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Uso do solo: Pastagens
Autor: Constantinos Kosmas
<lsos2kok@aua.gr>
g Indicadores relevantes para
o risco de desertificação devido à erosão sob pastagens
Dos muitos indicadores
na base de dados, os seguintes têm mostrado empiricamente, que desempenham
o papel com maior significado, na determinação do risco de desertificação
sob oliveiras na ilha Grega de Lesvos.

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g Exemplo de uma ferramenta para
calcular o risco de desertificação devido à erosão sob pastagens
Nota importante. Conforme
descrito na metodologia, esta ferramenta foi desenvolvida, com base
na análise de regressão múltipla de dados obtidos em trabalho de campo
na ilha Grega de Lesvos. É necessário ter
muito cuidado ao interpretar os resultados, se a ferramenta for utilizada
para outro local. Idealmente, deveria ser recalibrada
para cada nova localização, usando dados locais e seguindo a metodologia
descrita.
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g Exemplos fotográficos do risco
de desertificação sob pastagens
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Área acidentada em Creta usada como pastagem
para cabras e sujeita a elevado
risco de desertificação (Índice RD = 6.85) (Foto de C. Kosmas).
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Área muito degradada na ilha de Lesvos sujeita a elevado
risco de desertificação (Índice RD = 9.26) (Foto de C. Kosmas).
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g Informação prévia sobre pastagens
na Europa Mediterrânea
Extensão das pastagens na Europa Mediterrânea:
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Grécia
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As pastagens são extensas na Grécia, com grande importância
ecológica e económica para a produção de produtos animais de baixo
custo e boa qualidade. Embora as pastagens apresentem sérios problemas
relacionados com a produtividade da terra e o ambiente, contribuem
significativamente para a economia do país. Encontram-se a uma
grande variadade de altitudes, desde as terras baixas às zonas
alpinas: (a) pastagens da zona baixa (0-600 m
altitude), (b) pastagens da zona média (600-800 m
altitude), e (c) pastagens da zona superior (altitude superiores
a 800 m)
(Sarlis, 1998). A zona mais alta cobre
50% da área total de pastagens, produzindo 53% da biomassa
comestível total. As zonas média e baixa cobrem respectivamente
32% e 18% da área total de pasto, produzindo 33% e 16% da biomassa
total. As pastagens cobrem uma área de 5.300.000 hectares, ou 44% do território Grego.
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Distribuição Geográfica das pastagens
naturais de acordo com o mapa CORINE land
cover (informação para as ilhas
não está incluída)
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Tipo de solo, topografia e condições climáticas em que
as pastagens são usadas:
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Grécia
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As pastagens encontram-se em todas as condições climáticas
existentes na Grécia, que não podem ser caracterizadas como favoráveis
para produção de erva alta. A longa duração da seca no Verão e
as baixas temperaturas que prevalecem durante o Inverno restringem
o crescimento das plantas. Portanto, as pastagens naturais podem
ser usadas para pastoreio durante um curto período durante o Inverno,
Primavera ou Outono, mas nunca durante todo o ano. As pastagens
encontram-se nas seguintes áreas da Grécia:
- A zona climática alpina, montanhosa. Esta zona inclui a cordilheiras
de Pindos, que apresenta numa direcção
NNO-SSE, separando o país em duas partes com características
climáticas diferentes, especialmente em termos de precipitação.
- A zona continental do Norte da Grécia incluindo Epirus, Macedónia e Trácia, bem como uma grande parte
da Tessália, apresentam um clima que
vai mudando gradualmente de caracteristicamente Mediterrâneo
para o clima mais frio da Europa Central.
- A zona marítima Jónica Mediterrânea inclui as regiões costeiras da
Grécia ocidental e as ilhas Jónicas.
- A zona continental Mediterrânea inclui o Sudeste da Grécia (Egeu)
até à Tessália e ilhas do Egeu. O
clima desta região é semelhante ao Mediterrâneo marítimo, mas
com temperaturas mais baixas no Inverno e com períodos sem precipitação
no Verão, mais longos.
Como seria de esperar num tipo de clima Mediterrâneo,
a precipitação é reduzida durante o período de crescimento da
vegetação, criando vários problemas de deficit de água. A quantidade
de precipitação varia entre 780 e 1280 mm por ano na parte
ocidental da Grécia, reduzindo-se este valor a metade na porção
oriental, onde varia entre 380 e 640 mm por ano.
Em relação à temperatura, as pastagens encontram-se
entre as isotérmicas de 14.5 ºC e 19.5 ºC. Durante os períodos
frios, a temperatura aumenta à medida que diminuí
a latitude, enquanto no período quente e especialmente entre Maio
e Agosto, a temperatura aumenta da costa para o interior, particularmente
nas áreas planas. No Inverno, as temperaturas mais baixas registam-se
no Norte da Grécia alcançando ocasionalmente – 20 ºC, enquanto
no sul e nas ilhas do mar Egeu a temperatura raramente desce abaixo
de 0 ºC. No Verão podem ocorrer temperaturas superiores a 40 ºC
nas terras baixas da Grécia continental, em contraste com as ilhas
e áreas costeiras onde raramente atingem os 40 ºC, devido aos
ventos estacionais e locais.
Os solos nas terras baixas são muito profundos (mais
de 150
cm), bem drenados, textura
fina a média, pobres ou ricos em carbonatos, com baixo teor de
matéria orgânica (geralmente menos de 2.8% no horizonte superficial),
formados sobretudo em depósitos aluviais e classificados como
Fluviossolos, Cambissolos
e Aluviossolos. Os solos nas áreas mais
declivosas são delgados (10-50
cm), bem drenados, textura
média a fina, ricos ou com poucos carbonatos (dependendo da rocha
mãe), com baixo teor de matéria orgânica (menos de 1.8%), formados
principalmente em margas, ardósia, conglomerados, calcário, flysch e classificados como Cambissolos,
Regossolos, Aluviossolos
e Molissolos. O calcário é uma das rochas
mãe em que os pastos existem com maior grau de degradação do solo.
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Área típica muito degradada em rocha
mãe calcária, usada como pastagem (Foto de C. Kosmas).
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O flysch é outra rocha-mãe importante uma vez que os solos têm maior produtividade
que nos solos formados a partir de calcário. Os solos nas pastagens
estão em geral erodidos, moderada ou
severamente, devido ao sobrepastoreio
e à queima da vegetação natural (queimadas). A produtividade dos
solos sob pastagens é usualmente baixa devido ao elevado grau
de degradação. As áreas acidentadas, onde se faziam outras culturas,
têm sido abandonadas no seguimento de um significativo declínio
na produtividade, e convertidas em pastagens visto que nenhum
outro tipo de uso do solo é rentável.
Em termos de topografia, as pastagens encontram-se em
variadas de condições fisiográficas.
Na maior parte dos casos estão localizadas em áreas com declive
moderado (6-12%), declive forte (12-18%), declivosas
(18-35%) e muito declivosas (mais de
35%). As pastagens encontram-se, em geral, na zona mais alta (altitude
superior a 800 m),
nos declives mais acentuados.
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Regimes
típicos de gestão:
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Grécia
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Na Grécia, têm-se gado doméstico desde os tempos Neolíticos,
há cerca de 10.000 AC. As acções para gestão
das pastagens são limitadas. Excepto para as pastagens da zona
mais alta, que são usadas somente durante o Verão, todas as outras
áreas são usadas todo o ano. O sobrepastoreio
é muito comum, resultando em elevadas taxas de erosão de solo,
desaparecimento de algumas espécies de plantas e expansão de outras,
que os animais não comem. Além disso na zona mais alta, as pastagens
podem receber grandes números de animais, durante o período de
Verão, ou alternativamente estarem pouco aproveitadas, dada a
falta de infra-estruturas (caminhos e água para os animais beberem).
Os sistemas de pastoreio de transumância
funcionam a escalas espaciais e temporais muito variadas e graus
de complexidade distintos. Os animais podem ser deslocados diariamente
das colinas para os vales, ou sazonalmente para as montanhas para
pastoreio de Verão. As elevadas densidades de pastoreio (encabeçamento),
técnicas pastoris empregues e os fogos frequentes levaram a um
significativo declínio da qualidade e produtividade das pastagens,
e a um aumento na proporção de espécies de plantas que não são
consumidas pelo gado.
As pastagens nas áreas baixas,
ocupam áreas planas ou colinas (altitudes inferiores a 600 m),
são usadas principalmente, durante o período de Inverno ou ao
longo de todo o ano. Devido ao facto das temperaturas do ar, serem
relativamente favoráveis, o crescimento da erva está sobretudo
dependente da quantidade de precipitação. A produção de erva é
maior na Primavera que no Outono mas, devido à falta de água,
as plantas secam rapidamente e os animais deslocam-se para áreas
mais elevadas. As pastagens na zona média (600-800 m)
são pastoreadas principalmente, por cabras durante todo o ano.
A produção de erva na zona média é especialmente alta durante
a Primavera, no entanto o pastoreio pode estar limitado por algum
período durante o Inverno, devido à presença de neve. As pastagens
da zona mais alta são usadas por alguns meses durante o verão.
Esta zona está melhor protegida do sobrepastoreio e da erosão do solo.
A degradação da terra e desertificação nas pastagens
é altamente afectada por factores sócio-económicos
e características de gestão e maneio da terra, tais como o regime
de propriedade, dimensão das explorações, período de uso do solo,
medidas de controlo da erosão e pastoreio controlado. O regime
de propriedade afecta grandemente o risco de desertificação. Nalguns
casos, a terra é arrendada e a principal preocupação do rendeiro
é a sobreexploração da vegetação natural
e não aplica nenhumas medidas de controlo de erosão. Em décadas
recentes, terra agrícola degradada tem sido abandonada e convertida
em pastagens. Nesses casos, a terra apresenta um risco de desertificação
inferior, porque os solos são relativamente mais profundos e com
menores declives do que os das terras de pastagem circundantes.
O período de existência do uso do solo afecta a desertificação
negativamente. Este efeito está relacionado com migrações da população
e abandono da terra, resultando várias vezes em elevadas taxas
de erosão. Nalguns casos os pastores pegam fogo às pastagens deliberadamente
para queimar arbustos perenes (Sarcopoterium
sp) e para fazer germinar mais erva comestível, para os
animais, originando assim altas taxas de erosão. O pastoreio controlado
é questão mais importante na gestão das pastagens afim de se reduzir
o risco de desertificação. Nalguns casos, são instaladas cercas
na terra e os animais são deslocados de um lado para o outro,
para evitar sobrepastoreio.
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