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Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea

 

As principais questões associadas à desertificação no Mediterrâneo

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Sobrepastoreio
Autor Principal: Vasilios P. Papanastasis <vpapan@for.auth.gr>
Com contribuições de: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>

Este relatório utiliza resultados da pesquisa de outros projectos, sem ser o DESERTLINKS.

  • Sistemas de Uso da Terra nas Montanhas Mediterrâneas e Terras Marginais” 1995-1998 (contracto no. AIR-3-CT-93-2426). Este projecto determinou os efeitos de políticas da EU, na criação de gado nos sistemas locais de uso da terra e o impacto de práticas de pastoreio nas montanhas Mediterrâneas e terras marginas. A maioria dos dados incluídos, nesta secção, tem por base este projecto.
  • Georange 2001-2004 (contracto no. EVK2-CT2000-00091). Tal como o DESERTLINKS este foi um projecto na área de degradação/desertificação no âmbito do Framework V – Ambiente e Programa de Desenvolvimento Sustentável. GeoRange foi elaborado por cientistas, em ecologia e gestão de pastagens, conservação e restauração do ecossistema, e sistemas de detecção remota e de informação espacial. Com o envolvimento directo dos responsáveis pela gestão das terras, aponta a definição de estratégias de gestão optimizadas para as “rangeland – pastagens naturais” multifuncionais. Para mais informação sobre GeoRange, click aqui.


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Descrição das razões que levam ao sobrepastoreio e porque é uma questão no contexto da desertificação
Autor: Vasilios P. Papanastasis <vpapan@for.auth.gr>

O pastoreio é uma velha prática na Europa Mediterrânea. Remonta ao período Neolítico, quando as primeiras ovelhas e cabras domesticadas chegaram á região. Desde aí que a criação de gado se tornou uma das actividades humanas, dominante, suportando civilizações, moldando as paisagens e os ecossistemas Mediterrâneos.

Ao discutir os factores fundamentais da desflorestação nos países Mediterrâneos, Thirwood (1981), considera o pastoreio por animais domésticos, entre as maiores causas, com o destaque para as cabras, pela sua predilecção por forragens lenhosas. Igualmente, Tsoumis (1985) menciona que o pastoreio tem um contributo importante na desflorestação, mais que as arroteias para a agricultura, sendo as cabras os agentes mais catastróficos. As mesmas visões são partilhadas por Tomaselli (1977), que em adição, aponta que, o pastoreio pode prevenir a evolução do maquis e garrigue, para florestas. As convicções contra cabras eram tão fortes, em meados do século passado, que vários países tiveram de tomar medidas decisivas para reduzir o número de efectivos ou elimina-las, completamente, subsidiando o seu abate (FAO, 1964). Como resultado destes pontos de vista, foi desenvolvida a teoria da “Paisagem Arruinada” em relação à Europa Mediterrânea (Grove e Rackham, 2001). De facto, a culpa que recaí sobre o gado de destruir o ambiente, é confundida, com a má gestão aplicada para a qual o único responsável é o homem e não os animais (Papanastasis, 1986).

As “rangelands” da região Mediterrânea, incluem as terras de herbáceas, também conhecidas por pastagens, bem como os matos, nomeadamente matos rasteiros (ex. tomilhal), mato (ex. garrigue, maquis) e floresta aberta (menos de 40% de copa de árvores), igualmente conhecidos como sistemas silvopastoris. De acordo com Le Houerou (1981), os incultos são utilizadas por 270 milhões de equivalentes a ovelhas, constituídos por; cavalos, mulas, burros, bovinos, camelos, porcos, ovelhas e cabras. Os últimos dois tipos de animais são o grupo dominante, constituindo 75% do total da população. Todos estes animais pastam em cerca de 830 000 km² de “rangeland” correspondendo a uma taxa de ocupação de 2.2 equivalentes a ovelhas por hectare. Se considerarmos a capacidade de pastoreio, para as “rangeland” mediterrâneas, ela não é mais do que, em média, 1 equivalente a ovelha/ha/ano, podemos assim, concluir que estas “rangeland” estão severamente sujeitas a sobrepastoreio. No entanto, a pressão de pasto não está igualmente distribuída por todas as “rangeland” e é certamente maior no Sul do que no Norte do Mediterrâneo. Na Europa Mediterrânea, ela também é desigualmente distribuída, com áreas com sobrepastoreio (terras baixas, em torno das povoações) e pouco utilizadas para pastoreio (áreas remotas).

Ao discutir as razões do sobrepastoreio nas “rangeland” Mediterrâneas, Le Houerou (1981) considera a principal razão, o clima mediterrâneo em si, e mais especificamente, os Invernos temperados e chuvosos, que permitem aos animais permanecer ao ar livre, não apenas no Verão – como acontece em áreas temperadas – mas igualmente no Inverno, resultando em períodos de pastagem, que praticamente dura o ano inteiro. Como segunda razão, ele considera as condições socio-económicas, que proporciona “status social” aos agricultores que têm grandes rebanhos, ou obriga os agricultores a criar grandes rebanhos em maneira a poderem subsistir. No entanto existem razões, muito importantes, adicionais. Uma dessas razões é a marginalidade das áreas de pastoreio na região Mediterrânea, constituídas por terras de colinas e de montanha, com solos delgados e rochosos, vertentes declivosas, de que resulta uma baixa produtividade e fraca capacidade de pastoreio. Em áreas secas e semi-secas, este problema é ainda mais agravado pela baixa e errática precipitação. Outra razão importante é a propriedade da terra. Uma larga proporção de “rangeland” na região Mediterrânea incluindo a Europa do Sul são áreas pertencentes ao Estado, Município ou da comunidade, que estão continuamente sujeitas a pastoreio pelo gado das pessoas locais (ex a ilha de Creta – Papanstasis, 1993). Sob este sistema comum a gestão do pastoreio é difícil ou impossível, conduzindo no geral, ao sobrepastoreio (Papanastasis, 1988). A razão final, são as políticas da UE, aplicadas antes da implementação da Agenda 2000, que subsidiava o número de animais, encorajando, desta forma, os agricultores nos países mediterrâneos da UE a aumentar os seus rebanhos para receber maiores subsídios (Dubost, 1998; Pulina et al., 1998).

Sobrepastoreio por cabras num mato comum no nordeste da Grecia (foto por V. Papanastasis)

O pastoreio tem múltiplos efeitos nos ecossistemas naturais. Os animais desfolham a

vegetação e, consequentemente esta acção, afecta o crescimento, vigor e reprodução das plantas, composição de espécies, coberto vegetal e biomassa, resultando em solo a nu. O pastoreio causa o pisoteio do solo pelos animais, o que reduz a densidade e taxas de infiltração e aumenta a escorrência superficial. Se as vertentes são declivosas e os solos erodíveis, então a erosão do solo pode conduzir à desertificação. Tal pode acontecer, no entanto, só quando o sobrepastoreio é contínuo, nomeadamente, quando demasiados animais se alimentam de uma área de pastagem limitada (Dregne, 1978).

Erosão acelerada, “rangeland”  sobrepastoreio no noroeste da Grécia (foto por V. Papanastasis).

O sobrepastoreio tem um efeito negativo na diversidade de plantas. Embora várias espécies individuais de plantas estejam adaptadas ao pastoreio intensivo ou parecem ser favorecidas, devido á redução de competição (Bergmeier, 1998; Egli, 1991; Grove and Rackham, 2001; Seligman and Perevolotsky, 1994), o impacto geral do sobrepastoreio é negativo, particularmente em áreas cobertas por herbáceas (Koukoura et al. 1998; Koutsidou and Margaris, 1998; Papanastasis, 1985; Papanastasis et al. 2002). Pelo contrário, um pastoreio moderado tem um efeito benéfico na diversidade de plantas (Montalvo et al., 1993; Naveh and Whittaker, 1979; Noy-Meir, 1998; Puerto et al., 1990), mas um fraco ou nenhum pastoreio, pode igualmente, produzir efeitos negativos (Peco et al., 1998). As “rangeland” pouco ou nada utilizadas, apresentam os problemas de terras abandonadas, ao serem invadidas por espécies de mato, que aumentam o risco de fogo e resultam em incêndios devastadores.

Em terras de mato, o impacto de sobrepastoreio pode não ser prejudicial á diversidade de plantas, porque as espécies que constituem o mato podem desempenhar um papel de buffer. É este o caso nas comunidades phryganicas, nas quais as espécies phryganicas, sendo desagradáveis aos animais em si, podem proteger espécies herbáceas do sobrepastoreio sob a sua copa. Este papel de buffer é eliminado se a sobrepastoreio é combinado com incêndios.

Os incêndios provocados por pastores, para controlarem o crescimento de vegetação indesejável, constituí uma prática comum em várias partes da Europa Mediterrânea (ex. Córsega, Sardenha, Creta, Grécia Ocidental). Embora a vegetação Mediterrânea esteja bem adaptada ao fogo e normalmente cresce após o incêndio, esta pode ser destruída se o fogo é combinado com sobrepastoreio. Vários estudos demonstraram, que a combinação de incêndios e sobrepastoreio são a principal causa de degradação e desertificação das “rangeland” na Europa Mediterrânea (Arianoutsou-Faraggitaki, 1985; Aru, 1986; Margaris and Koutsidou, 1998; Pantis and Mardiris, 1992; Pantis and Margaris 1988; Papanastasis, 1977; Papanastasis et al. 1990; Vokou et al., 1986).

Em conclusão, sobrepastoreio é uma questão em desertificação na Europa Mediterrânea principalmente, naquelas áreas em que é combinado com os incêndios provocados por pastores.

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g Exemplos das razões para sobrepastoreio em áreas da Europa Mediterrânea

g Baixo Alentejo Interior, Mértola, Portugal
Autores: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>

A importância da criação da criação de gado na área piloto esta bem documentada, e sabe-se que era desde a Idade Média uma das actividades mais importantes, e por esse facto, protegidas por leis régias. O gado ovino e suíno, era criado em pastagens naturais havendo, desta forma, um aproveitamento dos recursos naturais (Roxo 1994).

Ovelhas, Serra de Mértola, Mértola (foto de Maria Roxo, Pedro Casimiro)

No entanto o incentivo à produção de cereais durante décadas, diminuiu drasticamente as áreas de pastagens naturais, pelo áreas para alimentação do gado, passaram a ser mais utilizadas, e consequentemente a apresentarem um cada vez maior grau de degradação. É importante mencionar que vastas áreas do concelho de Mértola eram lugares de permanência de rebanhos que vinham de outras regiões do país (Algarve e Alto Alentejo), para serem alimentados aqui durante os meses de Primavera

Excessivas cargas de gado para as pastagens existentes conduziram a situações de sobrepastoreio. Contudo, actualmente, verifica-se outro tipo de situação que importa analisar. Os incentivos da PAC, para a criação de gado ovino, suíno e bovino, traduziram-se num aumento das cabeças de gado por hectare e a uma nova maneira de criar gado. O apoio a instalação de infra-estruturas, como cercas, estábulos, pequenas barragens, transformou esta actividade, que antes era praticada por um pastor e o gado se deslocava para ser alimentado, em algo sedentário. O gado permanece no mesmo espaço, causando um maior impacto sobre o solo, por pisoteio e por esgotamento das pastagens.

Gado, Serra Mértola, Mértola (fotos de Maria Roxo e Pedro Casimiro)

Todos estes factores têm contribuído decisivamente, para a degradação da terra, pelo que é fundamental uma mudança de atitude em relação a uma das actividades que melhor se enquadra nas condições de solo e clima da área em estudo.

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g Montanhas Psilorites, Creta (Grécia)
Autor: Vasilios P. Papanastasis <vpapan@for.auth.gr>

A montanha Psilorites tem uma altitude máxima de 2 456 m. Localiza-se na parte central de Creta, com uma área aproximada de 500 km², a maioria a mais de 600m de altitude. É permanentemente habitada por cerca de 18 000 pessoas que vivem em 20 povoações. A rocha dominante é o calcário resistente e os solos são vermelhos. O clima é Mediterrâneo sub-húmido com Invernos moderados e húmidos, que se tornam frios com a altitude. Vegetação é complexa; inclui principalmente espécies perenes, mas também algumas espécies caducas lenhosas, tais como as espécies phryganicas, que predominam na montanha. A posse da terra é também complexa: terras agrícolas são propriedade privada mas florestas e “rangeland” são propriedade do Estado e o direito a pastar nelas pertence ás gentes locais.

Vista geral da montanha Psilorites (foto de V. Papanastasis).

No que diz respeito aos solos, eles são esqueléticos (<15 cm) a delgados (15-30cms) na maior parte da montanha, com cerca de 40% da superfície da área, ocupada por afloramentos de rocha (Pendarakis, 1994). Tornam-se mais profundos, nas dolinas cársicas, que embora sejam limitadas em área, se encontram mais perto da base da montanha

A criação de gado é uma actividade tradicional, que transformou a Montanha Psilorites desde o período Neolítico (Lyrintzis and Papanastasis, 1995). Nas últimas décadas, no entanto, o número de animais aumentou drasticamente, principalmente, devido a incentivos nacionais e, especialmente a partir de 1981 (quando a Grécia se tornou membro da União Europeia), devido aos subsídios da UE. Tendo por base os Dados da Estatística Nacional, observa-se que o número de ovelhas aumentou cerca de 529% e de cabras de 279%, entre 1961 a 1991. Estes números elevados em 1991 resultam de uma taxa encabeçamento de 4.6 equivalentes a ovelha/ha/ano (Menjli, 1994), que é pelo menos, quatro vezes superior à capacidade de pastoreio destas “rangeland” (Papanastasis et al., 1990), o que indica sobrepastoreio.

Evolução do número de cabeças de gado entre 1961 e 1991 na montanha Psilorites em Creta (Dados do Serviço Nacional de Estatística).

De maneira a estudar o impacto de sobrepastoreio na montanha Psilorites, foram analisadas fotografias aéreas obtidas em 1961 e 1989, e identificados para os dois períodos os principais tipos de uso/coberto da terra. Os resultados revelam, um aumento das áreas de mato disperso e média densidade (principalmente, ecossistemas phryganicos) em detrimento dos mais densos, bem como da floresta. Esta evolução indica degradação, pois menos arbustos indicam menos cobertura lenhosa, capaz de proteger o solo e de manter a produtividade. O impacto de sobrepastoreio era mais severo, quando era combinado com incêndios causados por pastores.

Mudanças no uso/coberto na montanha Psilorites em Creta entre 1961 (sup.) e 1989 (inf.) (Bankov, 1998).

 

Desertificação causada pela combinação de incêndios causados pelos pastores e sobrepastoreio na montanha Psilorites, Creta (foto de V. Papanastasis).

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g Visão geral de como se interrelacionam os indicadores
Autor: Vasilios P. Papanastasis <vpapan@for.auth.gr>

O sobrepastoreio pode ser gerido, mas como processo é, igualmente afectado, por vários factores físicos e socio-económicos. Indicadores de diagnóstico podem estar relacionados com a gestão, com as condições abióticas e de vegetação, bem como a outras de cariz social, económicas e politicas.

O sobrepastoreio é causado, quando o número de animais a alimentar ultrapassa a capacidade de carga de uma pastagem, indicando que o número de animais em excesso, pode ir de alguns a demasiados. Como resultado, o número de animais a pastar num prado ou a intensidade de pastoreio, expressa o encabeçamento, é um indicador muito importante de degradação dos prados (Papanastasis, 1998;2000). Devido ás diferentes formas como os vários animais se alimentam, o seu impacto na vegetação é diferente (Rook et al., 2004) e portanto, o tipo de espécie animal é muito importante para o processo de sobrepastoreio. Além disso, o sistema no qual os animais pastam nos prados é também muito importante. Por exemplo, pastoreio contínuo, numa base anual, é mais prejudicial à composição de espécies, que um sistema sazonal ou rotacional (Sternberg et al., 2000). Já foi mencionado que a combinação de sobrepastoreio com fogo pode ser mais determinante, que qualquer um dos processos por si só. A distribuição das infra-estruturas disponíveis, pode decidir se um prado pode, eventualmente, vir a ser utilizado ou não; normalmente, os animais tentem a pastar mais intensivamente perto das fontes de água e junto das áreas de permanência (estábulos, abrigos) do que longe destes (Ghossoub, 2003). Finalmente, o sobrepastoreio será evitado, se recursos alimentares alternativos estiverem disponíveis e, portanto, o sistema de produção aplicado, está a interferir no impacto que animais possam ter no prado (Papanastasis, 1990).

Maior degradação de terra ao redor de um ponto de água em Dia islet (Creta) (foto de V. Papanastasis).

Para a vegetação, indicadores importantes são, a quantidade de biomassa produzida ou deixada, e no fim do período de pastoreio a cobertura vegetal (Papanastasis et al., 2003) e a composição de espécies. Normalmente, quando ocorre sobrepastoreio, a pastagem enche-se de ervas daninhas, que são espécies indesejáveis para animais. Variáveis de solo e clima como; profundidade de solo, inclinação da vertente, rocha mãe, erosão de solo, precipitação (quantidade e distribuição), e temperatura, todas afectam a vegetação e portanto, o número de animais que podem ser colocados a pastar num prado. Existe uma relação directa entre a profundidade de solo (Papanastasis, 1994) ou a quantidade de rocha à superfície (Alexandris et al., 1997) e a produção herbáceas. Igualmente, a produção herbácea é muito afectada, pela pluviosidade e temperatura do ar (Papanastasis, 1982).

Considerando indicadores socio-económicos, eles podem incluir subsídios da EU, por número de animais, as tradições locais em relação ao tamanho do rebanho, a posse da terra (privada, estatal ou comunitária), o rendimento alternativo que os agricultores podem ter, além da criação de gado, e das leis que ditam o uso dos prados pelos agricultores. Estes indicadores interrelacionam-se com outros e com vários indicadores físicos (ex. Produtividade dos prados) tal como factores de gestão (ex. número e tipo de animais, sistema de pastoreio, etc).

Sobrepastoreio relaciona-se com outros assuntos, particularmente, com abandono de terra e desflorestação.

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g Referências

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