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Sistema de Indicadores de Desertificação para a Europa Mediterrânea

 

As principais questões associadas à desertificação no Mediterrâneo

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Alterações na disponibilidade de recursos hídricos
Autor Principal: Anton Imeson 3DE@hetnet.nl
Com contribuições de: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>, Jorge García Gómez <jorgegg@um.es>, Giovanni Quaranta, Rosanna Salvia <quaranta@unibas.it>, Constantinos Kosmas <lsos2kok@aua.gr>


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Descrição das razões que levam à mudança na disponibilidade de água e porque são uma questão no contexto de desertificação
Autor: Anton Imeson 3DE@hetnet.nl

Uma redução na disponibilidade de recursos hídricos é, talvez o primeiro impacto inevitável de desertificação. A água é essencial para agricultura e indústria, tal como para a saúde pública e bem-estar. Os ecossistemas e as economias são altamente sensíveis a mudanças na disponibilidade de água. A quantidade de água disponível para recarga dos aquíferos e armazenamento em barragens é muito sensível, a pequenas reduções na precipitação ou aumentos na evapotranspiração. Consequentemente, a quantidade de água disponível varia muitíssimo de ano para ano. Inevitavelmente, a procura de água é maior, quando a disponibilidade é menor, existindo sempre uma pressão para sobre explorar a água, tratando-se um bem comum. Diferentes culturas e actividades económicas, requerem quantidades críticas de água, em alturas do ano criticas, com resultado do facto dos donos da terra cedo sentirem as consequências das alterações na disponibilidade de água. A disponibilidade de água pode ser estimada através, de dados hidrológicos (nível das toalhas freáticas e caudais dos rios) a nível nacional e local e de informação sobre o consumo de água.

Além de ser uma questão na desertificação, a disponibilidade de água é também, um excelente indicador de desertificação, porque a quantidade de água em escoamento nos rios ou a em percolação para as águas subterrâneas, é fortemente afectada, não só pelo clima, mas pela maneira, os recursos terra e água são geridos. Todos os tipos, de mudanças e de processos de degradação da terra e do solo podem ter efeitos negativos ou positivos, na água disponível. A disponibilidade de água integra o efeito das alterações no sistema biofísico, que por sua vez, afectam a quantidade de água fornecida ao sistema socio-económico e cultural, e este, por seu turno afecta a procura e as necessidades. No entanto, mais do que isto, a água tem funções essenciais em rios, e é necessário um caudal base para os manter (caudal ecológico). Em praticamente, todas as áreas do mundo sujeitas a desertificação, os caudais dos rios estão a decrescer.

Outras razões para a redução na disponibilidade de água, em áreas sujeitas a desertificação são agora apresentadas;

Clima. Pequenas alterações no valor da precipitação, influenciam a disponibilidade de água, mas esta relação é dependente do contexto. A quantidade de precipitação usada por evapotranspiração, é sempre um elemento importante a considerar. Paradoxalmente, durante alguns anos secos, pode existir mais água nos rios e uma recarga maior dos aquíferos, simplesmente, porque a vegetação cresce menos e usa menor quantidade de água. No entanto, em outros anos secos, tal não acontece, porque a disponibilidade, depende da quantidade e duração dos episódios de precipitação. As relações entre precipitação e escoamento devem ser, preferencialmente analisadas, com base no cálculo do balanço hídrico, e as conclusões examinadas por um consultor em hidrologia.

Variação no interior da bacia. O impacto de desertificação na disponibilidade de água varia dentro de uma bacia de drenagem. Por exemplo nas vertentes viradas a Norte, perto de Benidorm, Espanha, verificou-se que a disponibilidade de água era uniforme ao longo de toda a vertente. Nas viradas a Sul, os sectores de topo e meio, tinham solos delgados e áridos, mas estes forneciam escorrência e água aos solos da base da vertente.

Temperaturas elevadas. Temperaturas elevadas estão correlacionadas, com um potencial maior, e actuais perdas por evaporação, assim o impacto é mais directo na desertificação. No entanto, quando a temperatura é um factor que limita o crescimento das plantas ou da actividade biológica, um aumento em temperatura, também significa, que é usada mais água pelos processos do ecossistema, o que deixa menos água para as necessidades humanas. Exemplos destes efeitos, podem ser demonstrados nas Áreas Piloto do DESERTLINKS. Em Portugal e Espanha foi demonstrado, que as primeiras chuvas efectivas de Outono ocorrem um mês mais tarde que há 100 anos atrás, e que no Alentejo, Portugal, a quantidade de chuva que se verificava, durante os meses críticos de Março e Abril, ocorrem em menores quantidades, nas últimas décadas. Em Espanha as temperaturas do solo em Julho á profundidade de 5cm, são, 10 graus mais baixas, durante os anos húmidos, que em anos secos.

Disponibilidade de água para plantas e ecossistemas. A disponibilidade de água controla, muitíssimo, a quantidade da produção primária em áreas, onde o crescimento das plantas é limitado pela água. Quando este é o caso, qualquer alteração na quantidade e/ou altura da chuva pode reduzir a disponibilidade de água para plantas, ou para os ecossistemas em períodos críticos. A possibilidade de ter água fornecida pela precipitação, para as culturas (ou para qualquer função do ecossistema), tem de cumprir com as necessidades das plantas (ou função), particularmente, durante os períodos de crescimento, no decorrer dos quais, muitas culturas são sensíveis ao stress de humidade. Em segundo lugar, tempo mais quente significa que muitas plantas requerem mais água para transpiração. Contrariamente, mais precipitação significa que a evaporação mantêm o solo fresco e reduz as necessidades de água. Em terceiro lugar, apenas a precipitação, acima das quantidades mínimas, contribui para os recursos hídricos de um ecossistema. Quantidades de precipitação, baixo de um limite de 3 a 5mm são perdidas por evaporação. Á medida que o clima se torna mais árido, também a quantidade e duração dos eventos pluviosos se reduz, e desta maneira os recursos hídricos disponíveis para plantas são reduzidos.

Alterações no uso da terra. As alterações no uso da terra têm um impacto forte na disponibilidade de água. Cada tipo de uso tem o seu perfil próprio de utilização da água. Considere os principais tipos de uso da terra.

  • Para sistemas semi-naturais e pastagens, a biomassa e a saúde da vegetação é um indicador da capacidade das rochas e do solo em armazenar água, que esteja disponível para as plantas. Transformações do uso da terra, modificam o solo e as funções de conservação de água dessas áreas, e tal pode conduzir, a maiores escorrências superficiais e erosão ou infiltração.
  • Para pastagens naturais e cultivadas, colonizações por mato (garigue) ou árvores, leva a uma maior capacidade de buffer e mais perdas por evaporação.
  • O fogo resulta numa perda temporária da capacidade de armazenamento, aumentando a disponibilidade de água em vários centímetros.
  • A conversão para culturas irrigadas (milho ou girassol), aumenta a procura de água para cerca de 600 e 800mm/ano. Isto comparado com 300 a 500mm/ano, para cereais de sequeiro.
  • As habitações urbanas necessitam de água para suportar um estilo de vida urbano. Isto pode duplicar a água necessária por habitação, e relaciona-se com a globalização de estilos de vida, que trazem consigo (como lavagens mais frequentes, uso de maquinas de lavar louça e roupa) necessidades extras de água.

A disponibilidade de recursos hídricos, é uma questão, porque está directamente ligada á produtividade económica e ecológica, à percepção de como as aspirações ao estilo de vida estão a ser atingidas, à saúde e higiene. Mudanças na disponibilidade de água podem conduzir ao abandono da terra, e ser um factor que contribui para a migração dos cidadãos para as áreas urbanas. Modificações na disponibilidade de água resultam numa nova situação, na qual há menos água disponível para os usos da terra tradicionais, e mais para agricultura irrigada, pois esta gera mais rendimento e empregos.

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g Exemplos de mudanças na disponibilidade de água em áreas Mediterrâneas

g Baixo Alentejo Interior, Mértola, Portugal
Autores: Maria José Roxo e Pedro Cortesão Casimiro <mj.roxo@iol.pt>

A maioria do território do Concelho de Mértola faz parte da Bacia do Rio Guadiana, no seu sector mais a jusante, variando as altitudes dos 200 aos zero metros, na foz em Vila Real de S. António. A bacia hidrográfica do Rio Guadiana abrange uma superfície total de 66 800 km2, dos quais 11 580 em Portugal (17%), onde o rio se estende num total de 260 km (Portugal).

Esta bacia hidrográfica apresenta uma forma comprida e estreita, com uma orientação geral N-S, delimitada a Norte pela bacia do Rio Tejo e a Sul pelo Oceano Atlântico, a Este pela fronteira internacional com Espanha e a Oeste pelas bacias do Tejo, Sado e Mira. Os elementos morfoestruturais existentes inserem-se, na sua maioria, ao Maciço Antigo. Observam-se assim, vastas superfícies planas (peneplanície), apenas interrompidas, por relevos estruturais, ou de erosão diferencial, caso por exemplo da Serra da Adiça ou a Serra de Alçaria Ruiva

Em Mértola, a bacia do Rio Guadiana, encontra-se no substrato Hercínico, de rochas metamórficas, parcialmente revestido por depósitos terciários e quaternários. Assim, os solos são, essencialmente derivados de xistos e outras rochas metamórficas. Estes são geralmente delgados, apresentando frequentemente problemas de utilização, devido à sua composição argilosa e fraco teor em matéria orgânica. As propriedades físicas e químicas destes solos, não favorecem a infiltração da água da chuva, pelo que os recursos hídricos subterrâneos são limitados e muito localizados.

A rede hidrográfica pode classificar-se como muito densa, estando no entanto a configuração da rede em relação directa com o tipo de litologia (rochas metamórficas e eruptivas). Os perfis das vertentes são no geral, convexas/rectilíneas/côncavas ou convexas/côncavas. Os vales dos principais afluentes apresentam-se encaixados, aproveitando muitas vezes fraquezas estruturais (falhas e fracturas). Os fundos aluviais extensos são escassos, o que resulta numa diminuta existência de solos aluviais com capacidade agrícola.

Sob o ponto de vista climático, a bacia do Guadiana é bastante homogénea, de características mediterrânicas de feição continental, com verões quentes, valores elevados de insolação e evapotranspiração e fortes amplitudes térmicas. A irregularidade do regime da precipitação é outra das características deste tipo de clima, que se reflecte directamente no regime dos cursos de água.

Assim, os escoamentos anuais são muito irregulares (coeficiente de variação de 0,75 a 0,9), estando concentrados em mais de 80% no semestre mais húmido (Outubro a Março). Mesmo em anos médios, verificam-se caudais nulos nos meses de Verão em praticamente todas as linhas de água.

Rio Chanca, seco durante o Verão, Mértola (foto de Maria Roxo e Pedro Casimiro)

O escoamento médio anual gerado na totalidade da bacia do Rio Guadiana é da ordem dos 6 700 hm³ dos quais 1 820 hm³/ano são gerados em Portugal e 4 900 hm³/ano em Espanha. Com o aumento das utilizações a montante, os caudais provenientes de Espanha baixaram para cerca de 2 680 hm³/ano (55%), prevendo-se que em num futuro próximo não excedam os 2 135 hm³/ano (44%).

Embora os recursos superficiais e subterrâneos estejam interligados e sejam interdependentes, a sua interacção nesta área do Rio Guadiana é bastante ténue, dada a reduzida extensão e produtividade dos aquíferos.

Contudo, num contexto de escassos recursos hídricos, as águas subterrâneas têm uma importância excepcional na medida em que são uma das fontes para o abastecimento público e para algumas actividades agrícolas nomeadamente agro-pecuárias. No entanto, sabe-se que são águas com qualidade físico-química deficiente, com utilização muito limitada a nível do consumo humano, devido ao alto grau de mineralização que apresentam. São fundamentalmente cloretadas sódicas, sobretudo na zona da Faixa Píritosa, e com características mais bicarbonatadas e alternadamente sódicas ou magnesianas, na parte Sul do concelho, na Formação de Mértola. Estudos realizados, revelam um aumento do fenómeno de salinização dos solos, em virtude da sobre exploração dos aquíferos, para irrigação de pomares e de pastagens cultivadas.

Pulo do Lobo, Rio Guadiana, Outono de 1997 (foto de Maria Roxo e Pedro Casimiro)

É importante referir que na bacia do Guadiana são frequentes as situações de seca, o que incrementa a exploração dos recursos hídricos subterrâneos, e que são responsáveis por largos prejuízos, em particular, na agricultura que constitui a principal actividade económica da bacia (ver actividades económicas).

Um aspecto interessante é que para fazer há falta de recursos hídricos, os agricultores têm construído pequenas barragens para dar de beber ao gado, bem para irrigarem pequenas extensões. A análise e tratamento das imagens de satélite Landsat TM ETM, revelam um aumento substancial nos pixels (30x30 metros), 6 860 em 1985 e 11 716 em 2001, e um acréscimo de manchas de água de 243 para 312 (Casimiro 2002).

Em função das características climáticas da Bacia Hidrográfica do Guadiana e dos usos do solo, a qualidade da água é deficitária. A um regime fortemente sazonal das linhas de água, sem escoamento no meses de verão, associadas a condições de altas temperaturas, e a descargas significativas de poluentes, resultantes da agricultura e industria agro-alimentar, conduzem a frequentes situações de eutrofização e consequente morte da fauna aquática.

A fraca qualidade da água é também uma consequência do elevado teor em sedimentos resultantes da actuação de intensos processos de erosão hídrica dos solos. Práticas agrícolas desajustadas e culturas não adaptadas às condições de clima e solos, são os factores responsáveis por esta situação (ver degradação da terra).

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g Espanha
Autores: Jorge García Gómez <jorgegg@um.es>, Francisco López Bermúdez <lopber@um.es>

As principais questões a relacionar com a disponibilidade de água no vale do Guadalentim estão relacionadas com condições climáticas e alterações em uso da terra.

  • Clima. As condições usais são Verões secos, Invernos moderados, baixa precipitação (<300mm), elevada insolação anual (2900h/ano),  evaporação (900-1200mm/ano), e uma temperatura media de 18ºC. A distribuição irregular de precipitação e as extremas temperaturas de Verão são factores muito importantes para compreender a disponibilidade de água. As condições climáticas estão a mudar na Região de Múrcia. Estudos demonstram, que as temperaturas mínimas médias aumentaram cerca de 2ºC de 1863 para 2002, enquanto a pluviosidade média desceu. A última década (1990-1999) foi a mais seca desde 1860, com menos de 250mm/ano. As alterações na temperatura e a escassez de chuva, colocam maior pressão na disponibilidade dos recursos, pois as alterações no uso da terra requerem mais água.
  • Usos da terra. As principais alterações de uso da terra nesta área são a expansão da agricultura nas áreas interiores tradicionalmente de agricultura de sequeiro e o desenvolvimento turístico de áreas costeiras. Agricultura de irrigação esteve em grande desenvolvimento, á custa de culturas como a amendoeiras e cereais. A disponibilidade de mais água resulta de uma maior exploração de aquíferos, levando à sobre-exploração. Alguns planos para obter recursos hídricos exteriores, foram finalmente abandonados, estando agora a ser desenvolvidos planos para obter água através de desalinização. Há problemas com salinização do solo, devido ao alargamento das áreas irrigadas que tem acrescentado problemas de disponibilidade de água (Ver exemplo para Espanha em Questões de desertificação: Degradação da terra).

A outra principal alteração de uso da terra é o desenvolvimento do turismo, principalmente, nas áreas costeiras. Isto, aparte de envolver importantes alterações socio-económicas (ver Questões de desertificação: Litoralização  e Questões de desertificação: Alterações em actividades económicas) significa maiores consumos de água. Aumentos de população, campos de golfe e novos serviços, colocam mais pressão sobre recursos hídricos e às vezes essas pressões estão a forçar a deslocação de recursos da agricultura para o sector de serviços.

Irrigação por gota de cultura hortícolas s, Múrcia (foto de F. López Bermúdez)

O problema principal associado com estas actividades é a presente sobre-exploração dos aquíferos e a salinização de solos, devido ao uso inapropriado da água em solos tradicionalmente de agricultura de sequeiro, alguns deles não adequados para actividades de uma agricultura de regadio. O desaparecimento de explorações tradicionais menos competitivas, é também, uma consequência da escassez de água, sendo que a água é um factor limitante para esta actividade.

Referencia

  • LÓPEZ BERMÚDEZ,F.; GARCIA GOMEZ,J. 2004: Variaciones y tendencias de las temperaturas en Murcia durante los últimos 140 años. In Historia, Clima y Paisaje. Estudios geográficos en memoria del Prof. Antonio López Gómez. Universitat de València, Universidad Autónoma de Madrid, Universitat D´Alacant. ISBN: 84-370-5864-3, Valencia, pp.353-362

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g Bacia do Agri, Italia
Autores: Giovanni Quaranta, Rosanna Salvia <quaranta@unibas.it>

A bacia do Agri apresenta um clima mediterrâneo temperado frio, com fortes contrastes entre a linha costeira e as montanhas interiores. O interior tem um clima mais frio e no Verão a precipitação é superior a 150mm, enquanto que ao longo da costa, no mesmo período, a precipitação é inferior a 100mm. Em adição, o Verão é caracterizado por uma forte seca e temperaturas médias mensais superiores a 23ºC, nos meses mais quentes.

A bacia do Agri localiza-se na região da Basilicata, Sul de Itália. Situa-se no coração dos Apeninos da Basilicata, cobrindo 1 730 quilómetros quadrados, com uma população de 94 291 habitantes. O rio Agri percorre 136 km até ao mar Mediterrâneo.

Em anos recentes, uma redução considerável de chuva no Outono e no Inverno, causou um sério défice nos recursos hídricos. Este problema afecta, especialmente, o sector agrícola que usa cerca de 70% do total destes recursos.

Irrigação de trigo duro na baixa Bacia do Agri (foto por G. Quaranta)

Para toda a região da Basilicata, foi estimado, que a falta de água para o sector agrícola é de cerca de 70 Mcm e que a área total irrigada na bacia do Agri é 14 959 hectares (Istat, 2000). Os efeitos de seca são muito agravados, por uma ineficiente gestão de recursos hídricos, que foram seriamente reduzidos em termos de disponibilidade.

Á redução da disponibilidade de água é acrescentada a tendência para o aumento na procura, por parte de outros sectores produtivos. Em particular o sector turístico, com a construção de um crescente número de vilas e resorts, apresenta-se como o maior competidor em relação ao sector agrícola, pois aumenta a necessidade de água no Verão, o período de maior stress em água.

Pomares com uma cultura associada, no sector inferior da Bacia do Agri (foto de G. Quaranta)

O sector agrícola aumentou a sua procura de água por duas razões. Em primeiro lugar, as culturas que não eram tradicionalmente irrigadas, são-no agora. Em segundo lugar, devido a alterações nas condições meteorológicas, a época de irrigação aumentou, regando-se não só no Verão mas também no Outono.

Trabalho com os agentes e decisores, realizado no âmbito do projecto DESERTLINKS, através de workshops, sublinhou o facto, que a reduzida disponibilidade de água para o sector agrícola, começou a ser tida em conta, nas decisões a nível da exploração agrícola. Foi observado, que está a ser dada maior atenção, à produção de culturas que têm menores necessidades de serem regadas e, aos cultivos que têm uma época de crescimento, temporã, escapando ao período de seca.

Oliveiras em solos a nu (foto de G. Quaranta)

A redução na disponibilidade de água, está igualmente a levar, á adopção de técnicas de cultivo mais sustentáveis. Culturas com cobertura arbórea são, por exemplo, raramente utilizadas; principalmente, porque os agricultores temem a competição pelo consumo de água entre as plantas cultivadas e as herbáceas usadas como cultura de cobertura.

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g Lesvos, Grécia
Autor: Constantinos Kosmas <lsos2kok@aua.gr>

Lesvos faz parte do sector de água das Ilhas do Egeu, um dos 14 sectores em que a Grécia foi dividida. O potencial em recursos hídricos, foi estimado em cerca de 1 000 000 000 m3/ano, pelo Ministério da Indústria, Energia e Tecnologia (CPER, 1989). Lesvos é a maior das ilhas do Egeu, pelo que contribuí com uma parte significativa para a estimativa anterior.

Na Grécia, a fragmentação e a sobreposição de responsabilidades na gestão de recursos hídricos, por um grande número de agências governamentais, parece atrasar, quaisquer responsabilidades semelhantes em Lesvos. Em adição, a centralidade do processo de tomada de decisão, pode condicionar os esforços das autoridades locais, através da morosidade no planeamento e implementação. Portanto, a implementação atempada de uma directiva base para a total gestão dos recursos hídricos da ilha, é essencial para qualquer desenvolvimento destes recursos no futuro.

As estimativas sobre o total de utilização da água no sector das ilhas do Egeu, indica que a agricultura tem o equivalente a cerca de 70% do uso, o consumo doméstico cerca de 29%, e indústria/energia cerca de 1%. Considera-se, que o uso de água em Lesvos, deve permanecer dentro destes limites, no entanto, tal necessita de investigação futura.

As águas doces costeiras são em primeiro lugar para o turismo. A pesca e indústria partilham as costas nos golfos de Kalloni e Gera. A qualidade da água é, no geral, considerada excelente (Eressos), mas existe poluição em algumas áreas (Gera). Tal como em toda a Grécia, a legislação para a protecção do ambiente tem conhecido um incremento. O baixo Kalloni, que é parte das terras baixas, é uma valiosíssima área húmida, para a protecção de aves raras. Foi incorporada na rede NATURA e, espera-se que sejam financiados projectos para a protecção desta área.

Área húmida protegida na parte baixa da planície de  Kaloni (foto de C. Kosmas)

As acções seguintes devem ser consideradas, fundamentais, para uma estrutura base de gestão da totalidade dos recursos hídricos da ilha de Lesvos.

  • O desenvolvimento de bases de dados precisas e fiáveis, sobre os recursos hídricos da ilha e o estado do ambiente. Dados de secas e cheias devem também ser incluídos.
  • A identificação da infra-estrutura de distribuição de água, o uso de água e utilizadores.
  • Delinear um interface de gestão, da totalidade dos recursos hídricos, que tornaria possível responder aos problemas de desertificação na região Oeste e, aos de sobre-exploração de recursos hídricos a Este.
  • Acredita-se que uma tal abordagem pode permitir ultrapassar os problemas da ilha, e estabelecer propostas de acções apropriadas para anos futuros.

Pela aplicação de um tipo de análise algo simplista, usando o método racional, estima-se que o total anual de escoamento superficial disponível para toda a ilha de Lesvos seja de 300 000 000 m³. Para obter esta estimativa, foi utilizado um valor de escoamento superficial de 180mm, correspondente à média da ilha. No entanto, computações mais pormenorizadas, podem estar disponíveis, para cada uma das maiores cabeceiras, dadas as formações geológicas, existentes, e a sua localização geográfica. Portanto, a cabeceira do rio Euergetoulias na parte Este da ilha, com estratos, predominantemente permeáveis (calcários, dolomites etc.) e uma área de 90 km², teria um total anual médio de escoamento superficial, na ordem dos 9 700 000 m³.

A parte Oeste da ilha, com uma pluviosidade anual média de 415mm, tem maiores volumes de escoamento superficial de água, em comparação com a aparentemente mais húmida parte Este que regista 725mm de precipitação. Os valores mais elevados de escoamento na parte Oeste podem ser explicados da seguinte forma:

  • Menos coberto vegetal (e daí menos evapotranspiração), para os mesmos eventos de chuva;
  • Leitos de rios mais inclinados e maior erosão, cheias severas e tempos de resposta mais rápidos, para uma dada intensidade de chuva (produzindo portanto, valores de escoamento superficial mais elevados);
  • Formações geológicas (tais como rochas vulcânicas) favorecem o escoamento superficial, e uma morfologia profundamente incisiva, pequenos canyons e linhas de água com margens declivosas, devidos à erosão pela água.

A barragem de Eressos. A parte ocidental de Lesvos é árida e rochosa, com vegetação pobre. Tal, contrasta com a parte oriental da ilha, mais húmida e mais fértil, que está quase completamente, coberta de florestas ou olivais. A distinção entre o Oeste árido e o Este fértil é o elemento principal, que caracteriza o potencial dos recursos hídricos, os parâmetros hidrológicos e, consequentemente, as condições ambientais e o desenvolvimento económico da ilha. Para além das diferenças de clima, a divisão é baseada, principalmente, na geologia das duas partes e em segundo nas possíveis intervenções do homem na parte Oeste. Tendo em consideração, a elevada procura de água para consumo humano e irrigação de culturas agrícolas, e as recentes cheias da área plana do Eressos, foi construída uma barragem, na parte baixa de cabeceira do rio Calandra.

A barragem de Eressos na parte Oeste da ilha, recentemente construída parafornecer água para irrigação e proteger as terras baixas das cheias (foto de C. Kosmas)

A capacidade operacional de armazenamento de água da barragem é de 2 550 000 m³, com uma capacidade máxima de 2 760 000 m³. É alimentada pela água, do sector montante da bacia hidrográfica, que corresponde a uma área de 26.7 km². Foi construída uma infra-estrutura colectiva para irrigação da área; muitos agricultores regam os seus campos usando poços e perfurações privadas. O potencial de água subterrânea da planície não é suficiente para satisfazer as necessidades. Como consequência, da escassez de água e da falta de infra-estrutura, a irrigação é insuficiente e, normalmente feita com água de fraca qualidade. A barragem irriga a área plana, o que representa cerca de 377,4 ha. É esperada a expansão da infra-estrutura de irrigação, para as áreas de colinas na envolvente, de 404,3 ha. Água será bombeada para uma área mais alta e daí distribuída para os agricultores, através de uma rede de canalizações subterrâneas.

Durante os eventos de chuva, elevadas quantidades de água, escoam-se sob forma de cheia, devido a um coberto vegetal pobre, vertentes inclinadas, solos pouco profundos e as rochas ígneas, relativamente impermeáveis, que estão presentes na cabeceira do bacia do Calandra. Com base nas condições de solo e clima existentes, estima-se que uma taxa de escoamento de cerca de 93 000 000 m³/seg ocorra na barragem, com um intervalo de retorno de 5 anos. O escoamento anual de água é estimado em 224mm. O volume total de água transportado para a barragem é esperado ser de 5,981,000 m³, que é cerca de metade da capacidade máxima de armazenamento da barragem. Espera-se que 42.6% do total de descarga anual do rio seja armazenada na barragem, protegendo a área baixa da planície das cheias. O nível de protecção contra as cheias será significativo, pois a área de drenagem da barragem corresponde a 45% da área total de drenagem do rio. O sector montante do rio alimenta a barragem, com o caudal de Dezembro a Maio.

Não são esperados impactos ambientais significativos, causados pela construção da barragem, devido ao tamanho médio do projecto. Além disso, foram tomadas em conta, durante a fase de planeamento do projecto, todas as consequências negativas para os ambientes naturais e humanos.

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g Visão geral de como se interrelacionam os indicadores
Autor: Anton Imeson 3DE@hetnet.nl

Os indicadores caem em diversas categorias. Primeiro, existem aqueles que nas bacias de drenagem, são baseados no estado dos recursos hídricos subterrâneos. Os indicadores tentam determinar se os recursos estão sobre-explorados. A exploração pode ser medida, dependendo se água tem de ser ou não importada para uma região. Então têm-se:

  • Aquifer over exploitation - Sobre-exploração do aquífero. Este indicador descreve o grau em que, a quantidade de água bombeada dos aquíferos é sustentável, em relação á água que está disponível. Este indicador considera o abastecimento potencial, em relação ao que é na realidade usado. A sobre exploração, pode ser quantitativamente analisada, comparando as quantidades de recarga de águas subterrâneas, com a quantidade de água usada de facto, mas também pode ser vista a partir dos efeitos indesejáveis, como a descida do nível nos poços, desaparecimento de rios e fontes e salinização.
  • External water resources - Recursos de água externos. De alguma forma este é um indicador de resposta, que demonstra que uma região tem muito poucos recursos hídricos para satisfazer a procura local e que estes recursos têm de ser importados. Em alguns casos, este facto, pode reflectir uma resposta à desertificação, mas em outros casos é o resultado de uma politica estratégica de desenvolvimento local, que a curto prazo pode trazer benefícios mas que a longo prazo pode não ser sustentável.
  • Exploração de água subterrânea. Outro conjunto de indicadores é baseado na informação e dados sobre rios em vez de ser sobre água subterrânea. O indicador de recursos hídricos é muito geral, uma vez que só toma em atenção, quanta água um pais tem disponível.

Comparar a disponibilidade, com abastecimento, é igualmente, uma propriedade de outros dois indicadores, que pode ser usados á escala local, tendo sido aplicados ao Agri.

  • Hydrological regulation (artificial) - Regulação Hidrológica (artificial). Este indicador considera o grau relativo de normalização de água nos rios. Na base deste indicador, está o número de construções que foram necessárias para conter os caudais dos rios, de maneira a que estes possam ser usados para a irrigação, bem como para outras actividades. É usado à escala de bacia de drenagem e considera-se que exprime a vulnerabilidade à desertificação. É um indicador de estado e de resposta.
  • Irrigated area - Área irrigada. É um indicador geral de pressão usado pela UNCCD. Alterações na área irrigada, podem ser positivas ou negativas, reflectindo igualmente, mudanças na disponibilidade dos recursos hídricos, é portanto também, um indicador de estado.
  • Irrigation intensity and seawater intrusion - Intensidade de irrigação e intrusão de água do mar. Este é um indicador para o caso especifico de sobre exploração de água subterrânea. Como consequência da irrigação e do declínio dos aquíferos, desloca-se menos água subterrânea para as planícies e terras baixas costeiras, causando intrusões de água do mar. Tal facto, está a ocorrer em muitos locais do Mediterrâneo.

Outro “cluster” de indicadores relacionados com o uso local dos recursos hídricos

A próxima categoria de indicadores são aqueles que usam dados nacionais e de outras fontes sobre o consumo e abastecimento de água. O indicador de recursos hídricos é também deste tipo.

Os próximos dois indicadores são diferentes, uma vez que podem ser calculados a partir de dados de consumo de água, mas também ao nível local.

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