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Management
Practices Assessment 1. Introdução O equilíbrio que regula o relacionamento entre agricultura e o ambiente é bastante delicado. Depende particularmente da utilização dos recursos (uso do solo e práticas agrícolas), que devem sempre ser adequadas às condições ambientais. A avaliação sustentável deste relacionamento não é fácil, porque envolve aspectos ambientais e também dimensões sociais e económicas, tanto à escala da exploração agrícola como a uma escala mais alargada. Considerando isto, há uma grande necessidade de uma ferramenta que possa facilmente fornecer, de forma simples e imediata, uma análise sintética das práticas de gestão agrícola, considerando as relações recíprocas que existem entre práticas de cultivo, clima e as propriedades físico-químico-biológicas do solo. Desta forma, todas as pessoas que trabalham directamente com a terra, usando os seus recursos ou planeando estratégias de desenvolvimento, podem simular os efeitos de diferentes soluções técnicas, avaliando todos os impactos gerados. Uma tal ferramenta pode apoiar uma substancial multiplicidade de técnicas e tecnologias sustentáveis, revelando-se uma ajuda válida para a implementação da PAC, assim como actuar como uma ferramenta para apoiar e fundamentar programas de desenvolvimento a uma escala mais vasta. A investigação realizada tem sublinhado que os métodos disponíveis para avaliar as práticas agrícolas sustentáveis são extremamente complexos e frequentemente pouco práticos. É precisamente para responder a esta necessidade implícita de simplificação que propomos esta ferramenta operacional útil, de modo a oferecer respostas simples e imediatas a todos aqueles que estão envolvidas na gestão da terra e seus recursos. O método pode não considerar a complexidade de todas as interligações existentes entre as diferentes variáveis que influenciam os processos sustentáveis, de acordo com os índices/indicadores disponíveis para todos os stakeholders, mas tenta manter a essência das relações associadas com a degradação da terra. ManPrAs é uma ferramenta para Avaliação das Práticas de Gestão Agrícola desenvolvida no âmbito projecto DESERTLINKS. O objectivo é sugerir um método baseado na lista de indicadores do DIS4ME, para avaliar a sustentabilidade das práticas agrícolas, através do seu Índice de Conservação do Solo (SCI) e os resultados económicos (Margem Bruta de Rendimento-GM), e desta forma simular o impacto na degradação do solo, rentabilidade das explorações agrícolas e aspectos socioeconómicos relacionados com culturas alternativas em contextos específicos. A ferramenta é fortemente orientada para o utilizador, e permite a avaliação dos aspectos económicos e ambientais das práticas agrícolas, fornecendo aos agricultores e a todos os agentes envolvidos (stakeholders) na gestão da terra, uma poderosa ferramenta de simulação e planeamento sustentável das actividades agrícolas. A ferramenta é composta de duas partes diferentes mas integradas:
Conjuntamente, o SCI e a GM, fornecem a possibilidade de verificar o grau de conservação do solo numa exploração agrícola, as opções alternativas para mudar no sentido de práticas agrícolas mais ou menos sustentáveis, e os respectivos impactos económicos. A avaliação ambiental e económica das práticas agrícolas identificadas, reportadas na base de dados ManData e os comentários dos stakeholders reunidos durante os workshops, representaram a primeira validação da ferramenta. Pretende-se que o ManPrAs seja simultaneamente uma revisão dos impactos ambientais das práticas mais comuns de gestão do solo nas quatro Áreas de Estudo (Target Areas) do Projecto DESERTLINKS (Agri Basin - Itália; Alentejo - Portugal; Guadalentín - Espanha; Lesvos - Grécia), especificamente orientado para as técnicas agrícolas, e uma ferramenta interactiva que permite uma avaliação individual da gestão da terra num contexto específico. 2. SCI (Índice de Conservação dos Solo)O Índice de Conservação do Solo é um indicador dinâmico. Pode avaliar o efeito na qualidade do solo de uma única intervenção agrícola, apontando melhorias ou a sua deterioração. São essencialmente dois os pontos de partida: 2.1 Degradação do Solo De acordo com as seguintes conclusões estabelecidas pelo documento "COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE COUNCIL, THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS - Towards a Thematic Strategy for Soil Protection" (Brussels, 16.4.2002 COM(2002) 179), a manutenção das condições do solo é essencial para a sustentabilidade, devido à sua grande variedade de funções vitais. Contudo, o solo está submetido a ameaças crescentes devido às actividades humanas, que estão a diminuir a disponibilidade e viabilidade deste recurso a longo prazo. As ameaças são complexas e, apesar de dispersas desigualmente ao longo das diferentes regiões da UE e países aderentes, a sua dimensão é claramente continental. Para simplificação, elas são em seguida apresentadas separadamente. Na realidade, no entanto, elas estão frequentemente interligadas.
2.2 Variáveis físicas, químicas e biológicas do solo Para calcular o SCI as seguintes variáveis foram utilizadas, derivadas daquelas descritas no âmbito do DIS4ME e dos workshops de participação focalizada. Slope gradient - Declive. O declive afecta largamente a quantidade de água escoada em superfície e a perda de sedimentos do solo. As taxas de erosão do solos tornam-se acentuadas quando o ângulo de inclinação dos terrenos atinge um valor crítico, aumentando depois segundo uma escala logarítmica. O declive pode ter efeitos variáveis em diferentes zonas climáticas dependendo fundamentalmente do valor da precipitação anual. Medições feitas em diferentes áreas com vegetação natural na região do Mediterrâneo demonstraram que os solos severamente erodidos predominam em condições climáticas semi-áridas com declives superiores a 12%, enquanto os solos pouco ou moderadamente erodidos encontram-se em zonas climáticas sub-húmidas secas, com declives similares. A quantidade de sedimentos transportados após cada episódio de precipitação é uma função do clima, vegetação, topografia e solo, a qual pode ser estimada pela seguinte equação: S=kq(**m) L (**n) onde: S é a perda de sedimentos (t ha-¹), k a erodibilidade do solo, q volume da escorrência superficial por unidade de largura, L é o declive local, e m, n, são valores empíricos a serem determinados. Tal como o declive de uma vertente, o seu comprimento é igualmente importante, afectando a perda de sedimentos do solo devido à escorrência superficial da água ao longo da vertente. A erosão causada pela lavragem dos solos é fortemente influenciada pelo declive dos terrenos. Como a seguinte equação demonstra, a erosão do solo é proporcionalmente relacionada com o declive. O fluxo de solo na direcção da lavragem (Qs, em kg m-¹) por operação de mobilização do solo pode ser determinado pela seguinte equação: Qs = D*BD*G*B onde, D é profundidade da lavragem (m), BD é a densidade volumétrica do solo (kg m-³), G é o declive (tan), and B é um coeficiente, correspondente à profundidade da lavragem D. As seguintes classes de declive foram distinguidas:
Rainfall - Precipitação. A escassez de precipitação, a irregularidades da sua distribuição anual e interanual, a ocorrência de eventos extremos fora da estação chuvosa e de maior desenvolvimento vegetativo, são os principais factores climáticos que contribuem para a degradação da terra em zonas semi-aridas e áridas do Mediterrâneo. Estes factores dão lugar a uma erosão intensa em locais onde os solos são intrinsecamente vulneráveis. Prevê-se que a alteração climática global fará aumentar a actual extensão das zonas vulneráveis à erosão no Mediterrâneo. A quantidade e a distribuição espacial da precipitação são determinantes fundamentais para a produção de biomassa nas áreas de relevos mais movimentados em condições mediterrânicas. Um decréscimo da precipitação, combinado com elevadas taxas de evapotranspiração, reduzem drasticamente o teor em humidade do solo disponível para o crescimento das plantas. Uma reduzida produção de biomassa vegetal, por sua vez, afecta directamente o conteúdo em matéria orgânica no solo e a estabilidade e agregação das partículas de solo na camada superficial contra a erosão. As seguintes classes de precipitação foram distinguidas:
Aridity index (1) - Índice de Aridez (1). As condições atmosféricas que caracterizam um clima desértico são aquelas que criam grandes défices de água, ou seja, com evapotranspiração potencial muito superior à precipitação. O índice de aridez classifica o tipo de clima em relação com as disponibilidades de água. Quanto mais elevado for o índice de aridez de uma região, maior será a variabilidade e a escassez de recursos hídricos ao longo do tempo e mais vulnerável à desertificação será também essa região. Este indicado faz parte de um conjunto de ferramentas para identificar e mitigar a degradação da terra, utilizado por muitos dos Pontos Focais do Anexo IV da UNCCD. Conjuntamente com o índice de perda de solo e o índice de seca, contribui para produzir uma escala relativamente ao estado de saúde dos recursos solo e água, e consequentemente para a elaboração de estratégias de desenvolvimento compatíveis com os recursos disponíveis numa dada área. O índice de aridez (1) pode ser estimado pelo índice Bagnouls-Gaussen index (BGI), usando a seguinte equação: n onde: ti é a temperatura média do ar do mês i em °C, Pi é a precipitação total para o mês i em mm; e k representa a proporção do mês durante a qual 2ti - Pi>0. Estes limites de referência foram definidos de acordo com o método Bagnouls-Gaussen (como utilizado no índice ESI):
O Aridity index (2) - Índice de Aridez (2) pode também ser definido pelo rácio entre a precipitação media anual (P) e a evapotranspiração anual (ETP) calculado pela formula de Penman. As seguintes classes foram usadas (como sugerido pela UNCCD):
As seguintes classes de cobertura vegetal foram distinguidas:
Soil texture - Textura do solo. A textura do solo é a proporção relativa de areia, silte, e argila contida no solo. Uma areia é toda a fracção do solo entre 2.0 e 0.05 mm, e de acordo com o sistema USDA, é subdividida em cinco subclasses (areia muito grosseira 2.0-1.0 mm, areia grosseira 1.0-0.5 mm, areia média 0.5-0.25 mm, areia fina 0.25-0.1 mm, e areia muito fina 0.1-0.05 mm). Silte é a fracção do solo entre 0.05 e 0.002 mm, e argila é a fracção do solo que possui um diâmetro inferior a 0.002 mm. A textura do solo muda lentamente com o tempo e afecta profundamente a drenagem do solo, a sua capacidade de retenção de água, a sua temperatura, a erosão do solo, assim como a sua fertilidade e produtividade. A erosão eólica é um grande problema dos solos arenosos utilizados para a produção de culturas em regiões com estações secas. A erosão eólica é acelerada quando a cobertura vegetal é removida. Os solos são classificados de acordo com a sua textura em classes e cada classe de textura tem uma dada variação da proporção em areia, silte e argila. Por razões de valor prático para a agricultura foram designadas 12 classes. As seguintes classes de textura do solo foram distinguidas:
Soil depth - Profundidade do solo. A capacidade de armazenamento de água de um solo e a profundidade do enraizamento efectivo das plantas estão maioritariamente relacionados com a profundidade do solo. Os efeitos da erosão dos solo na sua produtividade dependem largamente da espessura e qualidade da camada superficial do solo e da natureza do subsolo. A produtividade dos solos profundos com uma espessa camada superficial e excelentes propriedades do subsolo pode virtualmente não ser afectada pela erosão. As seguintes classes de profundidade do solo foram distinguidas:
As seguintes classes de erosividade da precipitação foram distinguidas:
Wind speed - Velocidade do vento. A erosão eólica é outro processo de erosão dos solo, especialmente em regiões semiáridas e áridas do Mediterrâneo. As partículas do solo podem ser movidas pelo vento por uma de três maneiras, dependendo do tamanho das partículas do solo. Partículas ou agregados com diâmetro inferior a 0.05 mm podem ser erguidas para a corrente de vento transportadas em suspensão a longas distâncias (km). Os principais factores que controlam a erosão eólica são a resistência do solo à erosão, irregularidades da superfície, precipitação, declive e exposição, comprimento da área exposta e cobertura vegetal. A resistência do solo é controlada pela massa (dimensão) dos grãos. Se a massa for suficiente um grão não será movimentado pela força do vento. As irregularidades da superfície reduzem a velocidade do vento junto ao solo e os grão transportados podem ser depositados nas concavidades. A maneira mais efectiva de reduzir a erosividade do vento é cobrir o solo com um manto protector de plantas em crescimento ou com uma espessa camada de restolhos vegetais. O défice de água no solo, que ocorre durante o Verão e início do Outono, cria condições favoráveis para a desagregação das partículas do solo e para a erosão eólica. Nas pastagens e sob condições climáticas adversas, o crescimento da vegetação perene é limitado e somente a vegetação anual está presente durante o período da estação húmida. O pisoteio animal ao longo de determinados caminhos destrói os agregados do solo, deixando uma camada de poeira que é facilmente levantada para o ar. As seguintes classes de velocidade do vento foram distinguidas:
Organic matter in surface soil - Matéria orgânica no solo superficial. A matéria orgânica do solo é essencialmente resultante dos materiais residuais de plantas e animais, sintetizada por organismos microbianos e decomposta sob a influência da temperatura, humidade, e condições ambientais do solo. Desempenha um papel central na manutenção de funções chave do solo e é determinante na resistência à erosão e na fertilidade do solo. O decréscimo da matéria orgânica do solo (OM) é um indicador de baixa qualidade na maioria dos solos. Perda de OM significa degradação dos solo. Valores percentuais típicos de carbono orgânico são fornecidos. Os valores de OC podem ser convertidos em valores OM aplicando um rácio OC:OM de 1:1.7. As seguintes classes podem ser distinguidas:
Operações de cultivo do solo foram seleccionadas individualmente, de acordo com os seu impacto e com as ameaças para o solo. Tillage depth - Profundidade da lavragem. O efeito da profundidade da lavragem na mobilização dos solo é especialmente pronunciado em vertentes inclinadas onde a relha do tractor, a pouca profundidade, por vezes não revolve totalmente, permanecendo com um ângulo perpendicular à superfície do solo, de modo que a mobilização dos solo é grandemente reduzida. Vertentes mais inclinadas e convexas favorecem grandemente a reversão e quebra da relha. Quando a relha é revertida na direcção de subida ou descida da vertente (independentemente da direcção da marcha do tractor), a mobilização do solo é maior porque a gravidade actua como uma força adicional mobilizando ainda mais o solo. É evidente que outros parâmetros, para além do declive e profundidade da lavragem, podem afectar a reversão e quebra das relhas, tais como a velocidade do tractor, conteúdo em humidade do solo, a consistência do solo, o conteúdo em fragmentos rochosos, etc. A lavragem do solo feita com utensílio que transporte o solo no sentido ascendente da vertente pode ser considerado como uma prática de cultivo que reduz a degradação da terra atribuída à erosão causada pela lavragem dos solos em áreas de relevo movimentado. As seguintes classes de profundidade de lavragem foram distinguidas:
Tillage direction - Direcção da lavragem. A erosão causada pela lavragem dos solos, utilizando diversos utensílios agrícolas, pode ser considerado como o mais significativo processo de degradação e desertificação nas áreas cultivadas e não planas. A mobilização do solo e o deslocamento dos sedimentos das posições correspondentes às áreas convexas de topo na paisagem e a sua deposição nas posições mais baixas e côncavas na paisagem reduz significativamente a profundidade do enraizamento das plantas e consequentemente a capacidade de armazenamento de água nas áreas mais elevadas do topos das vertentes. A taxa de deslocamento do solo está relacionada com a direcção da lavragem. As escolhas opcionais são as seguintes:
Number of tillage operations - Número de operações de lavragem. A erosão causada pela lavragem dos solos é considerada como sendo o mais significativo processo de degradação em áreas agrícolas não planas. A erosão resultante da lavragem tem um grande impacto na produtividade das áreas cultivadas. A redistribuição do solo superficial desde as partes mais elevadas na paisagem por utilização de vários operações de lavragem reduz significativamente a profundidade efectiva dos solo e a sua capacidade de retenção de água, o que constitui a mais séria perda a longo prazo, restringindo a produção agrícola. Sob condições climáticas adversas, tais como aquelas de predominam nas regiões do Mediterrâneo, a produção de culturas de sequeiro tem declinado rapidamente e o seu cultivo já não é rentável. Acresce ainda que, a erosão resultante da lavragem expõe o subsolo, o qual pode ser altamente erodível pelo vento e pela água, ou preencher áreas de escoamento efémero, e actuar como um mecanismo que acentue a erosão hídrica. As diferentes operações de lavragem do solo resultam em diferentes taxas de perda de solo por erosão. Por exemplo um disco de tandem pode causar mais erosão do que uma operação de lavragem com relha, porque desloca mais solo com maior variabilidade ao longo da paisagem. A lavragem com chisel pode ser igualmente causadora de erosão como a relha de uma charrua. Utensílios agrícolas de grandes dimensões e agressivos, a operarem a profundidades e velocidades excessivas, causam maior erosão que os utensílios tradicionais. As escolhas opcionais são as seguintes:
Timing of first tillage operation - Momento da primeira operação de lavragem. O momento da primeira operação de lavragem influencia o fenómeno erosivo, fazendo decrescer o conteúdo em matéria orgânica e o grau de compactação dos solo em relação com as condições climáticas. Durante o Verão as operações de lavragem do solo causam obviamente uma diminuição do conteúdo em material orgânica (oxidação), enquanto no Inverno, a compactação é mais evidente, já que o solo está mais saturado em água e mais mole. As escolhas opcionais são:
As escolhas opcionais são:
Timing of the principal fertilizers - Momento da aplicação do principal fertilizante. Com referência às sugestões dadas pelo Good Agricultural Practices (Rural Development Plans) é aconselhável evitar a fertilização antes da sementeira. As escolhas opcionais são:
Quantity of nitrogen fertilizer - Quantidade de fertilizantes nitrogenados (azotados). As sugestões são fornecidas pelo Good Agricultural Practices (Rural Development Plans) e pela Directiva Comunitária do Nitrogénio. As escolhas opcionais são:
As escolhas opcionais são:
Type of pest control - Tipo de controlo de pragas. Este facto está relacionado com a contaminação do solo e da água e tem efeitos na sua conservação. O Controlo integrado e orgânico das pragas reduz o risco de empobrecimento dos solo. As escolhas opcionais são:
Water quality - Qualidade da água. Uma baixa qualidade da água conduz à deterioração da terra, problemas sanitários e de saúde para a população e deterioração ambiental generalizada, logo contribuindo para a os processos de desertificação. A presença mesmo de pequenas concentrações de sais nas águas de rega conduz à acumulação de sais no solo, a não ser que estes sejam lavados pela chuva ou pela água de irrigação. A evaporação a partir da superfície do solo e a transpiração das plantas em crescimento, retira água mas deixa os sais presentes no solo. A salinização está associada a condições climáticas semi-áridas e áridas. Os critérios para uma boa qualidade
da água para rega são: baixa salinidade ou baixo rácio
de Na+ para Ca²+ + Mg²+ para prevenir o desenvolvimento de sodicidade;
e baixas concentrações daqueles iões que podem ter
efeitos tóxicos específicos. O índice mais utilizado
para caracterizar a qualidade das águas de rega, com respeito à
sua influência na percentagem de sódio, é a taxa de
absorção do sódio (SAR) que é definida pela
seguinte relação: Este é o rácio entre a concentração do ião Na+ e a raiz quadrada da média da concentração dos iões cálcio (Ca²+) e magnésio (Mg²+). As concentrações são expressas em milimoles por litro. Uma salinidade elevada da água pode ter um efeito directo em algumas culturas sensíveis. Os sais podem concentrar-se na zona das raízes, conduzindo a danos na cultura se os sais não forem removidos pela água de rega. Outros impactos resultante da água de rega com baixa qualidade são esperados se a água possuir concentrações elevadas de Na+. O maior risco é a redução do grau de infiltração devido a danos estruturais no solo. Os limites são os seguintes:
Os efeitos da sodicidade são
determinados por conductividade eléctrica e pela taxa de absorção
do sódio (SAR). Type of irrigation - Tipo de irrigação. O tipo de irrigação pode influenciar a conservação do solo através dos efeitos da escorrência superficial que os sistemas de rega tradicionais causam, assim como a acumulação de sais e volume de água utilizado. As escolhas opcionais são:
Para salientar a interacção entre todas as variáveis descritas, foi desenvolvida uma matriz onde as linhas contêm as operações agrícolas e as colunas contêm as ameaças ao solo; cada célula inclui as variáveis físicas, químicas ou biológicas que controlam ou aumentam o impacto das práticas agrícolas nas principais formas de degradação do solo. Por exemplo o efeito da profundidade da lavragem na compactação do solo é descrita pela textura do solo, conteúdo em matéria orgânica e humidade. Como apresentado na figura abaixo, as seguintes hipóteses foram construídas por forma a calcular o valor do SCI:
As classes das variáveis foram
uniformizadas. A uniformização foi utilizada visto que diferentes
variáveis têm diferente número de classes, o que poderia
comprometer o valor final do SCI. Por exemplo: para a variável "profundidade da lavragem" as classes são as seguintes:
Uma profundidade de solo de 25 cm corresponde à classe 3. É uniformizado dividindo por 4, que é o número total de classes. Desta maneira é obtido um valor numérico para cada variável. Correlação matemática entre variáveis. A media geométrica foi utilizada como função de correlação, por forma a permitir uma igual distribuição do peso de cada variável. Por exemplo: considerando a relação entre "profundidade da lavragem" e "compactação do solo" as variáveis físicas, químicas e biológicas são: textura do solo, conteúdo em matéria orgânica e humidade do solo. Assim, a relação entre "profundidade da lavragem" e cada uma das variáveis acima descritas é estimada como abaixo indicado: 1- Classes seleccionadas Selecção das classes para cada variável:
2 - Uniformização
3 - Média geométrica Depois da uniformização dos valores, a média geométrica é calculada para quantificar a interacção, a operação agrícola, e cada uma das variáveis físicas, químicas e biológicas envolvidas (dando valores X, Y, Z)
4 - Correlação entre interacções únicas Fazendo a mesma operação entre valores de interacção única (X, Y, Z)
Este procedimento permite-nos obter um valor numérico (entre 0 e 1) para cada célula, o qual resume e quantifica as interacções entre as variáveis envolvidas. Nesta fase, os valores obtidos nas
células únicas são somados por linha e por coluna
como no exemplo abaixo indicado:
O resultado da linha-exemplo é:
Desta forma existe um único valor resumindo a interacção entre "profundidade da lavragem" e as diferentes formas de degradação. Da mesma forma o somatório
por colunas é obtido da seguinte forma:
Para obter o valor final do SCI, os valores devem ser somados tanto por linhas como por colunas. O sistema, de facto, foi desenvolvido para obter o mesmo valor somando ou por linhas ou por colunas. Este procedimento permite-nos sublinhar simultaneamente a importância de operações agrícolas individualmente ou cada ameaça ao solo, ao definir o fenómeno de degradação. Exemplo:
matriz
Neste exemplo, o SCI tem um valor de 30. O valor absoluto do SCI é então uniformizado por forma a obter valores entre 0 e 1. Este valor por si só não pode qualificar a dinâmica de conservação do solo. Tem de ser referenciado a uma escala onde um limite máximo e mínimo têm de ser definidos (calculados). Especificamente, a ferramenta calcula
o melhor e o pior valor para um dado contexto. O melhor valor absoluto
é obtido quando todos os parâmetros são expressos
nas suas melhores condições e viceversa para os piores valores.
Os valores máximos e mínimos relativos são estimados
quando são utilizadas as melhores e as piores técnicas agrícolas,
num contexto específico. Nesta fase é possível julgar
o valor obtido, balizado por estes limites de referência. 3. Práticas Agrícolas e Análise da Margem Bruta de Rendimento (GMA) A maioria dos agricultores, incluindo aqueles envolvidos na agricultura sustentável, gerem diversas empresas agrícolas (ex. diferentes culturas e criação de gado) com uma larga variedade de tecnologias (técnicas agrícolas) e frequentemente têm de colocar uma das seguintes questões.
A Análise da Margem Bruta de Rendimento (GMA) fornece uma forma simples e conveniente de resumir a informação requerida para responder as estas questões e, como resultado, pode fornecer uma ferramenta útil para planear mudanças, também em relação às ameaças ao solo. A margem bruta é a diferença entre rendimento bruto e custos variáveis (ver definições na próxima secção). É conveniente porque fornece uma medida do retorno sobre os custos variáveis e é um passo no caminho da medição do lucro. É simples porque não considera os custos fixos, os quais podem frequentemente ser de difícil alocação a empresas em nome individual. Os utilizadores da GMA necessitam
de estar conscientes de que a simplificação ganha pelo facto
de não considerar os custos fixos dá lugar a algumas limitações.
O lucro é frequentemente definido como o retorno sobre a totalidade
dos custos. Assim, deve ser tido em conta ambos os custos fixos e variáveis
quando se mede o lucro das empresas agrícolas, mesmo quando este
ultimo termo é inútil nas explorações familiares
(o tipo de exploração agrícola mais comum em todo
o mundo). Empresa: A produção de um produto ou mercadoria agrícola transaccionável pertencente a um grupo de mercadorias relacionadas (ex. trigo, alfalfa, gado). Tecnologia: Um modo de produzir um determinado produto ou mercadoria. Por vezes pode ser designado de uma actividade. Inclui por exemplo realizar ou subcontratar uma operação mecanizada para a produção de trigo, pastoreio ao longo da estação ou gestão de pastoreio intensivo do gado, cultivar culturas de regadio ou de sequeiro, lavrar ou não lavrar antes da sementeira dos cereais (sementeira directa), etc. A distinção é importante porque no planeamento da exploração agrícola, os agricultores têm de decidir o que produzir (i.e. empresas) e como produzir (i.e. tecnologia), e ambas as decisões podem afectar a conservação dos solo com o mesmo peso relativo. Custos variáveis: São custos que variam de acordo com o nível de produção (ex. mais trigo conduz a maiores custos em fertilizantes). Os custos variáveis são os custos dos inputs, como as sementes, ou os fertilizantes, que normalmente são utilizados apenas num curto período tempo da produção. Em muitos casos os custos variáveis estão associados com empresas ou produtos específicos e como tal são por vezes designados de custos directos. Custos fixos: São os custos que tem de ser suportados quer a produção tenha lugar ou não (ex. pagamento de rendas e juros sobre a terra). Os custos fixos são os custos dos inputs que não são normalmente utilizados num período de produção de curto prazo. Assim, eles são por vezes designados de overhead costs (custos suportados à cabeça), porque muitas vezes eles não podem ser alocados facilmente a uma empresa ou produto específico. Isto significa que as despesas que não se alteram, independentemente da(s) empresa(s) implementada(s) ou do nível de produção, correspondem a custos fixos. Rendimento bruto: É o valor da produção da empresa. Tem em linha de conta não somente aquilo que é vendido, mas também um valor estimado daquilo que foi produzido mas não vendido durante o período considerado. Este último valor é na sua essência rendimento, apesar de não ser ainda materializado em dinheiro, assumindo que toda produção será vendida. Por vezes a combinação entre produtos vendidos e não vendido é apelidada de produto bruto. O rendimento bruto pode também ser designado de retorno bruto ou receitas brutas. Margem bruta: É o rendimento bruto subtraído dos custos variáveis associados com a empresa /actividade. Este conceito tem por vezes sido erroneamente referido como lucro bruto. Rendimento líquido:
Para uma empresa, o rendimento líquido é calculado subtraindo
os custos fixos da empresa da margem bruta. O rendimento líquido
da totalidade de uma exploração agrícola ou negócio
agrícola é calculado somando todas as margem brutas de todas
as empresas / actividades e subtraindo a totalidade dos custos fixos de
toda a exploração ou negócio agrícola. 3.3 Cálculo da Margem Bruta de Rendimento Ao calcular a margem bruta de rendimento de uma empresa, as seguintes decisões são tomadas:
Os passos para calcular a margem bruta de rendimento para qualquer empresa (utilizando o algoritmo ManPrAs) são os seguintes: 1. Registe o valor estimado da produção da empresa, o que envolve reunir a seguinte informação:
O rendimento bruto total é obtido somando todos os valores da produção da empresa. 2. Registe o valor dos custos da produção:
Os custos variáveis totais são obtidos somando os custos variáveis associados a cada input. 3. A Margem Bruta de Rendimento
para a empresa, é calculada subtraindo os custos variáveis
totais do rendimento bruto total. Área de Estudo da Bacia do Agri Com o propósito de avaliar a funcionalidade do ManPrAs na Bacia do Agri (Itália), foi conduzida uma primeira validação da ferramenta em algumas das explorações agrícolas monitorizadas. ManPrAs foi utilizado para calcular o índice SCI relacionado com diferentes técnicas agrícolas em contextos ambientais similares, de forma a simultaneamente verificar o impacto das variáveis de gestão da terra no valor do índice e técnicas agrícolas similares em diferentes contextos físico-químico-biológicos. A validação tem sido feita a um nível qualitativo, comparando os resultados à luz das opiniões e juízos dos agricultores e das observações directas no campo. Todos os resultados obtido estão em linha de concordância com as conclusões do ManPrAs, quer no que se refere à conservação do solo quer aos resultados económicos. Uma segunda avaliação do ManPrAs foi realizada durante um workshop do projecto DESERTLINKS, que teve lugar em Basilicata entre 21 e 22 de Março de 2005, onde o DIS4Me e todas as suas ferramentas foram apresentadas e discutidas. Os stakeholders envolvidos (agricultores, serviços de extensão rural, investigadores, representantes da administração local e regional) usaram as ferramentas durante o workshop.
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