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Risco de desertificação devido à salinização
Autor:
Constantinos Kosmas
<lsos2kok@aua.gr>
g Indicadores relevantes para
o risco de desertificação devido à salinização
Dos
muitos indicadores na base de dados, os seguintes têm mostrado empiricamente
que desempenham o papel com maior significado, na determinação do risco
de desertificação, devido à salinização na
ilha Grega de Lesvos.

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g Exemplo de uma ferramenta para
calcular o risco de desertificação devido à salinização
Nota importante. Conforme descrito na metodologia, esta ferramenta
foi desenvolvida utilizando análise de regressão múltipla de dados de
campo da ilha Grega de Lesvos. Deve ter-se
extremo cuidado ao interpretar os resultados se a ferramenta for utilizada
para outro local. Idealmente deveria ser recalibrada
para cada nova localização, usando dados locais e seguindo a metodologia
descrita.
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g Exemplos fotográficos do risco
de desertificação devido à salinização
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Uma área baixa na ilha de Lesvos com elevado
risco de desertificação devido a elevadas concentrações de
sais solúveis (manchas brancas) no solo (Índice RD = 6.93) (Foto
de C. Kosmas)
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Um exemplo da aplicação da metodologia desenvolvida para
definir o risco de desertificação é mostrado na fotografia anterior.
Esta é uma área de vegetação escassa, quase nua, devido à alta concentração
de sais solúveis. É um solo muito mal drenado, a precipitação anual
é de 725 mm, a
altitude 2.5
metros acima do nível do mar, a qualidade
da água é muito baixa (condutividade eléctrica maior que 6000 µS), o
nível freático está perto da superfície do solo (menos de 30 cm),
a área é frequentemente inundada (mais do três vezes por ano), e não
existem acções de recuperação.
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Área de planície em Agrinio (Grécia ocidental) cultivada com tabaco, mostrando
nenhum risco de desertificação
(Índice RD = 0.39). (Foto de C. Kosmas)
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Outro exemplo de risco de desertificação pode ser visto
nesta fotografia. É uma área plana cultivada com tabaco. É um solo muito
bem drenado, a precipitação anual é de 1120 mm, o
nível freático está muito profundo (mais de 8 metros),
nunca é inundada e a água usada para irrigação é de boa qualidade. O
risco de desertificação calculado é de 0.39, não havendo portanto risco
de desertificação devido à salinização, nem
devido à erosão pelo facto da área ser plana.
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g Informação prévia sobre salinização na Europa Mediterrânea
Extensão de áreas afectadas por salinização:
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Grécia
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A salinização é um importante
processo de degradação da terra e de desertificação na Grécia,
especialmente nas terras baixas irrigadas com drenagem imperfeita.
As condições básicas que promovem a concentração de sais no solo
são: irrigação com água de baixa qualidade (devido a sobre exploração
de aquíferos e intrusão de águas marinhas), más condições de drenagem
e condições climáticas áridas que favoreçam um balanço negativo
de água. Em consequência das condições mais quentes e secas das
últimas décadas, os perigos de aridez e secura para as plantas
em crescimento aumentaram. Portanto, a irrigação foi expandida
a áreas mais vastas para uma eficiente produção agrícola, indo-se
assim, de encontro das exigências do mercado. Segundo avaliações
de especialistas, cerca de 15% das terras actualmente irrigadas
apresentam problemas de salinidade / alcalinidade. A terra irrigada
na Grécia cobre cerca de 1.364.400 hectares, ou 32% da área agrícola total. Em muitos casos, os solos nas planícies,
especialmente ao longo da costa, contêm níveis de tal forma elevados
de sais solúveis, que é necessário dessalinizá-los
antes do cultivo.
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Condições típicas de solo (nível freático
pouco profundo) que promovem a salinização
do solo sob condições climáticas áridas e má qualidade da
água. (Foto de C. Kosmas)
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Algumas das consequências da acumulação de sais no solo
são: hidratação e dispersão das partículas de argila, dilatação
– contracção – quebra das argilas, reorganização das
partículas primárias de argila, distribuição espacial e temporal
da água, potencial e movimento da humidade. As interacções entre
argilas e soluções salgadas, resultam em mudanças radicais na
economia de água no solo, transporte e transformação de massa
e energia e finalmente, condições ecológicas adversas e extremas
para a vegetação nativa, bem como para as culturas agrícolas.
Os problemas de salinização na Grécia
poderão tornar-se mais severos no futuro se (a) a área de terras
irrigadas se expandir, (b) se forem introduzidas variedades de
plantas mais produtivas e mais consumidores de água, e (c) se
o clima se tornar mais quente e mais seco.
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Tipos de clima, topografia e condições de solo nos quais
se encontram áreas afectadas por sais:
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Grécia
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Na Grécia as áreas afectadas por sais encontram-se em
diversas condições climáticas, topográficas e de solo. As características
climáticas importantes são aquelas que favorecem um balanço negativo
de água, tais como temperatura do ar, precipitação, ventos e humidade
relativa. As duas seguintes zonas climáticas promovem a formação
de solos salinizados:
- A zona marítima Jónica Mediterrânea inclui as regiões costeiras da
Grécia ocidental e as ilhas Jónicas.
- A zona continental Mediterrânea inclui o Sudeste da Grécia (Egeu)
até à Tessália e ilhas do Egeu. O
clima desta região é semelhante ao Mediterrâneo marítimo, mas
com temperaturas mais baixas no Inverno e períodos sem precipitação
no Verão, mais longos.
Um balanço negativo da água ocorre quando a evapotranspiração (ET) se torna maior do que a precipitação
(P), mais irrigação (I) (ET>P+I).
O diagrama seguinte, mostra um exemplo típico de variação na precipitação
mensal, evapotranspiração e temperatura
do ar, para a parte ocidental da Grécia. Existe um balanço negativo
de Abril a Outubro, que causa uma maior subida capilar da água,
dos níveis mais baixos para os horizonte superiores (no caso de
um nível freático superficial) e aumenta a salinidade do solo.
Os principais materiais em que formam solos salinos
na Grécia, são depósitos aluviais, lacustres
ou eólicos. Os solos são geralmente muito profundos (profundidade
maior que 150 cm),
mal a muito mal drenados, textura média a fina, livres ou ricos
em carbonatos, e classificados como Fluviossolos,
Histosolos, ou nalguns casos Cambissolos.
As áreas afectadas por sais encontram-se sobretudo em áreas planas
ou de declives suaves (declive entre 2 e 6%) ou em depressões.
Em alguns casos os solos salinos formam-se em vales rodeados de
montanhas, que sofrem inundações, durante o período húmido, depois
os sais ficam acumulados no solo, quando a água se evapora durante
o período seco.
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Variação típica da precipitação mensal
(P), evapotranspiração (ET) e
temperatura do ar (T) durante o ano, na Grécia ocidental,
promovendo a salinização.
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Regimes
Típicos de Gestão:
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Grécia
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Para proteger as áreas de salinização,
os regimes de gestão típicos são a drenagem superficial e a irrigação
dos solos com águas de boa qualidade. A drenagem da superfície
é conseguida principalmente, pela construção de valas à superfície.
Nas regiões semi-áridas da Grécia sob irrigação, as valas de drenagem
são necessárias para remover o excesso de água, e necessárias
para a lixiviação de sais indesejados
e eliminar excesso de precipitação. Nalgumas áreas com problemas
de lixiviação (como a planície fluvial do rio Pinios, a planície Skala Lakonias, as planícies aluviais dos rios SPerchios e Acheloos), foram
construídas redes de drenagem pelos Ministérios da Agricultura
e Trabalhos Públicos para a recuperação dos solos.
A irrigação pode levar à concentração de sais inorgânicos
no solo, como resultado da evaporação. Isto significa que a irrigação
pode ser o factor que causa a perda de capacidade agrícola do
solo, e como tal um factor de desertificação. As águas subterrâneas
estão sobretudo presentes, em planícies aluviais localizadas ao
longo da costa ou em vales. Esta água é intensamente explorada
para irrigação de culturas de Verão, com consequências adversas
para os solos, devido à intrusão de água do mar ao longo da costa.
Adicionalmente, o aumento do turismo nos últimos 40 anos, exerceu um significativo impacto no Ambiente, e em particular
nos padrões de uso do solo e alocação
de recursos hídricos. A tendência presente para um clima mais
quente e seco, aumenta os perigos de aridez e seca. A expansão
da irrigação a vastas áreas, foi para garantir uma produção agrícola eficiente, de
forma a satisfazer a crescente procura de alimentos e fibras.
O problema da salinização foi agravado
pela diminuição da recarga dos aquíferos devido à diminuição da
precipitação e intrusão de água salobra nos aquíferos, à medida
que os padrões de precipitação e evapotranspiração vão mudando.
Para conseguir responder às grandes necessidades de
água, e para proteger as áreas planas intensamente cultivadas,
foram ou estão a ser construídos múltiplos reservatórios de água
de uso múltiplo (irrigação e consumo). Catorze grandes barragens
foram construídas ao longo dos principais rios, onde a água é
armazenada sobretudo, para produção de electricidade e irrigação.
A capacidade total de armazenagem destas barragens é de 9,551
milhões m³. Algumas das barragens mais
importantes são: Kremasta 4,495 milhões
m³, Kastraki
785 milhões m³, Polyphitou
1,939 milhões m³, Tauvropou
300 milhões m³, Pournari
I 730 milhões m³, Piges
Aoou 214 milhões m³,
Thisauros 705 milhões m³.
A recarga das águas subterrâneas é outra prática de
gestão que melhorar a qualidade dessas águas e evita a salinização
do solo. Por exemplo, na planície de Argolis,
que enfrenta severos problemas de intrusão de água salobra e salinização do solo, a recarga dos aquíferos é conseguida
fornecendo água de nascentes de boa qualidade, através de poços
durante o período de Inverno. Outro exemplo de gestão da salinização é na planície da Tessália,
que é a maior área cultivada da Grécia. O lago Karla
foi nesta área, drenado no passado para cultivo da terra. Depois
da drenagem ocorreram severos problemas de salinização
e intrusão de água salobra nos aquíferos. Actualmente a saída
de drenagem está fechada, permitindo que o lago recarregue o aquífero
da planície da Tessália com água de boa qualidade.
O Plano Grego de Acção Nacional de Combate à Desertificação
propôs as seguintes acções para proteger os solos da salinização:
- Controlo periódico da qualidade
da água de irrigação
- Controlo periódico dos sais
solúveis nos solos e determinação da alcalinidade do solo
- Drenagem adequada da terra
irrigada, através da construção de redes de drenagem
- Irrigação dos solos com excesso
de água para alcançar as necessidades das plantas em água para
um crescimento normal e para a lixiviação
dos sais solúveis (especialmente nos casos em que a água de
irrigação é de má qualidade)
- Controlo contínuo do movimento
ascendente de sais solúveis do substrato do solo que contenham
elevadas quantidades de sais devido à irrigação
- Controlo estrito da bombagem
de água a partir dos aquíferos em contacto com a água do mar,
para evitar intrusão de águas salobras no solo.
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