DIS4ME Página DIS4ME | Página DESERTLINKS | © DESERTLINKS 2004
English-EN | Español-ES | Italiano-I | Ελληνικά-GR | Portuguese-PT
Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea

 

As principais questões associadas à desertificação no Mediterrâneo

Voltar à Introdução

 

 
Degradação do ambiente físico
Autor principal: Brian Irvine B.Irvine@geography.leeds.ac.uk
Contribuições de: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>, Jorge García Gómez <jorgegg@um.es>, Giovanni Quaranta, Rosanna Salvia <quaranta@unibas.it>, Constantinos Kosmas <lsos2kok@aua.gr>



g
Descrição das razões que levam à degradação do ambiente físico e razões pelas quais são uma questão no contexto da desertificação
Autor: Brian Irvine B.Irvine@geography.leeds.ac.uk

Introdução. A degradação da terra e desertificação são processos caracterizados pela deterioração da qualidade da terra, em termos da sua capacidade de suportar, funcionalmente, um uso do solo seleccionado e a fauna e flora associadas. A desertificação pode ser considerada, como um estado extremo de degradação da terra, perdendo esta, muita da sua produtividade natural. A degradação da terra é, geralmente associada a pouca vegetação ou baixa biodiversidade. Quando o solo se torna mais sujeito à erosão a probabilidade de a vegetação voltar a crescer diminui, num ciclo de feedback positivo. Geralmente, os extremos estão associados a com tendências regionais e climáticas, que podem ameaçar grandes áreas. Algumas áreas são mais sensíveis à degradação que outras. A degradação da terra pode ser observada por algum tempo, sem que sejam tomadas medidas de mitigação, enquanto em outras áreas, acções para remediar este problema foram postas em prática para tentar aliviar alguns problemas e reduzir o risco. Os factores físicos, que conduzem a degradação da terra, variam consoante o ambiente físico muda. Áreas em risco de erosão, podem não estar afectadas por salinização, uma vez que os parâmetros climáticos e de drenagem podem variar.

Erosão do solo (Hillel 1991, F. Basso et al, 2002, C. Kosmas et al, 2002). A erosão do solo é um dos principais processos físicos de degradação da terra, e na Europa é no geral importante, tanto em custos económicos, como em área afectada. A erosão do solo é um processo natural associado a episódios chuvosos intensos e formação de ravinas, bem como a pressão do pastoreio, mas o seu ritmo tem sido muito acelerado pela actividade humana, sobretudo pelas lavouras e pressão do pastoreio. A erosão remove, progressivamente, a camada superficial do solo, a qual tem a melhor estrutura e contém a maior parte da matéria orgânica e nutrientes.

Os impactos locais da erosão do solo são, directamente a perda de material, e indirectamente a perda de nutrientes. Onde os solos já são delgados, a erosão pode levar a uma remoção irreversível do meio para o crescimento das plantas. Em outros locais, a erosão remove a parte superficial do solo, que é a mais fértil, ao conter a maior parte da matéria orgânica e nutrientes, e os agricultores passam a ter custos para corrigir o cultivo com fertilizantes adicionais. Fora do local, o material erodido, pode voltar a ser depositado, em edifícios, estradas, albufeiras ou canais de água, sendo que os nutrientes no sedimento e no escoamento superficial aumentam a eutrofização e podem levar ao desenvolvimento de algas. Os efeitos da erosão do solo, fora do local, comprovam ser mais dispendiosos e já uma ameaça à implementação das Directivas Europeias Quadro Água, sobretudo, em relação aos nitratos.

A acção para controlar a erosão requer, tanto uma avaliação, como estratégias de mitigação, e acções efectivas requerem um investimento de tempo e dinheiro consideráveis. A avaliação objectiva é necessária a larga escala, para determinar onde a erosão é mais severa e onde os recursos devem ser concentrados, para solucionar o problema e para estudos detalhados. A avaliação local é então necessária, para identificar que áreas vale a pena conservar e contabilizar os factores individuais em cada área. Estratégias para solucionar o problema, incluem mudanças de uso do solo à escala regional, identificação de áreas sensíveis para actuação a escalas locais e planeamento detalhado à escala da exploração agrícola no sentido da conservação.

Salinização (L. Postiglione 2002, A.J. Conacher and M. Sala. 1998 [1]). Em geral, quanto mais salino é um solo, mais limitada é a vegetação que suporta. A salinização do solo é a acumulação de sais naturais e artificiais no solo. Pode ocorrer de várias formas:

  • Salinização em terras secas [2]: o solo próximo da superfície pode torna-se mais salino, quando os sais são trazidos para cima em solução, em função da toalha freática que subiu. Tal ocorre, quando a vegetação natural foi destruída e o nível freático natural sobe, sob culturas aráveis, para um novo equilíbrio;
  • Salinização de irrigação: através da irrigação o nível freático é subido artificialmente, sendo a água e sais dissolvidos, rapidamente puxados para a superfície;
  • Má qualidade da água de irrigação: a qualidade da água pode ser comprometida pela gestão e carga (sal) a montante;
  • Intrusão de água do mar em aquíferos costeiros;
  • Proximidade costeira, inundações periódicas e deposição de sais levados pelo vento.

Alguma vegetação cresce melhor em solos levemente salinos, embora existam limites acima dos quais a vegetação morre. Se um solo se está a tornar, gradualmente mais salino, mas é provável, que só atinja um nível de salinidade de equilíbrio, no qual a maior parte do ecossistema persistirá, então pode-se argumentar que tal não coloca, um risco maior de degradação da terra. Contudo, se existe a probabilidade de a salinização continuar, o se não é provável que o ecossistema presente aguente, então existe um elevado risco de degradação. As áreas irrigadas são propensas à salinização, visto que os sais são mais facilmente puxados para cima a partir do nível freático superficial e pode estar, também em questão a qualidade da água de irrigação.

Fogo (A. Dalaka et al 2002, A.J. Conacher and M. Sala. 1998 [1], A.J. Conacher and M. Sala. 1998 [2]). Os fogos florestais fazem parte do ecossistema Mediterrâneo. As áreas ardidas estão sujeitas a elevados riscos de degradação da terra. Contudo, dadas as condições correctas, a regeneração ocorre. A reabilitação pós-fogo foi reconhecida como factor crucial, durante este período sensível. Grandes fogos florestais têm um efeito significativo no coberto vegetal, mas podem também mudar as propriedades do solo (físicas e químicas) reforçando a repelência da água (solos hidrofóbicos) e destruindo habitat, infra-estruturas e a vida. As actividades humanas foram identificadas como o maior gerador de desequilíbrios, que reduziu as áreas florestais e aumentou a carga de combustível e o número de fogos florestais no Mediterrâneo. O abandono da terra pode intensificar o risco de fogo.

Degradação da vegetação (A.J. Conacher and M. Sala. 1998 [1]). A degradação da vegetação é definida como, “a redução temporária ou permanente de densidade, estrutura, composição de espécies ou produtividade do coberto vegetal”. O longo período de actividade humana na bacia do Mediterrâneo limitou muitíssimo, as áreas de vegetação indígena natural. A pressão sobre a vegetação natural da região resultou de mudanças nas práticas agrícolas, fogo e criação de gado, e o feedback com perda de biodiversidade. A dinâmica da vegetação é conduzida pelas condições climáticas, condições do solo e práticas de maneio (selecção de culturas, colheitas, pastoreio e gado), sendo que a vegetação não natural, não é tão resistente a grandes variações climáticas, aos extremos climáticos e aos solos da região, que estão por si próprios ameaçados. Logo, a sobre exploração e práticas de gestão, podem originar a degradação da vegetação e tendem a aumentar o risco de degradação da terra.

Perda de produtividade – biodiversidade (L. Postiglione 2002, A. Ferrara 2002). A perda da produtividade agrícola, conduz a um coberto vegetal reduzido e/ou perda de rendimento das explorações agrícolas. Uma cobertura vegetal reduzida pode ser minimizada pela aplicação de fertilizantes. Contudo, o efeito disto, pode ser observado inicialmente, no rendimento da exploração ou no futuro, no que diz respeito à qualidade das águas superficiais. A agricultura produtiva substituiu a vegetação natural, por vegetação com menos resiliência ao stress regional climático e às condições do solo. A produção de colheitas e criação de gado pode não estar em harmonia, com os padrões existentes de desenvolvimento da vegetação, sendo assim, o coberto vegetal e a produção estão num contínuo estado de stress. A produtividade reduzida pode bem levar a práticas e mudanças de uso do solo, que sejam em si, consideradas como agentes principais de degradação ambiental, em ambientes Mediterrâneos.

Referências

  • Basso F., Pisante M. and Basso B. (2002): Soil erosion and land degradation, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 2002
  • Conacher A.J. and Sala M. (1998 [1]): The main problems of land degradation: their nature extent and severity. 1: Erosion and soil deterioration, flooding vegetation loss and degradation, in Land Degradation in Mediterranean Environments of the World: Nature and Ectent, Causes and Solution. A.J. Conacher and M. Sala (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 1998
  • Conacher A.J. and Sala M. (1998 [2]): The Causes of Land Degradation. 3: Other human actions, in Mediterranean Environments of the World: Nature and Ectent, Causes and Solution. A.J. Conacher and M. Sala (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 1998
  • Dalaka A. Papatheodorou E., Iatrou G., Mardiris T., Pantis J., Sgardelis S., Lanara Cook C., Lanaras T., Argyropoulou M., Diamantopoulos K.J. and Stamou G.P. (2002): Differing Responses of Greek Mediterranean Plant Communities to Climate and the Combination of Grazing and Fire, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 2002
  • Ferrara A., Leone V. and Taberner M. (2002): Aspects of Forestry in the Agri Environment, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 2002
  • Hillel D. (1991): Deforesting the earth, in Out of the Earth, Civilization and the Life of the Soil, D. Hillel (edited by), University of California Press, Berkeley and Los Angeles, 1991
  • Kosmas C. Danalatos N.G., Lopez-Bermudez F., Romario Diaz M.A. (2002): The Effect of Land Use on Soil Erosion and Land Degradation under Mediterranean Conditions, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 2002
  • Postiglione L. (2002): Soil salinization in the Mediterranean: Soils, Processes and Implications, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 2002
  • [1] http://www.soilerosion.net/cost634/technical_annex.html#wg3
  • [2] http://www.amonline.net.au/factsheets/salinisation.htm

5 Topo


g Exemplos de razões para degradação em áreas Mediterrâneas

g Baixo Alentejo Interior, Mértola, Portugal

Autores: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>

O estado de degradação da terra nesta área evidência uma responsabilidade mútua das características físicas e da actuação humana num processo global e intenso de destruição e esgotamento dos solos, resultante de um acentuar da eficácia do fenómeno de erosão hídrica, que tem como consequência final a perda de fertilidade dos solos e de biodiversidade.

A pressão humana sobre os recursos naturais (solo, vegetação e água), devido à agricultura, foi cada vez maior ao longo do tempo, tendo sido máxima entre o início e meados do século XX, o que se traduziu no actual elevado grau de degradação da terra.

Degradação da terra, A. dos Fernandes, Mértola (foto de Maria Roxo e Pedro Casimiro)


A fundamentar esta afirmação estão os
resultados obtidos a nível experimental no Centro Experimental de Erosão de Vale Formoso, onde durante mais de 40 anos, têm sido analisada a importância de diferentes práticas agrícolas, e de várias culturas (cereais, leguminosas, pastagens), no intensificar dos processos hídricos de erosão de solos.

No entanto, o conhecimento das características físicas da área permitiu identificar quais as condições naturais que favorecem a degradação dos solos pelo processo de erosão hídrica. São elas;    

  • Relevos, com vertentes de declives médios, entre os 10-25%, o que favorece a actuação da escorrência superficial. Densa rede hidrográfica, permite um eficaz transporte dos sedimentos.
  • Irregularidade do regime das precipitações, sendo frequente a ocorrência de chuvadas intensas (trovoadas), com elevado poder erosivo. Ausência de precipitação durante a estação quente, o que diminuí a protecção ao solo, por ausência de coberto vegetal.
  • Impermeabilidade dos xistos que incrementa a escorrência superficial pela diminuta infiltração das águas da chuva.
  • Solos pouco desenvolvidos (os mais profundos 0,20 a 0,30 metros), que em consequência da litologia são pedregosos, muito pobres em matéria orgânica, de estrutura fina, de permeabilidade moderada, com percentagens elevadas de areias finas e limos.   

Durante mais de um século assistiu-se a uma gestão incorrecta e despreocupada, incentivada por decisões políticas de cariz económico que mobilizaram a população e se traduziram pela ocupação e uso de solos não tinham aptidão agrícola.

A principal causa de colonização e arroteio dos terrenos foi o grande aumento da população, sobretudo em função da entrada em funcionamento do pólo mineiro da Mina de S. Domingos, que levou à divisão dos terrenos baldios em duas fases distintas. O resultado desta divisão foi a degradação do coberto vegetal, pelo fogo, pelas arroteias, procura e fabrico de combustíveis (lenha e carvão), e o intensificar do processo de erosão hídrica do solo pelas lavouras em solos delgados, em declives acentuados.

Degradação da terra, Picoitos, Mértola (foto de Maria Roxo e Pedro Casimiro))

O impacto da acção antrópica foi sendo cada vez mais acentuado e negativo, por via do exercício da actividade primária em larga escala, que beneficiou muito com as tecnologias trazidas pela Revolução Industrial inglesa (arados e máquinas agrícolas simples) e mais tarde pela aplicação do motor de explosão interna (tractores, maquinaria agrícola), tornando mais eficiente a mobilização de solo e permitindo uma extensificação das práticas agrícolas. Durante décadas consecutivas a actividade agrícola foi incentivada, por várias medidas políticas (leis proteccionistas do trigo, no final do século XIX, Campanha do Trigo e Campanha de Produção Agrícola), e actualmente pela Politica Agrícola Comum.

O concelho de Mértola, apresenta desta forma graves situações de degradação dos recursos naturais, e efectivas insuficiências económicas, que afectam directamente quem nela vive e se dedica actualmente a uma agricultura de sequeiro, na maioria dos casos muito abaixo de qualquer nível de racionalidade económica.

5 Topo

g Espanha
Autores: Jorge García Gómez <jorgegg@um.es>, Francisco López Bermúdez <lopber@um.es>

As condições climáticas e as actividades humanas afectaram os processos de degradação no vale do Guadalentim. Em particular, Verões quentes, Invernos moderados, baixa precipitação (<300 mm), alta insolação anual (2900h/ano), forte evaporação (900-1200 mm/ano) e uma temperatura media de 18ºC, além da inapropriada acção humana no ambiente, contribui para processos de degradação na área. Os processos principais são como se segue:

Salinização. Os processos que causam maior acumulação de sal nos solos estão relacionados com clima e a irrigação. O clima actua directamente, através de elevadas taxas de evaporação, e indirectamente como força motora, por de trás da salinização de solo associada com a irrigação. A produção potencial anual das culturas no vale do Guadalentin é limitada apenas pelo deficit de água, e este é agora ultrapassado com a irrigação. No entanto, a partir do momento em que águas de irrigação são utilizadas, a forte evaporação retira a água e acumula os sais à superfície. A acumulação de sal é causada predominantemente por irrigação, dependendo da qualidade e quantidade de água. A irrigação com água subterrânea contaminada induz a salinização do solo e conduz à sobre-exploração dos aquíferos, libertando gás e sais. O uso de águas com grande concentração de sais, ou água de centrais de tratamento, sem um terceiro tratamento, leva à degradação e à redução da capacidade de produção agrícola.

Culturas hortícolas irrigadas com visíveis acumulações de sal á superfície, Yecla (foto de F. López Bermúdez)

Os sais nos aquíferos originados do substrato Miocénico, onde sais de cloreto e sulfatos se dissolvem com os carbonatos originados com CO2, cuja presença está relacionada com a existência e mobilização de um sistema de falha tectónica activa, é uma consequência do decréscimo da pressão hidrostática no aquífero. Ao longo do tempo, a concentração de iões na água aumento, e traz um risco elevado de salinização do solo. Estudos estatísticos provam que as mudanças na salinidade da água usadas nas práticas agrícolas de irrigação, o uso de fertilizantes e sais transportados por escorrência das áreas envolventes, são factores essenciais, que conduziram á dramática redução de qualidade de solo. Os problemas do vale do Guadalentin são amplificados por ausência de água suficiente, para levar os sais acumulados, e pela dependência económica da área da agricultura. As mais altas salinidades são encontradas, nos métodos de irrigação por inundação, com o vale a revelar uma complexa distribuição espacial de salinidade de solo. Solos sob irrigação mostram uma maior concentração de iões, elevada salinidade e diferente composição iónica, do a que se encontrada em locais naturais ou não usados. Em todos os perfis de solo na planície irrigada inundada, tanto não usada como irrigada, o cálcio e sulfato são os iões dominantes. Contrariamente, os locais semi-naturais na periferia da planície, sem uso agrícola, tem uma prevalência de cálcio e carbonato e menor salinidade e concentração iónica.

O vale do Guadalentin, com a sua salinização secundaria do solo e água é um fenómeno mais recente, e um bom exemplo de uma salinização do solo resultante de irrigação. Os inputs do soluto de irrigação e chuva são muito maiores que os outputs de plantas ou do solo. Esta acumulação leva a redução no valor económico e na capacidade produtiva da terra. Portanto, como sistema, o vale do Guadalentin é instável económica e hidrologicamente, com os recursos de aquíferos e solo a serem usados a uma taxa insustentável.

Degradação do solo e da vegetação. Há algumas alternativas para a vegetação (maquis Mediterrâneo, Stipa tenacissima, etc.) nas áreas não irrigadas. Oliveiras e amendoeiras são as alternativas que os agricultores tendem a escolher. O uso da terra no sector Montante da Bacia do Guadalentín, consiste em culturas de sequeiro e amendoeiras, matos e floresta. A vegetação semi-natural e diversos sistemas de culturas, forma convertidos em monoculturas, com baixas densidades de árvores, deixando o solo desprotegido. A necessidade de que a chuva penetre em profundidade no solo, para sustentar a monocultura da amendoeira, em condições de clima semi-árido, requerer o solo solto, assim, existe solo nu entre as árvores e largas áreas de solo despido ficam expostas nas vertentes, o que resulta num elevado risco de erosão.

Erosão de solos nus, cultivados com amendoeiras (foto de F. López Bermúdez)

Uma baixa densidade de plantas, combinada com lavouras frequentes leva à vulnerabilidade dos pomares à erosão de solo, são necessárias, assim, estratégias especificas de conservação de água e de plantação como suplemento à irregular da pluviosidade. Tais medidas de conservação de solo e água, precisam de ser adaptadas á topografia e às condições de solo locais. Durante a expansão rápida das plantações de amendoeiras para as áreas marginais, perderam-se técnicas tradicionais de conservação do solo, vertentes inteiras foram remodeladas, utilizando-se maquinaria pesada e as amendoeiras plantadas de uma maneira uniforme. Vertentes muito inclinadas são abandonadas ou permanecem cobertas com mato semi-natural.

A lavoura é geralmente, pouco profunda e levada a cabo duas vezes por ano, para aumentar a capacidade de infiltração do solo, e eliminar as ervas que competem pela limitada água do solo. A profundidade de lavoura em plantações de amendoeiras  varia entre 10 e 20cm dependendo da topografia local. A lavoura frequente leva ao desenvolvimento de uma camada seca de mulch e obriga as amendoeiras a enraizarem-se mais profundamente no solo ou na rocha mãe.

A resposta à erosão é em primeiro lugar determinada pela estabilidade dos agregados do solo e pelas propriedades topográficas. Uma maior proporção de partículas finas no material erodido, indica na matriz do solo uma erosão selectiva e transporte de material mais fino. Estudos concluíram que os resíduos anuais da vegetação e as plantas previnem a formação de crostas no solo, que impedem a infiltração, e ao mesmo tempo reduzem a velocidade das inundações. O uso da terra é aqui mais importante, do que as propriedades de solo, no que respeita à erosão de solo.

Perda de produtividade. Embora a variação interanual da produção das culturas seja grande, os dados de um período de 5 anos indica, um decréscimo geral na produção de 800kg /ha em 1960s para 400kg/ha nos 1990s. Este decréscimo de produção está de acordo com os métodos de produção extensiva e com a expansão das plantações de amendoeiras para áreas marginais.

Fogo. Fogo e erosão estão relacionados de forma directa. A variabilidade da erosão está associada com a severidade do fogo. Incêndios florestais aumentaram de frequência, durante as ultimas décadas, e como consequência, terras de mato vulneráveis ao fogo expandiram-se significativamente. Em comunidades de plantas “maduras”, mesmo sob condições de tempo moderadas, podem inflamar-se com facilidade e a capacidade de gerar vários fogos, torna estas comunidades de plantas, extremamente sensíveis à erosão e aos processos de degradação da terra.

Sob condições mediterrânicas, onde vários incêndios ocorrem principalmente no Verão, e chuvas torrenciais são frequentes no Outono, são necessárias medidas de conservação, como por ex. plantar sementes herbáceas, de maneira a prevenir uma degradação irreversível do solo na primeira fase de regeneração de vegetação após o fogo.

Bibliografia

  • Cammeraat, L. H. Imeson, A. The evolution and significance of soil-vegetation patterns following land abandonment and fire in Spain. Catena 37 1999 107-127
  • Martinez-Mena, M. Castillo, V. Albaladejo, J Hydrological and erosional response to natural rainfall in a semi-arid area of south-east Spain. Hydrol. Process. 15, 557-571 (2001)
  • Pérez-Sirvent, M. J. Martínez-Sánchez, J. Vidal and A. Sánchez. The role of low-quality irrigation water in the desertification of semi-arid zones in Murcia, SE Spain, Geoderma, Volume 113, Issues 1-2, April 2003, Pages 109-125 C.
  • Romero-Díaz, A. Cammeraat, L.H., Vacca, A. Kosma, C. Soil erosion at three experimental sites in the Mediterranean. Earth Surf. Process. Landforms 24, 1243±1256 (1999)
  • Schofield, R. Thomas, D. S. G. and Kirkby M. J. Casual processes of soil salinization in Tunisia, Spain and Hungary. Land degradation & development. 12: 163-181 (2001).
  • Van Wesemael, B. Cammeraat, E., Mulligan, M. Burke, S. The impact of soil properties and topography on drought vulnerability of rainfed cropping systems in southern Spain. Agriculture, Ecosystems and Environment 94 (2003) 1-15
  • Van Wesemael B., Mulligan M. Poesen, J. Spatial patterns of soil water balance on intensively cultivated hillslopes in a semi-arid environment: the impact of rock fragments and soil thickness. Hydrological Processes Vol 14. No. 10, pp. 1811-1828

5 Topo

g Bacia do Agri, Itália

Autores: Giovanni Quaranta, Rosanna Salvia <quaranta@unibas.it>

A bacia do Agri localiza-se na região da Basilicata, Sul de Itália. Situa-se no coração dos Apeninos da Basilicata, cobrindo 1 730 quilómetros quadrados, com uma população de 94 291 habitantes. O rio Agri corre 136 km para o mar Mediterrâneo.

A degradação do ambiente físico na bacia do Agri assume diferentes formas, reflectindo as suas peculiaridades e variações nas características físicas e ambientais, bem como na dinâmica sócio-económica e do uso do solo. O vale do Agri está dividido em três sub-áreas homogéneas: Agri superior, médio e baixo.

  • O sector superior do Agri, cobre cerca de 29% do total da bacia, e é caracterizado por uma altitude média acima de 600 m, incluindo um vale de fundo plano constituído por cascalho, areia, argila e flysch, formado pelo lago Reistovene e rodeado por montanhas calcárias, formadas por terrenos calcários enrugados e quebrado e dolomites falhados. Apesar da presença de vertentes muito declivosas, o bom coberto vegetal, que cobre a área, reduziu e precaveu o risco de erosão hídrica. Os deslizamentos de terreno estão restringidos apenas a alguns lugares.
  • O médio Agri, no promontório Bradanico, começa na barragem de Pertusillo, no rio Agri e acaba na confluência com o Sauro. Cobre cerca de 47% da bacia hidrográfica. A área apresenta solos estruturados em litologia de, argila – margas e arenito e é caracterizada por elevada erosão hídrica e deslizamentos, dando origem a espectaculares ravinas e badlands, designados de “calanchi”. As “Calanchi” apresentam uma assimetria particular na forma da vertente: “as vertentes expostas a Sul são declivosas, nuas e intensamente dissecadas, enquanto as vertentes expostas a Norte têm declives mais suaves com Maquis, escorrência superficial e erosão” (F. Basso et al., 2000). Este intenso processo de degradação do solo é causado pela própria natureza do solo, pelas práticas agrícolas presentes e passadas e pela desflorestação que afectou intensamente a área.
  • A bacia do baixo Agri representa 25% da bacia. Atinge o mar e apresenta um solo estável e plano, incluindo a zona costeira fértil de Metaponto. A área esta degradada, particularmente, ao longo das margens das linhas de água, sobretudo, devido a salinização, por água subterrânea.

Estudos realizados na bacia do Agri (F. Basso et al., 2000), revelam que a perda de solo em áreas declivosas, ocorreu todos os anos, como um processo contínuo, e que atinge, ligeiramente, mais de 1 t ha-¹ ano-¹, variando entre 0.40 e 4.15 t ha-¹ ano-¹. Os dados obtidos nas parcelas experimentais, durante o período 1990-1995, mostram que a perda de solo mais significativa, corresponde a um pequeno número de eventos chuvosos. Estes eventos caracterizaram-se, por uma intensidade entre 13.2 e 52 mm h-¹ no Verão e entre 2 e 4.6 mm h-¹ no Inverno, quando a superfície do solo estava mais exposta e antes que as colheitas tivessem crescido o suficiente para proteger eficazmente o solo. Todas as observações demonstram, que o declive da vertente é um factor significativo para a erosão do solo e que fazer as lavouras ao longo das curvas de nível, em vez de perpendiculares (no sentido da vertente), são importantes para reduzir o risco de erosão do solo.

Uma área do Agri, mostrando significativa degradação do solo (foto de G. Quaranta)

De acordo com Postiglione (L. Postiglione, 2002) a salinização do solo, na bacia Mediterrânea pode ser resultante de processos pedogenéticos, ou pode estar relacionada com excessiva evapotranspiração, infiltração de água do mar, concentração de sais de águas de irrigação, ou outras causas antropogénicas tais como, sobrepastoreio e desflorestação em ambientes semi-áridos, o excessivo uso de produtos químicos e a contribuição (por via do ar ou água) dos poluentes emitidos pela indústria. Na parte baixa da bacia do Agri, área particularmente afectada pela salinização, o problema é causado por mais factores. Contudo, a salinidade constante ou crescente é causada, sobretudo, pelo uso de água de irrigação altamente salina, associada a uma evapotranspiração excessiva em áreas secas. Como recurso vital para a agricultura, a água pode ser extraída à superfície (nascentes, rios, linhas de água) ou de origem subterrânea (furos, poços artesianos). No caso dos recursos de superfície, as nascentes são por vezes ricas em sal, uma vez que a água passa através de estratos rochosos e solos salinos ou sódicos, onde existe um excesso de sódio, que ficou in situ, durante o processo pedogenético, ou porque há infiltração de água marinha. Tais infiltrações ocorrem, frequentemente em alguns aquíferos, quando existe excesso de extracção nos poços ou quando o nível freático baixa e não é recarregado, devido à falta de água da chuva durante o Inverno. Ambos os tipos de processos podem levar a que um vazio seja preenchido por infiltração de água do mar. Claro que a situação se torna cada vez mais séria, quando a extracção excessiva significa, que os poços têm que ser mais profundos, com o consequente risco de atingir água salobra.

 

Salinização do solo (foto de G. Quaranta)

A principal causa de desflorestação e degradação da floresta na bacia do Agri são os incêndios florestais (Ferrara, 2004). Os fogos, tanto em termos de frequência de ocorrência e extensão espacial, são um problema sério neste ambiente, já de si sujeito, a fenómenos de degradação e desertificação. Apenas, para dar alguma informação acerca da dimensão e ocorrências de fogos florestais na bacia do Agri, no período 1990-1995, cerca de 1327 hectares de floresta, sobretudo representada por povoamentos altos de folha larga, foram afectados por 304 fogos. Isto significa, 3.88% do total de área florestada do vale e 13,41% do total do número de fogos, registados na região. Os fogos na bacia do Agri seguem um padrão simples, que se encontra em muitas regiões Mediterrâneas, é especificamente, o maior número de fogos ocorrerem nas áreas com o menor índice de floresta. Na bacia do Agri o fogo ocorre, sobretudo, em áreas com índices de florestação até 20%, correspondendo aparentemente, às áreas dominadas por bosques, ex. áreas florestais de relativamente baixa produtividade.

A disseminação da monocultura do trigo duro, sobretudo devido ao apoio da Política Agrícola Comum, agravou o processo de degradação da terra e mudou a paisagem tradicional. Este processo de especialização agrícola, conduziu igualmente a uma perda do material genético tradicional, ao promover culturas exóticas, que são muito mais exigentes em termos de condições do solo e que causam a exaustão deste recurso. Só recentemente se pode observar a reintrodução de culturas tradicionais.

Área desflorestada na bacia do Agri com cultura de trigo (foto de G. Quaranta)

Referências

  • Postiglione L. (2002): Soil salinization in the Mediterranean: Soils, Processes and Implications, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, LTD, 2002
  • Basso F., Pisante M. and Basso B. (2002): Soil erosion and land degradation, in Mediterranean Desertification, a Mosaic of Processes and Responses, N.A. Geeson, C.J. Brandt and J.B. Thornes (edited by), John Wiley & Sons, Ltd, 2002

5 Topo

g Lesvos, Grécia
Autor: Costas Kosmas <lsos2kok@aua.gr>

A ilha de Lesvos é um exemplo típico na bacia do Mediterrâneo, de uma área que está há milhares de anos, sujeita a intenso uso do solo. As mudanças físicas ambientais que ocorreram foram causadas por elementos naturais e pela acção humana. Uma análise efectuada com base em documentos históricos e arqueológicos e pesquisas recentes de solo e vegetação, para os últimos cinco mil anos, mostrou mudanças dramáticas no ambiente físico (Marathanou et al., 2000). Como se pode observar na tabela apresentada, no período antigo, a terra florestada e de pastagens, cobriam respectivamente 50% e 23% do total da área, enquanto a terra agrícola estava restringida a cerca de um quarto da área (22%). Em contraste, até 1886 a terra florestada tinha diminuído muito para menos de metade (23.9%), enquanto as pastagens tinham aumentado de 23% para 37.2% para a mesma data. É evidente, que as pastagens aumentaram na ilha, substituindo as terras agrícolas de baixa produtividade.

Tabela: Distribuição do uso do solo (área %) no período antigo e em 1886

Uso do solo

Período antigo

1886

Anuais – pomares

18

9.1

Vinha

2

2.7

Olival

2

26.9

Florestas

50

23.9

Pastagens

23

37.2

Outros

5

0.2

TOTAL

100

100.0


A grande mudança na terra agrícola ocorreu, principalmente, na área ocupada por olivais. Esta área aumentou de 2% no período antigo para 26.9% em 1886. Os olivais expandiram-se, sobretudo, através do arroteamento de florestas de Quercus e pinheiros. Alguma da terra plana, cultivada com cereais em períodos anteriores, foi substituída por olivais. Tudo leva a crer, que os olivais foram cultivados primeiro em planícies férteis, substituindo os cereais, e que mais tarde se tenha dado a expansão destas plantações para as áreas declivosas, substituindo as florestas naturais. Como Kontis (1978) refere, 80% dos olivais tinham resultado do enxerto de zambujeiros (oliveiras bravas), que se encontravam dentro das florestas. Estas mudanças ocorreram durante o período Bizantino e continuaram durante o período Otomano.

Área florestada com pinheiro na ilha de Lesvos, área que não foi perturbada durante pelo menos trezentos anos (foto de C. Kosmas)

A terra cultivada com cereais ou pomares foi, significativamente reduzida dos 18% no período antigo para 9,1% em 1886. A maior redução ocorreu nas áreas montanhosas, onde a produção era muito baixa, devido à elevada degradação do solo resultante da erosão. A redução no cultivo de cereal foi maior, na parte ocidental da ilha. A presença de declives muito elevados (geralmente superiores a 35%), combinada com solos erodíveis, formados em materiais piroclásticos, favorece a formação de solos muito delgados, devido às elevadas taxas de erosão. A área cultivada com vinha permaneceu quase inalterada, representando uma pequena porção da terra (cerca de 2%). De acordo com a informação existente, a área cultivada com vinha aumentou, especialmente, durante o período Bizantino e Otomano, mas depois declinou.

Foram observadas grandes mudanças de uso do solo na ilha, durante o último século. Como a tabela seguinte mostra, os olivais estavam largamente disseminados na ilha, passando de 26.9% para 41.2% do total da área. Adicionalmente, as florestas de Quercus de folha caduca expandiram-se significativamente de 2.2% para 7.1% da área, devido à produção de óleo usado na indústria dos curtumes existente na ilha, em décadas anteriores. A área total ocupada por pinhais permaneceu, praticamente inalterada, embora a distribuição geográfica tenha mudado. Os pinhais foram substituídos por florestas de Quercus ou por pastagens, devido à sua melhor capacidade de recuperação a seguir ao fogo. A sua expansão foi influenciada pela profundidade do solo e rocha mãe. O aumento da área ocupada, pelos usos do solo anteriores, foi parcialmente compensado, pela redução de áreas usadas para pastagens (a área diminuiu de 37.2% para 22.6%).

Tabela: Distribuição do uso do solo em 1886 e 1996

Uso do solo

Área (%) em 1886

Área % em 1996

Anuais

8.7

5.3

Pomares

0.4

<0.1

Vinha

2.7

<0.1

Olival

26.9

41.2

Florestas Quercus

2.2

7.1

Pinhais

21.7

23.0

Pastagens

37.2

22.6

Outros

0.2

0.6

TOTAL

100.0

100.0


Durante o último século, ocorreram grandes mudanças, não só na área ocupada, mas também na distribuição geográfica dos vários tipos de usos do solo. Os olivais foram removidos de algumas áreas, por várias razões e expandiram-se a outras com solos mais férteis. Os olivais foram, sobretudo, retirados das áreas declivosas, com vertentes muito inclinadas e solos muito degradados, onde tinham fraca produtividade e copa baixa. A copa baixa aumentava a vulnerabilidade das árvores, ao risco de geadas, durante o período frio do ano. Em algumas áreas, localizadas sobretudo, na proximidade de povoações, com solos relativamente profundos, os olivais foram substituídos por outras colheitas de maior rendimento, tais como tabaco e legumes. Actualmente, a maior parte destas áreas é usada para pasto.

Mapa de uso do solo de Lesvos em 1886 (compilado por H. Kiepert e R. Koldewey, 1886) (Sifneou, 1996)

Mapa de uso do solo de Lesvos 1996 (compilado por C. Kosmas)

A expansão dos olivais no último século ocorreu sobretudo, em áreas declivosas com diminuto risco de geada e solos relativamente férteis. A frequência de expansão era maior em solos profundos (55.4%) a moderadamente profundos (33.4%), localizados sobretudo, em declives acentuados (35.6%). A maior parte das áreas foi socalcada para proteger o solo da erosão e para aumentar a produtividade das oliveiras. Foram construídos, cuidadosamente, socalcos em forma de crescente para árvores individuais. O solo foi removido de outros locais para encher estes socalcos. Nas últimas décadas o valor destes terraços declinou notoriamente, por causa da dificuldade de acesso e de mecanização. Actualmente, muitas destas áreas foram abandonadas, e alguns dos socalcos ruíram, causando uma rápida remoção do solo pela água de escorrência superficial. Manter tais terraços, parece ser uma prática muito cara, comparada com a maioria de outras alternativas para controlo da erosão de solo. Tendo em consideração, que estes socalcos protegem solo muito valioso, para preservar as oliveiras e na protecção de um ambiente muito sensível, estas estruturas agrícolas, deviam ser protegidas.

Os olivais que existem há muito tempo, em muitos casos, localizados em solos moderadamente profundos (33% da área ocupada por oliveiras) a profundos (60.4%), mas em vertentes muito declivosas (42.9%), prevalecem neste tipo de uso do solo. Os solos eram protegidos da erosão, devido à construção de milhares de quilómetros de socalcos. Os resultados referidos, anteriormente, demonstram claramente, a importância da gestão e do planeamento do uso do solo, em áreas declivosas sensíveis à erosão.

A área de culturas anuais decresceu, rapidamente no período posterior a 1950. Este facto é atribuído, tanto à baixa produtividade da terra, como à emigração acentuada da população local para outras áreas do país. Além disso, houve um aumento significativo no número de animais, basicamente ovelhas, a seguir aos anos 60, e mais recentemente devido às políticas e subsídios da UE.

Os dados do levantamento do solo mostram, que os vários tipos de uso afectaram grandemente a degradação da terra. Solos sob pastagens são actualmente, os mais degradados da ilha. Os solos sob este tipo de uso são muito delgados (profundidade <15 cm) a delgados (profundidade 15-30 cm), cobrindo respectivamente 46.3% e 40% da área. Os solos profundos, sob pastagens são muito limitados. A análise da evolução do uso do solo revela no período antigo, a maior parte desta terra estava coberta com pinheiro ou floresta de Quercus. A população começou a arrotear as florestas ou a vegetação natural nesse período, ou mais tarde para obter colheitas ou criar gado. As medidas de conservação do solo foram insuficientes e a erosão arrastou a camada superficial. Nesta área, os solos restantes, têm camadas abaixo da superfície limitativas, tais como a rocha mãe (piroclastos, mármore, lava vulcânica) e sob condições quentes e secas, a agricultura de sequeiro e a floresta natural não podem ser, economicamente suportadas. Em contraste, áreas que permaneceram por longos períodos sob pinhal ou olival, estão relativamente melhor protegidas, com solos com profundidades superiores a que 75 cm. Parte das áreas actualmente, sob floresta de Quercus foram sujeitas, recentemente, a mudanças de uso do solo, assim, qualquer conclusão acerca do efeito da uso do solo na degradação da terra deve ser obtida, em relação ao uso do solo anterior.

Área anteriormente florestada com Quercus e pinheiros. Depois da limpeza a plantação da floresta causou degradação, devido à erosão do solo (foto de C. Kosmas)

Os solos cobertos por pastagens têm o maior grau de erosão, entre os vários tipos de uso do solo. Estes solos estão erodidos severa a muito severamente, numa área que cobre 63.6%. Os restantes solos sob pastagem, encontram-se de moderada (25.5%) ou pouco (7.3%) erodidos. As áreas com solos sob floresta de Quercus, estão melhor protegidas da erosão, que o uso do solo anterior. Uma área de 29.2% dos solos, está severamente erodida, enquanto 50.1% é caracterizada, como moderadamente erodida. As áreas com olival estão relativamente bem protegidas da erosão, com as práticas actuais de maneio e gestão. Os solos severamente erodidos cobrem, apenas 11.1%, enquanto os solos muito severamente erodidos, estão quase ausentes da área. A maior parte dos solos são considerados moderadamente erodidos (63.7%), enquanto 13.6% estão levemente erodidos. Na ilha, o resto (10.6%), da área coberta com oliveiras está bem protegida da erosão. Os solos moderadamente erodidos cobrem 58,1% e os levemente erodidos 30.4%.

Referências

  • Kontis, I. 1978. Lesvos and its Minor Asiatic region. Athens Technological Organization- Athens Center of Ekistics. pp. 22-46.
  • Marathainou, M. Kosmas, C., Gerontidis, St., and Detsis, V. 2000. Land-use change and degradation in Lesvos: An historical approach. Land Degradation and Development J. 11:60-73
  • Sifneou, E. 1996. Lesvos - Economical and social history (1840-1912). Toxalia, p. 234 (in Greek).

5 Topo


g Perspectiva de como se interrelacionam os indicadores
Autor: Brian Irvine B.Irvine@geography.leeds.ac.uk

As áreas sensíveis à degradação da terra podem ser identificadas através do Environmental Sensitivity Index - Índice de Sensibilidade Ambiental, à escala da bacia hidrográfica ou pelo Índice Regional de Degradação, a uma escala regional menos exacta.

O uso do solo no diagrama é assumido, como sendo conduzido pela aptidão climática, solo e topográfica; preços mundiais; subsídios e uso do solo histórico (inércia). Os padrões agrícolas e a pressão de pastoreio desenquadradas, com as condições climáticas, podem reduzir o Vegetation cover - Coberto Vegetal e a produtividade da vegetação. Se a elevada produtividade da vegetação não é gerida, a carga de combustível pode aumentar ( Fire frequency - Frequência de fogos).

Uma baixa produtividade, pode iniciar a Land use evolution - Evolução do uso do solo ou uma mudança nos métodos de produção.

Uma maior percentagem de coberto vegetal e produtividade, asseguram o actual Land use type - Tipo de uso do solo ( Period of existing land use type - Duração do uso do solo actual), futuro recurso solo e Net farm income - Rendimento bruto da exploração.

A degradação da vegetação resultante de práticas agrícolas ou fogo amplia a escorrência superficial e aumenta a Soil erosion (USLE) - Erosão do solo.

Elevadas taxas de erosão reduzem a fertilidade do solo, Soil depth - Profundidade do solo e Drainage - Drenagem, restringindo ainda mais ou reduzindo a produtividade da vegetação, tendendo para a degradação da terra ( Soil erosion control measures - Medidas de controlo da erosão do solo, Runoff water storage - Armazenamento de águas de escoamento). Podem ser indicadores iniciais de erosão do solo, a formação de ravinas e pequenos canais de escoamento no local ou a deposição de material erodido fora do local.

Produtividade reduzida da vegetação reduz, directamente o coberto vegetal. Net farm income - Rendimento bruto da exploração agrícola reduzido pode tornar-se aparente, forçando mudanças no uso do solo e práticas ( Fertiliser application - Aplicação de fertilizante, Irrigated area - Área irrigada), embora isto possa ser restringido através de Water availability - Disponibilidade de água e Water quality - Qualidade da água.

Mais input financeiro, pode ser requerido para manter o rendimento da terra ( EU production subsidies - Subsídios à produção da UE). Land abandoned - Abandono da terra pode ser uma questão. Pressões externas de clima, não estacionário ( Rainfall - Precipitação, Rainfall seasonality - Sazonalidade da precipitação, Rainfall erosivity - Erosividade da precipitação, Aridity index - Índice de aridez), podem adicionar mais pressão ao recurso terra e uso do solo ( Vegetation cover - Coberto vegetal, Soil erosion (USLE) - Erosão do solo, Irrigated area - Área irrigada).

Degradação da terra; vegetação e degradação do solo podem não ser irreversíveis, mas podem ser sensíveis para práticas e actividades futuras.

5 Topo


g Ligação a modelos mais simples ou complexos que demonstram esta inter-relação
Autor: Brian Irvine B.Irvine@geography.leeds.ac.uk

Desde o início dos anos 1990, os modelos de risco de erosão e indicadores foram desenvolvidos através de projectos de investigação sucessivos financiados pela UE. O Índice Regional de Degradação (RDI), que foi ampliado na Avaliação da Erosão do Solo Pan-Europeia (PESERA1), oferece a metodologia para avaliar o risco regional de erosão de solo. O RDI baseia-se, em conceitos desenvolvidos no MEDALUS II e oferece uma resposta teórica explícita, baseada num modelo de erosão do solo simples e conservador. O modelo utiliza o uso do solo, solo e dados climáticos.

O modelo RDI combina coberto vegetal, encrostamento da superfície, escoamento e transporte de sedimentos, para dará uma estimativa dos sedimentos e água, debitados para os canais de escoamento. O esquema do modelo é mostrado acima. O risco modelado de erosão é consistente com modelos de erosão de escala mais fina, para faixas de escoamento, e está integrado, com base na distribuição da frequência de magnitudes de tempestades. O modelo divide a precipitação diária em fluxo superficial saturado e Hortoniano, fluxo abaixo da superfície e evapotranspiração. O fluxo Hortoniano, que é sobretudo, responsável pela erosão do solo, é gerado em relação ao solo local e às características humidade do solo. A ênfase do modelo PESERA-RDI é a previsão de erosão nas vertentes, e o fornecimento de produtos da erosão à base de cada vertente. Os processos de entrega nos canais e o encaminhamento nos canais de escoamento, não são explicitamente considerados.

  • Página principal PESERA URL: http://pesera.jrc.it
  • Página principal MEDALUS URL: http://www.medalus.demon.co.uk/

5 Topo