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| Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea | ||
| Alterações na estrutura social Autores principais: Giovanni Quaranta, Rosanna Salvia, Monica Caggiano <quaranta@unibas.it> Com contribuições de: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>, Jorge García Gómez <jorgegg@um.es>, Giovanni Quaranta, Rosanna Salvia <quaranta@unibas.it>
As alterações na
estrutura social são tanto uma causa, como um efeito da degradação da terra.
Estas condições levam a uma espiral descendente de enfraquecimento de capital
social e degradação da terra. Existe, de facto, uma forte interdependência
entre pobreza e degradação de recursos naturais. Pobreza é, neste contexto,
um fenómeno multidimensional, caracterizado por uma multitude de factores,
com a deferência na aplicação dos direitos humanos, falta de rendimento
suficiente, falta de poder (ex. falta de informação, conhecimento,
participação no processo de decisão político), falta de integração social e
falta de acesso a serviços sociais. Modificações na
estrutura social ocorrem, frequentemente, pelo facto do contexto
socio-económico local, se ter tornado incapaz de satisfazer as necessidades
da população. Tal pode ser, uma consequência da degradação à qual o homem
sujeitou o ambiente ao longo do tempo, ou dever-se ao facto da pobreza dos
recursos naturais, não produzir o necessário nem o adequado aos interesses
dos actores sociais e económicos. Quando os problemas surgem, as áreas com
estas características, são totalmente abandonadas, e privadas de condições
que possam mitigar o problema, um exemplo seria, através do encorajamento no
uso de boas práticas de gestão da terra, para evitar fenómenos destrutivos,
como o fogo ou deslizamentos de terra. O rápido e intenso despovoamento
sentido significa, que a população local não é apenas em número reduzido, mas
que está igualmente a envelhecer rapidamente. Estes factores desencorajam os
decisores na aplicação de medidas nessas regiões, aumentando a tendência
crescente para um grave despovoamento. No outro extremo
estão as pessoas que abandonam áreas rurais e que se deslocam para cidades,
especialmente para o litoral, criando enorme pressão nessas áreas, tanto em
termos ambientais como demográficos. A migração é um processo selectivo, uma
vez que é uma decisão dos membros mais produtivos e educados da comunidade,
conduzindo à falta de emprego e falta de gestão de recursos naturais no
ambiente rural. Os terraços e outras estruturas para controlar a erosão,
intensivas em mão-de-obra, podem não ser devidamente mantidas, levando no
futuro a uma degradação da terra e da água. É sobejamente reconhecido, por
exemplo, que viabilidade do mundo rural se relaciona com aspectos como, a
idades dos agricultores, o nível de escolaridade e habilitações para a
gestão, bem como o acesso a serviços chave. A entrada na actividade agrícola
de jovens agricultores, pode ser considerada como uma indicação para uma
potencial viabilidade da agricultura a longo prazo, visto que uma força de
trabalho mais jovem, tem maior capacidade de ser capaz, de responder rapidamente,
às mudanças das condições económicas e ambientais. São mais capazes de
entender a sustentabilidade da agricultura (OECD, 2001), e podem ser
encorajados a investir em medidas de conservação de solo, ou a fazer
investimentos a longo prazo, no seu melhoramento. g Exemplos de alterações na estrutura social em áreas Mediterrâneas g Baixo
Alentejo Interior, Mértola, Portugal A população
total residente no Concelho de Mértola ascende actualmente a 8700 habitantes,
representando cerca de 6,4% da população do Baixo Alentejo (NUT III),
correspondendo a uma densidade populacional de 6,7/hab/km2. Esta
área pode-se caracterizar, genericamente, por um fraco dinamismo e potencial
demográfico, traduzido numa perda generalizada e progressiva de população ao
longo dos últimos decénios, mais precisamente desde a década de 50. O movimento
migratório é o facto mais determinante do comportamento demográfico da área
de estudo. O fraco dinamismo demográfico verificado nas últimas décadas
resultou num desequilíbrio da estrutura populacional, fortemente envelhecida.
Esta situação reflecte-se, também, no grau de ocupação do parque
habitacional, traduzindo-se numa situação de sub-ocupação de casas (ver tema
abandono da terra). A esta situação demográfica há, ainda a acrescentar, uma
situação social e de qualidade de vida, claramente deficitária, particularmente
a nível dos indicadores de conforto na habitação e de saúde.
As projecções
demográficas mais actuais, elaboradas em termos regionais, não apontam para uma
melhoria na situação demográfica nesta área, mesmo considerando futuros
impactos do empreendimento estruturante como é o caso da barragem do Alqueva.
Efectivamente, terá algum efeito positivo neste domínio, mas essencialmente
em áreas próximas dos grandes perímetros de rega, continuando o Concelho de
Mértola numa posição bastante periférica a todos estes fenómenos.
Perante este
cenário, é fundamental criar formas de incentivar e dinamizar o investimento,
em áreas complementares à actividade agrícola, bem como na utilização e
rentabilização dos recursos endógenos (naturais e culturais), com a
finalidade de desenvolver actividades que fixem a população jovem, e
dinamizem o tecido empresarial. A aposta em novas actividades, deve no
entanto ter em conta a fragilidade dos recursos naturais desta área do Baixo
Alentejo Interior, e contribuir para a preservação da identidade desta região
de Portugal. g Espanha As alterações
sociais na bacia do Guadalentin estão mais
relacionadas com as transformações nas actividades económicas do que
com a degradação da terra. A expansão da irrigação (algumas vezes mudando
o uso da terra de uma agricultura de sequeiro para uma agricultura de
regadio), o sector da construção e os empreendimentos turísticos alteraram
o programa económico da área, e moveu-os para a costa. Esta alteração
nas actividades económicas é acompanhada por modificações na população,
em dois sentidos diferentes:
Estes factores
modificaram as estruturas sociais. Nas áreas interiores a característica
principal é uma população envelhecida, menos dinâmica. Nas áreas costeiras
as actividades económicas aumentam, a agricultura é substituída por
empreendimentos turísticos e a população aumenta. Também a emigração
do Reino Unido e Alemanha está a alterar a estrutura social. Existem
muitas pessoas reformadas á procura de preços mais baratos e uma melhor
qualidade de vida. Este novo grupo social é, normalmente, á parte do
resto da sociedade, pois estão relutantes em se integrarem, e não aprendem
a falar espanhol. g Bacia
do Agri, Itália
A mais comum
manifestação, de causa-efeito, no que diz respeito à desertificação no Vale
do Agri é o despovoamento. Toda a Bacia do Agri, de facto, tem uma densidade
de 45 habitantes por km2; este valor permanece muito mais baixo
que a media Italiana (190) e o valor para a região Basilicata (65). Ao nível
das subáreas a situação é definitivamente diferente: enquanto o número de
residentes decresceu no sector médio do Agri, baixando o índice de densidade
para 28 habitantes por km2, aumentou no sector inferior para uma
densidade de 72 habitantes por km2.
A migração ocorre em todas as subáreas: as pessoas deslocam-se das montanhas para os vales, onde estão as principais infra-estruturas, como estradas, administração provincial e local, e outros serviços públicos e privados. Em contraste, a população de muitas vilas nas colinas e montanhas circundantes, está a diminuir lenta mas efectivamente.
No sector inferior da Bacia do Agri, e ao longo da costa, a intensificação da agricultora e o desenvolvimento de turismo, tornaram a área cada vez mais atractiva, e levou a um aumento demográfico. Decréscimos demográficos e despovoamento são sérias questões para uma vasta parte da bacia, principalmente, devido à migração da população com mais habilitações e igualmente mais jovem. Este processo deve-se, parcialmente, ao crescente problema de isolamento, tanto físico como cultural, que é considerado como um dos principais constrangimentos na Bacia do Agri. g Visão geral de como se interrelacionam os indicadores As mudanças na
agricultura e a disponibilidade de oportunidades fora do sector agrícola,
afectam fortemente a estrutura social e as suas dinâmicas. A tendência para
uma maior concentração da produção levou, á substituição de quintas mistas
por empresas mais especializadas (ex. quintas especializadas em gado ou em
culturas), não só a nível individual mas também a nível regional (OECD, 2001).
Por outro lado, o fenómeno de marginalização da agricultura desde a escala da
propriedade à regional tem de ser considerada. Regiões com agricultura em
pequena escala, são especialmente vulneráveis, e o abandono pode ter sérias
consequências ambientais. As possibilidades de resposta baseiam-se na
capacidade das quintas se converterem na produção de produtos mais
lucrativos, ou numa maior integração com o contexto socio-económico fora da
quinta. Como uma consequência extrema, as terras marginais e aquelas que
ficam muito distantes do centro da quinta, podem ser progressivamente
abandonadas. Por conseguinte a distancia reduz a “supervisão” da
terra e a manutenção da paisagem. A terra arável e
os recursos hídricos são, normalmente, utilizados de uma maneira intensiva,
indicando o nível de conversão de terra para agricultura de alta produção. A
disponibilidade de água para irrigação está ligada a outros processos de
intensificação, com potenciais efeitos negativos na sustentabilidade, como
são as monoculturas, a selecção de variedades de alta produção em detrimento
da diversidade genética, escorrência superficial e erosão de solo,
compactação e salinização, que levam a uma aceleração dos processos de
desertificação. Monitorizar as mudanças em escassez de água é crucial, em
regiões áridas e semi-áridas, onde o ciclo de água é descontínuo. Como
resultado, nas áreas sensíveis à desertificação, existe um défice entre água
disponível localmente e as necessidades de consumo. Este défice cresce á
medida que o consumo aumenta, enquanto recursos não aumentam. A integração de
membros da família no mercado laboral externo, pode ser visto como uma
ferramenta para evitar a interdependência negativa, entre pobreza e
degradação de recursos naturais, em áreas marginais. Muitos estudos
realizados em áreas rurais pobres, mostram que actividade agrícola, quando é
a única fonte de rendimento para a família, é basicamente como uma espécie de
“roubo” contínuo, que acentua a degradação ambiental, já
amplamente espalhada nessas áreas. As oportunidades laborais fora da quinta,
possibilitam a permanência na terra, e melhores garantias de controlar o
território, em termos de preservação de recursos. O rendimento da
quinta desempenha um papel muito importante, no definir de estratégias pelos agricultores,
no que diz respeito à terra. Se os agricultores obtiverem uma produção
suficiente na quinta, então vão adoptar todas as estratégias possíveis para
preservar os solos, não apenas para preservar o ambiente (do ponto de vista
social) e o património (de um ponto de vista privado), mas também, como
importante fonte de rendimento. O impacto da Política Agrícola Comum, ocorreu
através, do preço e das políticas estruturais. O subsídio ao preço, garantiu
um rendimento adequado aos agricultores, e por sua vez contribuiu, para o
desenvolvimento das economias regionais e para a manutenção das paisagens,
especialmente, em áreas menos favorecidas. No entanto, o subsídio ao preço,
no âmbito da Política Agrícola Comum, também acelerou o processo de intensificação
e especialização na Europa. Os preços mais elevados à produção, no âmbito da
PAC, encoraja os agricultores a produzirem mais, o que, dada a limitada base
de terra na Europa implica maior intensificação e uso de meios, exteriores à
terra. Diferenças nas taxas de protecção no contexto da a PAC, tendem a
favorecer culturas mais marginais, do ponto de vista ambiental.
Desequilíbrios na protecção, foram igualmente responsáveis, pelo aumento da
criação intensiva de animais. A viabilidade do
mundo rural relaciona-se com questões como; a idade dos agricultores, o nível
de escolaridade e habilitações para a gestão, bem como o acesso a serviços
chave. A entrada na actividade agrícola de jovens agricultores, pode ser
considerada como uma indicação para uma potencial viabilidade da agricultura
a longo prazo, visto que uma força de trabalho mais jovem, tem uma maior
capacidade de resposta rápida, às mudanças das condições económicas e
ambientais, e à sustentabilidade da agricultura (OECD, 2001). O ser o dono da
terra é também crucial. Os agricultores, se não têm perspectivas de a longo
prazo, serem os donos da terra, da propriedade, não se sentem encorajados a
investir em medidas de conservação de solo ou a fazer investimentos em
melhoramentos. A vitalidade do
mercado de trabalho é uma importante força motora, na definição do processo
de abandono do território. Pode ser vista, como uma ferramenta para evitar a
interdependência negativa, entre a pobreza e os processos de desertificação,
em áreas marginais, uma vez que condiciona a capacidade económica para
implementar medidas de combate à desertificação. O turismo é uma
das actividades económicas e sociais mais importantes na Europa, e está
ligado aos processos de desertificação. Cresceu, cerca de 5% por ano desde
1970, embora, exista um crescente reconhecimento, que em muitos destinos
turísticos, práticas de gestão tradicionais, levaram a indesejáveis impactos
sociais e ambientais, contribuindo igualmente, para os processos de
degradação de terra. As consequências
das mudanças na estrutura social, podem ser identificadas na modificação das
dinâmicas demográficas, na acentuação de fenómenos como a litoralização e a
urbanização, que conduzem a mudanças no uso de terra. A taxa de crescimento
de população é identificada pela Agenda 21, como sendo um dos elementos
cruciais, que afectam a sustentabilidade a longo prazo, exercendo impacto de
diferentes maneiras, na degradação da terra. No entanto, o rápido crescimento
de população, pode causar pressão na capacidade de um país, para lidar com um
vasto leque de questões económicas, sociais e ambientalmente relevantes,
particularmente, quando o rápido crescimento de população, ocorre em conjunto
com a pobreza e a falta de acesso a recursos, ou em zonas vulnerareis
ecologicamente. Em particular, na bacia Mediterrânea, o despovoamento pode
também influenciar, negativamente, e acelerar os processos de degradação de
terra, quando conduz a um decréscimo no grau de protecção da terra. A relação
entre aumento da população e a desertificação, tem portanto de ser analisada,
em relação com outros factores que afectam a sustentabilidade de cada área. Uma das maiores
causas de perda de recursos ambientais na Bacia do Mediterrâneo é o
desenvolvimento urbano, a expansão descontrolada de áreas urbanas para as
áreas semi-naturais e agrícolas ao longo da costa. A análise do contexto
socio-económico, no qual o desenvolvimento urbano ocorre, é essencial para
definir estratégias para controlar e mitigar o processo. É fundamental
delinear, implementar e cartografar, planos de desenvolvimento e uso da
terra. O actual tipo de
uso de terra, e o período de existência de um determinado tipo de uso é
importante, pois está relacionado com efeitos cumulativos a longo prazo, na
protecção e degradação da terra. No último século, a extensa desflorestação,
das áreas de colinas e o intenso cultivo, com culturas de sequeiro como,
cereais, amendoeiras, vinhas e oliveiras no Mediterrâneo, resultou sempre, em
diversos graus de erosão e degradação de solo. O estado de degradação de
terra depende, do tipo e período de existência de um tipo de uso. Por
exemplo, áreas de colinas, que estiveram cobertas de floresta, com profundos
solos, foram convertidas ao cultivo de cereais ou de oliveiras. Com as
práticas actuais de gestão, as taxas de erosão em áreas com cereais são mais
elevadas do que A vegetação e o
uso de terra são, claramente, factores importantes que controlam os processos
de desertificação como; risco de incêndio e a capacidade de recuperação da
vegetação, protecção da erosão dada ao solo e resistência à seca. A
componente biótica da terra, dominante, em termos de desertificação é o
coberto vegetal, pois controla a génese da escorrência superficial. Outros
processos afectam, bastante, a cobertura vegetal. Os incêndios
florestais são uma das causas mais importantes de degradação da terra, em
áreas de colinas na região Mediterrânea. As várias espécies de plantas reagem
ao fogo de diferentes maneiras. Incêndios florestais ocorrem frequentemente,
em florestas dominadas por pinheiros, com consequências adversas para os
solos, causando erosão e perda de biodiversidade. A frequência de ocorrência
de incêndios é mais baixa em pastagens e em Maquis misto com floresta sempre
verde. O tipo de vegetação e o grau de cobertura controlam, a intensidade e
frequência da escorrência e da erosão superficial. As áreas cultivadas com
culturas de sequeiro, como cereais, vinhas e amendoeiras, tornam-se
vulneráveis à desertificação, devido à diminuição na protecção dada pelo
coberto vegetal, que reduz a intensidade da chuva ao nível do solo. Dados experimentais
sobre erosão do solo, obtidos em relação às práticas de gestão existentes na
região Mediterrânea, revelam que alguns dos usos actuais da terra podem ser
classificados por ordem decrescente de efeito, em termos de erosão de solo da
seguinte forma: vinhas> eucaliptos> trigo de Inverno> matos>
oliveiras. Os vários
ecossistemas apresentam diferentes graus de adaptação e resistência a aridez.
Sob seca severa, o índice da área da folha da planta é reduzido, aumentando a
probabilidade de erosão de solo, uma vez que a protecção dada pelo coberto
vegetal fica reduzida.
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