riscos ambientais de desertificação e desflorestação, embora distintos, fornecem feedbacks mútuos e estão longe de serem independentes um do outro. Têm consequentemente, implicações e soluções semelhantes.

As florestas sempre foram cruciais para a subsistência humana, segurança alimentar, desenvolvimento económico e bem-estar. Hoje, as necessidades e exigências em relação ao ambiente florestal são mais prementes que nunca, devido ao crescimento demográfico, às preocupações ambientais e à apreciação de valores culturais e espirituais. Como ecossistema terrestre mais importante, as florestas sustêm vida, através da biodiversidade, regulação climática (mudanças climáticas), conservação do solo e água entre outras. Têm sido profundamente marcadas, pela actividade humana nos últimos milénios, particularmente, pela agricultura, urbanização e uso dos recursos naturais. Os processos de desflorestação podem portanto, ser afectados por vários factores relacionados com o ambiente físico, gestão e características socio-económicas da área.

Existem várias causas para a desflorestação. A primeira causa e a mais importante é a extracção de madeira. A madeira sempre foi o produto florestal primário para as populações humanas e com interesse industrial. Visto que a madeira é um componente estrutural importante de qualquer floresta, a sua remoção tem implicações imediatas para a saúde da floresta. Extracção intensiva, não sustentável, pode levar a uma degradação grave, da floresta, mesmo para lá da sua capacidade de recuperação. Os fogos florestais também contribuem para reduzir o coberto florestal e induzir diferentes impactos ecológicos e ambientais, tais como degradação da qualidade da vegetação, perda de biodiversidade, danos à saúde dos ecossistemas florestais, perda de habitats da vida selvagem, poluição do ar, rios, estuários e retrocesso ecológico geral.

A desflorestação tem vários efeitos devastantes. Afecta significativamente o clima, em parte, porque a floresta desempenha um papel vital no ciclo da água, reciclando a chuva de volta às nuvens, quando recebe precipitação. Como resultado, quando a terra é arroteada, as cheias e secas tornam-se problemas sérios, visto que a água da chuva atinge o solo sem a floresta para o regular, causando maior escoamento e inundações na estação húmida e falta de água na estação seca.

A queima e corte de florestas também amplificam o efeito de estufa. As áreas queimadas libertam dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, alimentando o aquecimento global. A somar a isso, o facto de, menos árvores significar uma diminuição da capacidade global das florestas para absorver CO2.

A desflorestação priva o mundo de inúmeras espécies, destruindo o capital de biodiversidade, e perdendo espécies com potenciais usos na medicina, agricultura e indústria. A biodiversidade é importante, porque contribui para a resiliência. Um mundo sem biodiversidade seria mais frágil e teria mais probabilidade de amplificar as perturbações, em catástrofes através do colapso dos ecossistemas que perderam espécies chave. Assim, a redução da biodiversidade, combinada com as alterações climáticas, tem um potencial que pode sair de controlo e ameaçar a prosperidade dos habitats humanos.

Os efeitos globais da desflorestação são a razão principal para a preocupação com processos ambientais, associados à desertificação. Entre as causas principais de degradação do solo estão: a desflorestação, sobrepastoreio, sobre cultivo, encharcamento e salinização. Se a terra vai ser desflorestada por causas naturais ou humanas, esta pode ser avaliada através de vários indicadores relacionados com a redução do coberto vegetal e degradação do solo, tais como o arroteamento de terra florestal, fogos florestais, actividade agrícola e pecuária, mudanças nas condições climáticas, etc. Vários destes indicadores estão interrelacionados e dependem das condições locais.

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g Referências

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