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Uso do solo: Cereais
Autor: Constantinos Kosmas
<lsos2kok@aua.gr>
g Indicadores relevantes para
o risco de desertificação devido à erosão sob cultura de cereais
Dos
muitos indicadores na base de dados, os seguintes têm mostrado empiricamente,
que desempenham o papel com maior significado na determinação do risco
de desertificação, sob cultura de cereais na ilha Grega de Lesvos.

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g Exemplo de uma ferramenta para
calcular o risco de desertificação devido à erosão sob cultura de cereais
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g Exemplos fotográficos do risco
de desertificação sob oliveiras
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Área acidentada muito degradada, cultivada
com cereais e sujeita a elevado
risco de desertificação (Índice RD = 7.31). Esta área é caracterizada
por solos relativamente delgados (profundidade inferior a 35 cm), textura fina (textura argilosa), elevado número de fragmentos rochosos
na superfície do solo (40%), reduzida precipitação (485 mm ano), lavouras perpendiculares às curvas de nível, indisponibilidade
de água para irrigação, cultivo intenso da terra, dimensão média
das parcelas (7.5 Hectares)
e falta de cumprimento dos regulamentos existentes para protecção
ambiental (Foto de C. Kosmas)
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Campo com topografia ondulada, lavrado recentemente
para cultivo de cereais e sujeito a risco
moderado de desertificação (Índice RD = 2.65). Esta área caracteriza-se
por solos relativamente profundos (mais de 150 cm), textura fina (textura argilosa), fraca quantidade de fragmentos rochosos
na superfície do solo (menos de 15%), precipitação moderada (787 mm ano), lavouras perpendiculares às curvas de nível, água disponível para
irrigação, cultivo intenso da terra, pequena dimensão das parcelas
(4.5 Hectares), e cumprimento moderado dos regulamentos existentes para protecção ambiental
(Foto de C. Kosmas)
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g Informação prévia sobre o cultivo
de cereais na Europa Mediterrânea
Extensão do cultivo de cereais na Europa Mediterrânea:
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Grécia
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Acredita-se que o cultivo de cereais teve início no
Sudeste da Ásia por volta de 10.000-15.000 anos AC. Na Grécia
o trigo foi mencionado primeiro por Homero,
enquanto Teófrastos descrevia a planta em detalhe. Tal como surge,
em imagens na cerâmica encontrada, os Gregos acreditavam que o
trigo lhes tinha sido oferecido pela deusa Dimitra.
Os cereais são actualmente, cultivados em todas as áreas do país,
onde as condições climáticas e de solo são favoráveis, em combinação
com outras culturas domésticas, que mantêm o rendimento das famílias.
Estão principalmente, concentrados nas regiões da Tessália,
Macedónia central e oriental e Trácia. A área cultivada com cereais
aumentou de 194.800 Hectares
em 1971 para 316.200 em 1991, decrescendo depois para 208.400 hectares em 2001.
A área cultivada diminuiu
na última década devido à substituição dos cereais por outras
colheitas, economicamente mais produtivas, tais como o algodão.
A terra também tem sido abandonada e utilizada para pastoreio.
A área cultivada com cereais vai continuar a decrescer se (a)
os preços de mercado dos cereais diminuírem, (b) o custo dos fertilizantes
e combustível subir, e (c) a frequência dos anos secos aumentar.
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Triptolemos a receber plantas de trigo da deusa Dimitra
e Persephone (pintura em cerâmica
período antigo Grego, 480 AC)
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A maior parte das variedades de cereais cultivados na
Grécia pertence às sub-famílias Festucoideae
e Panicoideae.
Entre os cereais, o trigo é o mais extensamente cultivado na Grécia,
seguido do arroz, aveia e cevada. Os tipos mais importantes de
trigo são o duro e o comum. O trigo comum é utilizado para a preparação
de pão, enquanto o trigo duro é utilizado na indústria das massas
e confeitaria.
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Tipo de solo, topografia e condições climáticas em que
os cereais são criados:
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Grécia
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Na Grécia os cereais são cultivados em condições climáticas,
topográficas e de solo, muito variedadas.
As características climáticas importantes são a temperatura do
ar, precipitação, horas de insolação, ventos e gelo. São cultivados,
nas seguintes
três zonas climáticas da Grécia:
- A zona continental do Norte da Grécia, incluindo a parte continental
de Epirus, Macedónia, e a maior parte
da Tessália, com um clima que muda
gradualmente das características Mediterrâneas para os climas
mais frios da Europa central.
- A zona marítima Mediterrânea Jónica, incluindo as regiões costeiras
da Grécia ocidental e ilhas Jónicas.
- A zona continental Mediterrânea, incluindo a porção Sudeste da Grécia
(Egeu) até à Tessália e ilhas do Egeu.
O clima desta região é semelhante ao marítimo Mediterrâneo,
mas com temperaturas de Inverno mais baixas e ausência de chuvas
no Verão mais prolongada.
Como seria de esperar num tipo de clima Mediterrâneo,
a precipitação é limitada durante o período de crescimento do
cereal, criando vários problemas de deficit de água. A quantidade
de precipitação nas zonas de cereal varia entre 780 e 1280 mm
por ano na parte ocidental da Grécia, reduzindo-se este valor
a metade na porção oriental, onde varia entre 380 e 640 mm
por ano. No decorrer do período, que se inicia em Março e vai
até ao fim de Maio, a quantidade de precipitação é crucial. Se
a precipitação é diminuta durante este período, a produção pode
ser drasticamente reduzida ou ser nula. Uma temperatura mínima
de 0-8 ºC é necessária para o início do crescimento da planta,
tarde no Inverno ou cedo na Primavera, enquanto uma temperatura
óptima de 25 ºC, favorece o crescimento da planta. Durante o período
de crescimento, temperaturas superiores a 35 ºC podem ocorrer
nas terras baixas da Grécia continental, em contraste com as ilhas
e áreas costeiras, causando problemas sérios à biomassa
do cereal e à produção de grão. A costa ocidental do Peloponeso,
mais a costa Jónica e as ilhas do Egeu têm valores superiores
a 3.000 horas de sol por ano. O resto do país, onde se cultivam
cereais tem cerca de 2.300 – 2.500 horas de sol.
Os cereais são cultivados em condições fisiográficas
muito variadas. A maior parte dos cereais encontram-se me áreas
planas ou áreas acidentadas, em vertentes com declives, que variam
entre declives suaves (2-6%), e muito acentuados (35%). Especialmente,
em décadas passadas os cereais foram cultivados em socalcos. Em
muitos casos estes campos foram agora abandonados, seguindo-se
o colapso dos socalcos e uma erosão de solo acelerada.
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Uma área típica, acidentada na Grécia,
cultivada sobretudo com cereais, por um longo período de
tempo (Foto de C. Kosmas)
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Na Grécia os cereais são cultivados numa grande variedade
de solos. Os solos nas terras baixas são muito profundos (mais
de 150
cm), de bem a mal drenados,
textura fina a grosseira, pobres ou ricos em carbonatos, com baixo
teor de matéria orgânica (geralmente menos de 2.8% no horizonte
superficial), formados sobretudo em depósitos aluviais e classificados
como Fluviossolos, Cambissolos
e Aluviossolos. Os solos nas áreas mais
declivosas, são moderadamente profundos a profundos (50-120 cm),
bem drenados, textura média a fina, podres ou ricos em carbonatos
(dependendo da rocha mãe), com baixo teor de matéria orgânica
(menos de 1.8%), formados principalmente em margas,
xistos, conglomerados, calcário, flysch
e classificados como Cambissolos, Regossolos,
Aluviossolos e Molissolos.
Quando os cereais são cultivados em áreas acidentadas, os solos
são moderada a severamente erodidos devido ao cultivo intensivo.
O cultivo de cereais de sequeiro na zona climática semi-árida
da Grécia, em que a topografia é ondulada, está largamente dependente
da quantidade e distribuição da precipitação. Solos formados em
conglomerados do Terciário e Quaternário, calcário, flysch,
xisto e arenito têm geralmente, uma profundidade do solo efectiva
diminuta, devido à erosão e à presença de camadas subjacentes
limitantes, tais como os horizontes petrocálcicos,
e/ou proximidade da rocha mãe. Sob tais condições adversas de
solo e clima, a produção de cereais de sequeiro declinou rapidamente
e esta cultura arável já não é rentável.
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Regimes
típicos de gestão:
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Grécia
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Na Grécia as áreas com cereais costumam ser intensamente
cultivadas. Os solos tendem a ser lavrados uma vez com arado,
seguido de uma grade de discos no início do Inverno para preparação
da sementeira. Antes do cultivo, os agricultores preferem queimar
os resíduos de cereais (restolho) a incorporá-los no solo. Tal
prática de maneio resulta numa significativa redução do teor de
matéria orgânica e estabilidade dos agregados do horizonte superficial
do solo, o que favorece a erosão do solo. Fertilizantes de azoto
e fósforo são geralmente aplicados duas vezes, no início do Inverno
durante a sementeira e no início da primavera durante o crescimento,
as quantidades variam entre 300 kg
ha-¹ to 850 kg ha-¹.
A produtividade das áreas agrícolas acidentadas onde
crescem cereais de sequeiro tem declinado nas últimas décadas
devido à erosão do solo. Isto é causado sobretudo pela escorrência
superficial de água e pelas lavouras efectuadas. O período mais
crucial para a erosão dos solos sob cereais, que ocupam a maior
parte das terras altas da Grécia, ocorre entre o fim de Outubro
e o início de Fevereiro quando os solos estão praticamente nus.
Nalguns anos, as condições climatéricas prevalecentes durante
o período de crescimento dos cereais podem ser tão adversas que
os solos ficam a nu, criando condições favoráveis para a escorrência
superficial e erosão. O cultivo repetido dos solos, associado
com a queima contínua dos resíduos de plantas favorece o encrostamento
do solo e fluxo superficial de água. Medições de erosão, conduzidas
durante a execução dos projectos Medalus
I e II financiados pela EU, demonstraram que com as práticas actuais
de gestão a perda de sedimento pode flutuar entre 0 e 52 t km-²
ano-¹ (Kosmas et al., 1997).
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Campo muito erodido
devido à erosão das lavouras. O efeito pode ser visto comparando
a superfície original do solo à volta da árvore com o solo
cultivado, que desceu cerca de 120 cm em virtude das lavouras na mesma direcção (Foto de C. Kosmas)
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A erosão das lavouras é provavelmente o principal processo
de degradação da terra em áreas acidentadas. Medições efectuadas
durante o projecto TERON financiado pela EU mostram que a taxa
de perda de solo da parte de cima das vertentes pode variar entre
0.4 e 1.4 cm
ano-¹ sob as condições actuais climáticas e de gestão,
dependendo do declive da vertente e características da superfície.
Medições a longo prazo, conduzidas na Tessália
(Grécia central) mostraram que a profundidade do solo foi reduzida
entre 24-30 cm
nas últimas seis décadas (Tsara et al., 2001). Alguns agricultores
compreenderam a importância da erosão e perda de solo nas colheitas,
maquinaria de lavoura como as charruas foram substituídas por
um cultivador. Outras práticas de maneio recomendadas para reduzir
a erosão das lavouras são lavrar sobretudo vertente acima, ou
noutras direcções (perpendicular ou paralelo às curvas de nível)
a pouca profundidade.
A produção actual de cereais de sequeiro nas áreas acidentadas
tem diminuído e o cultivo tem-se concentrado cada vez mais nas
terras baixas mais promissoras. Os sistemas agrícolas antigos,
baseados na energia animal e humana, ao serviço das necessidades
locais ou regionais, não sobreviveram em áreas com salários mais
altos e expectativas crescentes. Algumas das áreas previamente
cultivadas com cereais de sequeiro viram as culturas substituídas
com sistemas agrícolas mais rentáveis dependendo dos mercados
nacionais e internacionais. Outras áreas acidentadas degradadas
foram abandonadas, da agricultura passou-se hoje ao uso como pastagens.
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