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| Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea | ||
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g Descrição das razões que levam a mudanças na actividade económica,
e razões pelas quais as mudanças na actividade económica são uma questão
no contexto da desertificação A desertificação foi, durante um longo período de
tempo, entendida, tanto a nível institucional como científico, e sobretudo,
na percepção do público em geral, como um problema ambiental, com soluções
ambientais (Spooner e Mann, 1982). As agendas delineadas, até então, sobre
desertificação, mostravam uma específica falta de consideração, pelo contexto
socio-económico. Como foi sublinhado, de facto, por uma revisão externa, do
Plano Global de Combate à Desertificação concebido em 1977, uma das
principais razões para o fracasso deste plano, foi a falta de atenção, aos
factores socio-económicos (UNEP, 1991). Progressivamente, a definição de
desertificação, incorporou a centralidade da actividade humana, como uma
causa de degradação da terra, chegando-se à definição da UNEP:
“degradação da terra em áreas áridas, semi-áridas e secas sub-húmidas
resultando de vários factores, entre os quais a variação climática e a
actividade humana” (UNEP, 1994). Tal reflecte, uma perspectiva geral nas questões
do desenvolvimento, que foi concebida sem considerar as repercussões e inter
relações com o ambiente. As implicações da adopção desta abordagem têm sido a
sobre-exploração dos recursos naturais e a uma degradação ambiental
irreversível. Um bom exemplo é, a formulação e implementação da
Política Agrícola Comum (PAC), através dos preços e políticas estruturais.
Por um lado o apoio aos preços assegurou um rendimento adequado aos
agricultores, contribuindo assim, para o desenvolvimento de economias
regionais e a manutenção de paisagens, especialmente em áreas menos
favorecidas. Mas, ao mesmo tempo, o apoio aos preços no contexto da PAC,
também acelerou o processo de intensificação e especialização na Europa.
Preços mais altos no âmbito da PAC, encoraja os agricultores a produzir mais,
o que em função da base limitada de terra da Europa, implica uma maior
intensificação e uso de outros inputs, que não a terra. As diferenças nos
graus de protecção no contexto da PAC, tendem a favorecer plantações,
ambientalmente mais exigentes. Desequilíbrios na protecção foram também
responsáveis, pelo crescimento na criação intensiva de gado. Os efeitos
negativos de tais abordagens tornaram-se, particularmente evidentes nos
países Mediterrâneos, onde o homem e as suas actividades têm sido um
importantíssimo factor, na transformação da paisagem, que é parte da
biodiversidade e da herança cultural e natural. Nas últimas décadas, esta paisagem experimentou
uma explosão simultânea de novas actividades, tais como o turismo de massa,
urbanização crescente e agricultura de regadio intensiva, monoculturas
extensivas, conduzindo tudo, a um progressivo declínio na agricultura
tradicional. Estes tipos de uso do solo competem entre si pela água, solo e
outros recursos naturais e produzem efeitos na estabilidade e degradação da
paisagem, bem como no sistema social. A agricultura de regadio intensiva tem impactos
nos recursos da água e solos, tais como poluição da água ou degradação física
e biológica do solo. Monoculturas extensivas podem levar à desflorestação e
sobre exploração de recursos, à erosão do solo e degradação do solo, a
mudanças na paisagem e perda de biodiversidade. A expansão urbana, o turismo
e actividades de recreio, exercem forte procura de água, tendo efeitos a
nível de inundações, erosão e na degradação da terra no global. O risco de
degradação ambiental, que resulta destas actividades, tem uma dimensão
internacional, em virtude das áreas de incidência e da inter-conexão de
economias. g Exemplos de mudanças na actividade económica em áreas Mediterrâneas
g Baixo
Alentejo Interior, Mértola, Portugal No concelho de
Mértola, a maioria das actividades económicas estão ligadas à agricultura,
caça e silvicultura, pelo que sector primário representa mais de 90%, o dos
sectores económicos. Contudo o peso da população empregue por sector
económico, revela ser o sector terciário, o que representa 49% da população
activa do município. Os sectores primários e secundário representam 29% e 22%
respectivamente. Neste contexto
económico, as empresas agrícolas e associadas à produção animal representam
cerca de 90% do número total de empresas, assim como 90% do emprego primário
total. Representa ainda cerca de 45% das vendas totais do sector primário. No seu conjunto, são
as Actividades Agrícolas, as Actividades Associadas à Agricultura e Produção
Animal, as Actividades de Serviços Conexos, a Caça e Actividades Cinegéticas,
que apresentam em termos de produtividade, e num contexto regional, uma
relativa competitividade, sendo também as actividades que indicam maior
capacidade de crescimento. g
Espanha As alterações
nas actividades económicas, nas áreas afectadas pela desertificação
na bacia do Guadalentin são devidas á pressão
das actividades turísticas, ao alargamento das áreas irrigadas e ao
maior abandono da terra. Nessas áreas onde os empreendimentos turísticos
afectam a economia (principalmente nas áreas costeiras e em algumas
áreas interiores com paisagens atractivas), os elevados preços oferecidos
pela terra tentam os proprietários a vender. Então as actividades turísticas
tornam-se o principal foco economia, alterando a estrutura da população
e a sua ocupação. Em muitos casos imigrantes são empregues pelo sector
dos serviços, devido à falta de interesse neste tipo de trabalhos (que
são normalmente mal pagos) pela população local. Em áreas interiores a alteração mais importante das actividades economias, é hoje em dia o alargamento da agricultura de regadio, onde quer que água esteja disponível. Normalmente, tal acontece, escavando-se novos poços ou construindo infra-estruturas de transporte de água. Este tem sido nos últimos anos, o principal processo na área. A agricultura de regadio tem sofrido um desenvolvimento intensivo, á custa de culturas como as amendoeiras e os cereais. O maior lucro
de actividades da agricultura de regadio (com produtos produzidos em
períodos de grande procura, como o Outono ou o Inverno) e a baixa rentabilidade
da agricultura de sequeiro, devido às condições climáticas (principalmente
a fraca pluviosidade) convence os agricultores a tentar e mudar o uso
da terra. A maioria das pequenas explorações de sequeiro são apenas
trabalhadas por agricultores mais idosos devido à tradição, e estas
explorações são normalmente abandonadas, quando os agricultores se reformam.
Às vezes os agricultores aderem a programas de reflorestação pois os
subsídios dados são atractivos, mas este é um acontecimento menor. Os
jovens das áreas rurais são muito mais atraídos pela crescente actividade
turística nas áreas costeiras que pela agricultura, então tornam-se
trabalhadores da construção civil ou entram o sector de serviços (principalmente
mulheres). As alterações nas actividades económicas resultam em importantes impactos no ambiente e nas estruturas sociais desta área. Áreas interiores tendem a ser mais despovoadas, com uma população envelhecida e cada vez com menor actividade económica. Nas poucas áreas interiores, onde os estabelecimentos turísticos estão a ser desenvolvidos, existem importantes alterações na estrutura social, usos da terra, paisagem e gestão de recursos. As mesmas alterações são bem evidentes nas áreas costeiras, onde a escala do fenómeno é muito maior e as alterações muito mais intensas. g Bacia do Agri, Itália
Políticas
passadas, conduzidas por uma abordagem de cima para baixo (top down), baseada
nos recursos exógenos e com uma natureza de apoio ao rendimento,
providenciaram a área com infra-estruturas públicas importantes, embora ainda
insuficientes, tais como estradas e sistemas de irrigação. O investimento
público teve um impacto fraco no aumento da capacidade local de
auto-desenvolvimento; pelo contrário, aumentaram a dependência externa da
economia local, em relação aos subsídios nacionais e da UE. Adicionalmente,
a intervenção pública passada, concentrou os seus esforços nas áreas mais
ricas da região, aumentando assim as disparidades económicas regionais. No
início dos anos 1990, aplicando teorias baseadas nos recursos endógenos e
alguns ajustes fiscais, por exigência da UE, as políticas de desenvolvimento
concentraram-se mais nos problemas estruturais a nível local, tendo adoptado
uma abordagem mais cooperativa na tomada de decisões, o que conduziu a uma
descentralização legislativa e administrativa mais eficiente. A bacia do Agri
está agora interessada, num ambicioso plano de desenvolvimento
sócio-económico, o Programa Regional Operacional (PRO). O Fundo Estrutural de
Apoio 2000-2006 planeou investir cerca de 1,300 milhões de Euros em toda a
região da Basilicata. As acções para
gerir os recursos naturais da bacia, estão ainda a mover-se numa estrutura
política pouco clara e contraditória. Um exemplo indicativo desta falta de
consistência e planeamento geral, é dado pela competição directa, na mesma
área, entre a prospecção petrolífera e a instituição de um parque natural,
cujos limites foram definidos em 2002 depois de anos de discussão. A economia local
caracteriza-se, por uma taxa de desemprego de cerca de 25%, para toda a bacia
do Agri, quase três vezes mais que a taxa nacional. Em 2000 o PIB per capita
da região Basilicata era de 14,398 Euros, enquanto o valor nacional era de
20,165. Na última
década, a tendência do emprego industrial mostrou um aumento moderado, que
teve um pico nos anos 1970’s e, actualmente, inclui cerca de 30% da
força de trabalho empregue. O sector dos serviços públicos e privados
verificou um rápido crescimento, atingindo 43% do total de emprego, graças à
expansão das políticas de apoio ao rendimento e ao aumento do emprego
público. Apesar do grande
aumento nos últimos anos (de
Apesar da
contínua diminuição da sua importância, o sector agrícola ainda é responsável
por cerca de um terço da população activa no vale do Agri. Portanto, em
termos de percentagem de força de trabalho empregada, o sector agrícola do vale
do Agri representa um dos mais importantes sectores da economia, tal como era
há anos atrás. Em 2000 foram
identificados, 16 247 agricultores, quase mais mil que na década anterior,
mostrando uma tendência oposta em comparação com a tendência regional e a das
economias desenvolvidas. Estas explorações gerem cerca de Nos vales mais
férteis a agricultura é intensiva, usando grandes quantidades de água,
fertilizantes e pesticidas. O sistema agrícola, contudo, já não é
sustentável. A área está afectada por degradação da terra, particularmente,
ao longo das margens das linhas de água e na linha de costa, sobretudo devido
ao problema de salinização das águas subterrâneas.
Referências
Autor: Constantinos Kosmas <lsos2kok@aua.gr> A população da ilha
de Lesvos é de cerca de 108 000 habitantes, cerca de 1% do total da população
Grega, com uma taxa de natalidade negativa (-3.2 por 1000 habitantes em
2002). Entre 1991 e 2001 os censos revelaram que a população aumentou 3.7% A economia local
de Lesvos baseia-se na agricultura, com ênfase na produção de azeite e
criação de gado para produção de lacticínios. Existe também uma indústria de
destilaria para produção de Ouzo. Outros produtos incluem trigo, vegetais e
fruta, vários peixes e marisco. No âmbito da Grécia, Lesvos é o 6º maior
produtor de azeite, providenciando 6% da produção nacional em 2003, e o 8º
produtor de queijo, com 3% da produção nacional. Lesvos produz 1%
do PIB e 2.1% da produção agrícola nacional. Em Desce 1960, que
foi feito um esforço para quebrar a dependência do cultivo de oliveiras, uma vez
que a produção instável tinha levado à queda das produções. Ao invés, houve
uma concentração no turismo e na necessidade imediata de desenvolver
infra-estruturas (hotéis, estradas e transportes), posta em prática, em
oposição a um conhecimento básico de modernização, que se tornou mais
evidente desde a adesão da Grécia à UE. Hoje o sector terciário é dominante,
enquanto factores como a pequena dimensão das parcelas, recursos naturais
restritos, envelhecimento da população e baixa competitividade dos produtos
agrícolas (devido a elevadas custos de produção e transporte), anulam o
crescimento do sector primário. O rendimento dos
agricultores está a declinar e depende cada vez mais de subsídios do Estado e
fundos da comunidade, que no seguimento da revisão da PAC e do alargamento da
UE, serão eventualmente reduzidos. Com um inquérito às explorações, realizado
durante a execução do projecto DESERTLINKS demonstrou-se, que o declínio do
rendimento dos agricultores é o factor mais importante nas tomadas de decisão,
relativas ao uso do solo. Os preços dos principais produtos (azeite, carne e
leite), não seguem as tendências gerais do mercado, reduzindo assim o
rendimento. Em muitos casos os preços dos produtos, como o azeite
decresceram, enquanto o custo de vida aumentou. Trabalho, fertilizantes,
pesticidas e custos com combustível aumentaram, significativamente, sem
nenhum aumento paralelo no preço dos produtos. Uma vez que a dimensão das
explorações é pequena, os agricultores arrendam a terra de outras pessoas, para
aumentar a área que estão a explorar e assim o seu rendimento. Sob tais
condições, os olivais foram abandonados e converteram-se em áreas naturais. O aumento dos
números do turismo, nas últimas décadas, afectou muito a economia da ilha e o
uso do solo, especialmente, nas terras baixas, tais como a planície de
Kalloni, Eressos, Mythimna e Vatera, ou outras áreas perto de parques
nacionais ou importantes áreas de recreio e lazer como Sigri ou Plomari. Além
disso o desenvolvimento do turismo influenciou também, muito o valor da terra
em algumas partes da ilha, afectando uma parte significativa da terra urbana
para arrendar. As principais mudanças de uso do solo que ocorreram, devido a
estes processos, foram a expansão das culturas anuais (legumes) e a expansão
de áreas urbanas para áreas agrícolas ou naturais. g Perspectiva
de como se interrelacionam os indicadores
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